SóProvas


ID
3487351
Banca
IBADE
Órgão
Prefeitura de Linhares - ES
Ano
2020
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Texto

O casamento da Lua


O que me contaram não foi nada disso. A mim, contaramme o seguinte: que um grupo de bons e velhos sábios, de mãos enferrujadas, rostos cheios de rugas e pequenos olhos sorridentes, começaram a reunir-se todas as noites para olhar a Lua, pois andavam dizendo que nos últimos cinco séculos sua palidez tinha aumentado consideravelmente. E de tanto olharem através de seus telescópios, os bons e velhos sábios foram assumindo um ar preocupado e seus olhos já não sorriam mais; puseramse, antes, melancólicos. E contaram-me ainda que não era incomum vê-los, peripatéticos, a conversar em voz baixa enquanto balançavam gravemente a cabeça.

E que os bons e velhos sábios haviam constatado que a Lua estava não só muito pálida, como envolta num permanente halo de tristeza. E que mirava o Mundo com olhos de um tal langor e dava tão fundos suspiros – ela que por milênios mantivera a mais virginal reserva – que não havia como duvidar: a Lua estava pura e simplesmente apaixonada. Sua crescente palidez, aliada a uma minguante serenidade e compostura no seu noturno nicho, induzia uma só conclusão: tratava-se de uma Lua nova, de uma Lua cheia de amor, de uma Lua que precisava dar. E a Lua queria dar-se justamente àquele de quem era a única escrava e que, com desdenhosa gravidade, mantinha-a confinada em seu espaço próprio, usufruindo apenas de sua luz e dando azo a que ela fosse motivo constante de poemas e canções de seus menestréis, e até mesmo de ditos e graças de seus bufões, para distraí-lo em suas periódicas hipocondrias de madurez.

Pois não é que ao descobrirem que era o Mundo a causa do sofrimento da Lua, puseram-se os bons e velhos sábios a dar gritos de júbilo e a esfregar as mãos, piscando-se os olhos e dizendo-se chistes que, com toda franqueza, não ficam nada bem em homens de saber... Mas o que se há de fazer? Frequentemente, a velhice, mesmo sábia, não tem nenhuma noção do ridículo nos momentos de alegria, podendo mesmo chegar a dançar rodas e sarabandas, numa curiosa volta à infância. Por isso perdoemos aos bons e velhos sábios, que se assim faziam é porque tinham descoberto os males da Lua, que eram males de amor. E males de amor curam-se com o próprio amor – eis o axioma científico a que chegaram os eruditos anciãos, e que escreveram no final de um longo pergaminho crivado de números e equações, no qual fora estudado o problema da crescente palidez da Lua.

(MORAES, Vinícius de. Para viver um grande amor: crônicas e poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 1991, p. 52-53, excerto.)

Observando-se os vocábulos “palidez” e “tristeza”, constata-se que são formados por derivação sufixal de bases adjetivas, respectivamente, “pálido” e “triste”, pelo acréscimo dos sufixos “-ez”, “-eza”, grafados com “z”. Considerando-se que há também em português vocábulos derivados pelos sufixos “-ês” e “-esa”, constituindo tais derivações um problema ortográfico, pode-se afirmar que há erro de ortografia em vocábulo relacionado na opção:

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA A

    ? acidez / agudeza / montanhez.

    ? O correto é -montanhês.

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    ? FORÇA, GUERREIROS(AS)!!

  • Regras básicas:

    Quando a palavra de origem tivver"s" usamos s.

    Ex: inglês = inglesa.

    Se a palavra for adjetivo = z

    Limpeza, surdez.

    Se A palavra indicar nacionalidade = s

    Camponês.

    Sucesso, bons estudos não desista!

  • Como se estuda esse tipo de coisa ? São infinitas regras... :(

    Apesar disso, eu sabia que Montanhez estava errado, pois já havia ligo em algum lugar "Montanhês".

  • São escritos com ´Z´ as palavras que se unem a adjetivos para formar substantivos abstratos. Ex: O carro é rápido; o carro tem rapidez.

  • Acertei através da palavra montanhês eliminação.

  • A questão trata do assunto ortografia. Julguemos qual alternativa há alguma palavra grafada erradamente. Vejamos:

    Segundo Celso Pedro Luft, usa-se s, e não z:

    Sufixos -es, -esa, -esia, -isa, quando a base é substantivo:

    burguês, burguesa, burguesia (burgo); cortês, cortesia (corte); camponês, camponesa (campo); maresia; poetisa, sacerdotisa; etc.

    Nos títulos nobiliárquicos: baronesa, dogesa, duquesa, marquês, marquesa, princesa...

    Nos gentílicos e pátrios: francês, francesa; inglês, inglesa; japonês, japonesa; português, portuguesa... (V. adiante.) 

    Notem que a única palavra que há alguma associação com essa regra acima é a palavra MONTANHÊS que podemos enquadrar nos adjetivos gentílicos, pois nos diz onde é o lugar onde habita um ser.

    LUFT, Celso Pedro, 1921-1995. Novo guia ortográfico / Celso Pedro Luft ; supervisão Lya Luft ; organização e revisão técnica Angela França. – 3. ed. reorganizada, rev. e atual. com a nova ortografia. – São Paulo : Globo, 2013. 

    GABARITO: A