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ID
3377251
Banca
IADES
Órgão
Instituto Rio Branco
Ano
2019
Provas
Disciplina
Relações Internacionais
Assuntos

O relacionamento com os países da América do Sul representa importante dimensão da política externa brasileira, retratada em iniciativas de natureza política e econômica. A esse respeito, julgue o item a seguir.


A despeito da importância historicamente atribuída ao relacionamento com os países do entorno sul-americano, as iniciativas diplomáticas brasileiras, anteriores à primeira reunião de presidentes da América do Sul e voltadas para essa região, foram limitadas no próprio alcance geográfico ou quanto às respectivas agendas, não expressando, por conseguinte, abordagem genuinamente regional e abrangente à dimensão sul-americana da política externa brasileira.

Alternativas
Comentários
  • Bruno Rezende professor

    Certo.

    A Reunião de Presidentes da América do Sul (Brasília, 2000) foi a primeira ocasião

    em que os líderes dos países sul-americanos se reuniram sem a participação de

    representantes de outras regiões. Os projetos de integração realizados na América do

    Sul até o final da década de 1990 haviam tido caráter parcial e/ou sub-regional.

  • Somente no ano 2000 aconteceu a I Cúpula Sul-Americana com todos os chefes de estado da região.

    Brasil sempre teve atuação na área, claro:

    1910: Proposta de Pacto ABC - Barão do Rio Branco (depois revivada por seu substituto e por Peron)

    1969: Tratado da Bacia do Prata

    1978: Tratado de Cooperação Amazônica

    porém eram realmente "limitadas no próprio alcance geográfico ou quanto às respectivas agendas"

  • A política externa brasileira nem sempre privilegiou essa dimensão sul americana em relação às demais facetas da identidade internacional do Brasil.

    No período monárquico negava-se, embora de maneira não explícita, a identidade sul americana ou americana, como parte do continente. O discurso oficial é que o Brasil seria “um império nos trópicos", estruturado à imagem e semelhança das monarquias europeias. Assim sendo, distinto das vizinhas repúblicas hispano-americanas instáveis.

    Com a queda da monarquia começou uma discussão, aliás ainda inacabada, sobre a nossa identidade americana. Havia os que propunham que as instituições dos EUA deveriam ser nossos grandes modelos. Portanto, ser moderno e ter uma estrutura republicana adequada seria copiar aquela dos EUA. Havia outra corrente que pretendia a valorização de nossa dimensão latino-americana, até mesmo como um contraponto à hegemonia estadunidense no continente

    Estas não são, no entanto, características restritas ao Brasil e sua proposta de política externa. Os países do continente valeram-se, ao longo dos quase dois séculos de história independente, de múltiplas fontes de identidade internacional que não faziam referência ao seu caráter sul-americano. Imediatamente após sua separação da coroa espanhola, as repúblicas hispânicas do continente propuseram uma identidade americana que excluía o Brasil e os Estados Unidos e, que depois evoluiu para a invenção, em meados do século XIX, do conceito de América Latina.

    A ideia de uma América Latina – mesmo que tenha origem mais antiga e estrangeira (como o europeu via a América de língua não inglesa) consolidou-se apenas após a Segunda Guerra Mundial – em especial depois da criação da CEPAL. - (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) No pós-guerra, novos binômios dados pelos conflitos Norte-Sul e Leste-Oeste somaram-se à intrincada – embora pareça simples por conta de muitos Estados terem idioma e cultura hispânicos - e variável geopolítica das identidades regionais.

    Mais recentemente a erosão do conceito de América Latina, a desaparição do bloco socialista e o embaçamento do discurso Norte-Sul pela retórica globalizante deixaram um vazio em termos de identidades regionais que vem sendo suprido por esforços como o Mercosul, a Comunidade Sul- Americana de Nações, ou a proposta de ALCA.(Área de Livre Comércio para as Américas)  Nesse contexto, acontecem, não sem debates, o resgate da noção de América do Sul pela diplomacia brasileira como foco de identidade e projeto político.

    No entanto, vale destacar que a questão chave no presente momento de mundo globalizado é que, mais do que “americanos", “sul americanos" ou ainda “latino-americanos" somos “mercados". Emergentes ou não. Interessantes ou não. Confiáveis ou não. E, este tem sido um dos motores da política externa e das ações dos Estados americanos na arena internacional.

    A afirmativa apresentada traz um tema de longo debate, com várias vertentes ideológicas, políticas e culturais, porquanto lida-se com a problemática de identidade nacional que norteia a politica externa de um dado Estado.
    Mas, a afirmativa apresenta uma ideia de história correta.

    RESPOSTA: CORRETO
  • Alguém precisa dizer ao professor que não é para escrever um artigo, mas sim justificar a resposta da questão :(