SóProvas


ID
3112699
Banca
FCC
Órgão
SANASA Campinas
Ano
2019
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Para responder à questão,considere o texto abaixo. 


      De cedo, aprendi a subir ladeira e a pegar bonde andando. Posso dizer, com humildade orgulhosa, que tive morros e bondes no meu tempo de menino.

      Nossa pobreza não era envergonhada. Ainda não fora substituída pela miséria nos morros pobres, como o da Geada. Que tinha esse nome a propósito: lá pelos altos do Jaguaré, quando fazia muito frio, no morro costumava gear. Tínhamos um par de sapatos para o domingo. Só. A semana tocada de tamancos ou de pés no chão.

      Não há lembrança que me chegue sem os gostos. Será difícil esquecer, lá no morro, o gosto de fel de chá para os rins, chá de carqueja empurrado goela abaixo pelas mãos de minha bisavó Júlia. Havia pobreza, marcada. Mas se o chá de carqueja me descia brabo pela goela, como me é difícil esquecer o gosto bom do leite quente na caneca esmaltada estirada, amorosamente, também no morro da Geada, pelas mãos de minha avó Nair.

      A miséria não substituíra a pobreza. E lá no morro da Geada, além do futebol e do jogo de malha, a gente criava de um tudo. Havia galinha, cabrito, porco, marreco, passarinho, e a natureza criava rolinha, corruíra, papa-capim, andorinha, quanto. Tudo ali nos Jaguarés, no morro da Geada, sem água encanada, com luz só recente, sem televisão, sem aparelho de som e sem inflação.

      Nenhum de nós sabia dizer a palavra solidariedade. Mas, na casa do tio Otacílio, criavam-se até filhos dos outros, e estou certo que o nosso coração era simples, espichado e melhor. Não desandávamos a reclamar da vida, não nos hostilizávamos feito possessos, tocávamos a pé pra baixo e pra cima e, quando um se encontrava com o outro, a gente não dizia: “Oi!”. A gente se saudava, largo e profundo: − Ô, batuta*!

*batuta: amigo, camarada.

(Texto adaptado. João Antônio. Meus tempos de menino. In: WERNEK, Humberto (org.). Boa companhia: crônicas. São Paulo, Companhia das Letras, 2005, p. 141-143) 

Os verbos e o sinal indicativo de crase estão empregados corretamente na seguinte frase, redigida a partir do texto:

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA C

    A) Caso você quer voltar à um dia da infância, tome chá de carqueja. ? voltar a algum lugar (preposição "a"), porém já temos o artigo indefinido "um", logo não há como ocorrer a crase, somente a preposição deve estar presente: a um dia...

    B) Os bondes não se manteram com à passagem do tempo. ? não se manterão com algo (o termo não rege a preposição "a"), logo somente o artigo definido "a" que acompanha o substantivo "passagem" deveria estar presente: com a passagem.

    C) Nós nos dedicávamos à criação de uma infinidade de animais. ? nós dedicamos a alguma coisa (preposição) + artigo definido "a" que acompanha o substantivo feminino "criação"= crase (à criação).

    D) Na casa do tio Otacílio, proporam-se à criar filhos dos outros. ? O correto é "propuseram"; crase antes de verbo é incorreto.

    E) Não era comum que um hostiliza-se à outro no morro da Geada. ? temos um pronome masculino "outro", logo ele não é acompanhando pelo artigo definido "a", dessa forma, sem crase.

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  • E) Não era comum que um hostiliza-se à outro no morro da Geada. (Hostilizasse) (a)