SóProvas


ID
3493837
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Piracicaba - SP
Ano
2019
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

      Além de ser a autora do quadro Abaporu (1928), a pintora Tarsila do Amaral (1886-1973) foi uma mulher à frente do seu tempo também no amor, ao contrário das várias jovens que mantinham casamentos a contragosto. Ao longo da vida, Tarsila, que atraiu olhares por sua beleza e vestuário ousado, teve quatro grandes relacionamentos – reprovados por seus irmãos. Seus pais, no entanto, ficavam do seu lado. Ela foi destemida.

      Seu primeiro marido era primo de sua mãe. Desníveis culturais e traições fariam a pintora paulista pedir o fim do enlace. Foi uma tensão muito grande, porque envolvia alguém do seu núcleo mais próximo.

     

Seu segundo amor foi o escritor Oswald de Andrade (1890-1954), um dos líderes dos modernistas, que a acompanharia em uma das fases mais profícuas, compreendida entre a metade dos anos 20 e o começo dos 30. Apesar do “vanguardismo” de ambos, eles mantinham discrição sobre o relacionamento. Nas cartas que trocavam quando ela estava em Paris, usavam pseudônimos. Somente se sentiriam libertos quando Tarsila conseguiu a anulação de seu primeiro casamento.

      A parceria intelectual e o carinho que emanavam do casal ilustre, no entanto, acabaram mal. Oswald traiu Tarsila com Pagu, pseudônimo da jornalista e poeta Patrícia Galvão (1910-1962). “Ela ficou tão furiosa que não deixou o Oswald entrar em casa para buscar suas coisas”, conta a sobrinha- -neta da pintora, Tarsilinha, que soube dos bastidores por familiares.

      Com a queda da bolsa de Nova York em 1929, a crise da pintora ganhou mais um elemento: sua família perdera a fortuna. Sua reação, inesperada, foi entender o novo cenário que se apresentava. Assim, em 1931, viajou para o Leste Europeu com seu novo parceiro, o psiquiatra paraibano Osório César (1895-1979), retornando ao Brasil em 1932. Antes de se afastar dele, pinta o quadro Operários (1933).

      Seu último relacionamento foi com o carioca Luís Martins (1907-1981). Vinte anos mais jovem, o jornalista, cronista e crítico de arte vai ser seu companheiro por cerca de dezoito anos. A felicidade duradoura não vai conseguir eliminar a preocupação acerca da diferença de idade entre os dois. Tarsila se sentia culpada por não poder compartilhar com Martins o sonho de ter filhos.

      O enredo chega ao fim, mais uma vez, com uma traição. Martins deixa a pintora para se casar com a sua prima Anna Maria Martins. Esta, depois de algum tempo, vai pedir perdão e conta que desistiu de Luís. Tarsila, generosa que era, a perdoa e a aconselha a não desistir da sua felicidade. As duas choram e se abraçam.

(Tatiane de Assis, Os quatro grandes amores da pintora Tarsila do Amaral. Revista Veja, 15.04.2019. Acesso em 19.08.2019. Adaptado)

Considere a frase do 4° parágrafo: “… não deixou o Oswald entrar em casa…”. De acordo com as regras de emprego de pronome e de colocação pronominal, o trecho que atende à norma-padrão da língua portuguesa é:

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA A

     a)não o deixou entrar em casa…
     b) … não deixou-o entrar em casa… → advérbio de negação sendo fator de atração do pronome, fator de próclise (=não o deixou).
     c) … não deixou entrar-lhe em casa…→ deixou alguém (pronome oblíquo átono "lhe" está sendo usado incorretamente como um objeto direto).
     d) … não deixou-lhe entrar em casa…
     e) … não deixou ele entrar em casa… → pronomes pessoais do caso reto não podem ser usados como objeto direto, o correto é "não o deixou".

    ☛ FORÇA, GUERREIROS(AS)!!

  •  “… não deixou o Oswald entrar em casa…”

    Primeiro, é de salientar que os pronomes O, A, OS e AS são usados como objeto direto na sintaxe, a questão solicita a troca de uma expressão pela outra mantendo a correção.

    Segundo, temos que notar que a expressão ´´ Oswald ´´ funciona sintaticamente como objeto direto, logo temos que trocá-la por uma forma pronominal direta.

    Terceiro, quando a forma verbal terminar em vogal ou ditongo oral, os pronomes O, A, OS, AS não se alteram, portanto o uso correto é  não o deixou entrar em casa…

    Quarto, temos um advérbio de negação que atrai o pronome, obrigando o uso da próclise.

    GABARITO. A

  • Assertiva A

    não o deixou entrar em casa…

    Palavras atrativas

    palavras com sentido negativo

    advérbios (sem vírgula) = aqui, ali, só, também, bem, mal, hoje,

    pronomes indefinidos

     pronomes ou advérbios interrogativos (o uso destas palavras no início da oração interrogativa atrai o pronome para antes do verbo)

    pronomes relativos

    conjunções subordinativas

    em + gerúndio = deve-se usar o pronome entre “em” e o gerúndio

  • Dois conhecimentos aqui são suficientes:

    I) o(s), a (s)=substituem objetos diretos.

    Lhe(s)=objetos indiretos.

    II) palavras negativas são fatores de próclise.

    No caso: não deixou o Oswald entrar em casa…”. 

    Não deixei alguém =OD.

    Sucesso, bons estudos não desista!

  • GABARITO: A

    não o deixou entrar em casa…

    Não, bem como nunca, ninguém, jamais, são palavras negativas e atrativas de próclise; ou seja, o pronome vem antes do verbo.

  • GAB: A

    Não = fator atrativo para próclise.

  • A LETRA "B", SEGUNDO O PROFESSOR ALEXANDRE SOARES DO ALFACON, ESTÁ CORRETA TAMBÉM. POIS O PRONOME OBLICO ESTÁ LIGADO AO VERBO PRINCIPAL E, SENDO ASSIM , O ATRATIVO DE PRÓCLISE NÃO CONSEGUE ALCANÇÁ-LO.

  • =>  O, A, OS , AS => substituem nomes sem preposição (sempre OD)

    Ex: todos criticaram Pedro = Todos O criticaram

    Quem critica, critica alguém (verbo transitivo direto). Pedro é o objeto direto (assim como o “O”, de “Todos O criticaram”).

    =>   LHE, LHES => substituem nomes com preposição (sempre OI)

    Ex: sempre obedeço A Pedro = Sempre LHE obedeço

    Quem obedece, obedece A alguém (verbo transitivo indireto). Pedro é objeto indireto, logo, pode se substituir por LHE (que funcionará como objeto indireto).

    =>   ME, TE, SE, NOS, VOS => substituem nomes com e sem preposição (podem ser OD ou OI). A classificação depende do verbo.

    Ex: todos ME criticaram => quem critica, critica alguém (VTD, logo, terá objeto direto).

    Ex: Sempre ME obedecem => quem obedece, obedece a alguém (VTI, logo, o objeto será indireto).

    Logo, o ME (TE, SE, NOS, VOS) tanto pode ser objeto direito como indireto. Dependerá da classificação do verbo que ele acompanha.

  • gabarito letra=A

    (A)… não o deixou entrar em casa…

    advérbio de negação fator de próclise!!!!

    complementando...

    colocação em locução verbal lembre-se disso...

    vou-lhe falar(correto)

    vou falar-lhe(correto)

    vou lhe falar (correto)

    verbos no infinitivo

    com adverbio de negação com locução verbal...

    não lhe vou falar-->>verbo principal e da direita

    correto.

    não vou falar-lhe-->>

    a próclise não consegue alcançá-lo

    lembre-se

    não vou-lhe falar -->>

    ERRADO

    a próclise consegue alcançá-lo

    não vou lhe falar (correto) aqui está sem o hífen

  • GABARITO: LETRA A

    ACRESCENTANDO:

    Há palavras e expressões que exigem que o pronome seja colocado antes do verbo. Nasce, assim, o uso obrigatório da próclise graças às palavras atrativas:

    Palavras atrativas:

    a) palavras com sentido negativo: não, nunca, jamais, ninguém, nada, nenhum, nem, etc. 

    Exemplo: Nunca se meta em confusões.

    b) advérbios (sem vírgula): aqui, ali, só, também, bem, mal, hoje, amanhã, ontem, já, nunca, jamais, apenas, tão, talvez, etc. 

    Exemplo: Ontem a vi na aula. Com a vírgula, cessa a atração: Ontem, vi-na aula. Aqui, trabalha-se muito.

    c) pronomes indefinidos: todo, tudo, alguém, ninguém, algum, etc. 

    Exemplo:Tudo se tornou esclarecido para nós.

    d) pronomes ou advérbios interrogativos (o uso destas palavras no início da oração interrogativa atrai o pronome para antes do verbo): O que ? Quem ? Por que ? Quando ? Onde ? Como ? Quanto ? 

    Exemplo: Quem vestiu assim?

    e) pronomes relativos: que, o qual, quem, cujo, onde, quanto, quando, como. 

    Exemplo: Havia duas ideias que se tornaram importantes.

    f) conjunções subordinativas: que, uma vez que, já que, embora, ainda que, desde que, posto que, caso, contanto que, conforme, quando, depois que, sempre que, para que, a fim de que, à proporção que, à medida que, etc. 

    Exemplo: Já era tarde quando se notou o problema.

    g) em + gerúndio: deve-se usar o pronome entre “em” e o gerúndio. 

    Exemplo: Em se tratando de corrupção, o Brasil tem experiência.

    FONTE: https://exame.abril.com.br/carreira/colocacao-pronominal-4-regras-praticas/

  • GAB. A)

    não o deixou entrar em casa…