SóProvas


ID
3496495
Banca
IBADE
Órgão
SEJUDH - MT
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

O PASTEL E A CRISE

Otto Lara Resende


      Quando a crise convida ao pessimismo ou a ameaça descamba na depressão, está na hora de ler poesia ou prosa, tanto faz.

      A partir de certa altura, bom mesmo é reler. Reler sobretudo o que nunca se leu, como repeti outro dia a um amigo que não é chegado à leitura. Ele mergulhou no Proust sem escafandro e se sente mal quando vem à tona e respira o ar poluído aqui de fora.

      Verdadeiro sábio era o Rubem Braga. Tinha com a vida uma relação direta, sem intermediação intelectual. Houvesse o que houvesse, trazia no coração uma medida de equilíbrio que era um dom de nascença, mas era também fruto do aprendizado que só a experiência dá. No pequeno mundo do cotidiano, sabia como ninguém identificar as boas coisas da vida. E assim viveu até o último instante.

      Certa vez, no auge de uma crise, crivada de discursos e de diagnósticos, o Rubem estava de olho nas frutas da estação. Madrugador, cedinho já sabia das coisas. Quando o largo horizonte nacional andava borrascoso, ele se punha a par das nuvens negras, mas não mantinha o olhar fixo no pé-direito alto da crise. Baixava o olhar ao rodapé, pois o sabor do Brasil está também no rés-do-chão.

      Num dia de greve geral, inquietações no ar, tudo fechado, o Rubem me telefonou: “Vamos ao bar Luís, na rua da Carioca? Vamos ver a crise de perto”. E lá fomos. O bar estava aberto e o chope, esplêndido. Começamos por um preto duplo, que a sede era forte. Depois mais um, agora louro. Claro que não faltou o salsichão com bastante mostarda. Calados, mas vorazes, cumpríamos um rito. Alguém por perto disse que a Vila Militar tinha descido com os tanques.

      Saímos dali e fomos a um sebo. O Rubem comprou “Xanã”, do Carlos Lacerda, com dedicatória. Depois pegamos o carro e voltamos pelo Aterro, onde se pode exercer o direito da livre eructação. Tinha sido um perfeito programa cultural. E sem nenhum incentivo do governo. Vi agora na televisão que o maracujá está em baixa e me lembrei do velho Braga.

      Nem tudo está perdido. Fui à feira e comprei também dois suculentos abacaxis. Caem bem nesta hora de atribulação nacional. Só falta agora descobrir um bom pastel de palmito na Zona Norte. Se o Rubem estivesse aí, lá iríamos nós atrás da deleitosa descoberta . Depois, de cabeça erguida , enfrentaríamos a crise e até o caos.

(RESENDE, O. Lara. Fonte: https://edoc.site/149572393-as-cem-melhores-cronicas-brasileiras-011-gpdf-pdf-free.html)

A grafia do vocábulo sublinhado em "...e se sente mal quando vem à tona..." (§ 2) constitui um problema de ortografia, em razão da homonímia com o vocábulo mau.

Entre as frases abaixo, aquela em que o correto é grafar MAU, e não MAL, é:

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA D
    A) As crises fazem muito MAL às pessoas. → contrário de "bem" (mal).

    B) MAL completou a leitura recomendada, o aluno superou a depressão. → conjunção subordinativa temporal, equivale a "logo que".

    C) O cidadão sofria de um MAL incurável. → substantivo, usa-se "mal" quando equivale à doença, enfermidade.

    D) A falta de leitura torna o cidadão um MAU observador. → contrário de "bom", logo, usa-se "mau".

    E) Não há MAL que sempre dure. → substantivo, usa-se "mal" quando equivale a algo que é nocivo, prejudicial.

    FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

  • mal = bem

    mau = bom

  • Gab: D

    Mal/bem >> São advérbios;

    Mau/Bom >> São adjetivos;

    >> A forma mais fácil de responder questões como essa é utilizando o antônimo de MAL/MAU para sabermos qual o mais adequado para a frase;

    >> A alternativa quer o "mau", logo, o adjetivo!

    A) ERRADA: As crises fazem muito bom? às pessoas >> aqui o "bom" não encaixa, logo, o correto é usarmos "mal";

    B) ERRADA: Bom ?completou a leitura recomendada o aluno superou a depressão >> Aqui o "bom" também não encaixa, o correto é usar "mal";

    C) ERRADA: O cidadão sofria de um bom? incurável >> Também não encaixa!

    D) CORRETA: A falta de leitura torna o cidadão um bom? observador. >> Aqui o antônimo encaixa perfeitamente, logo, é o adjetivo que procurávamos, trazendo uma qualidade para o substantivo "observador";

    E) ERRADA: Não há bom? que sempre dure

  • Assertiva D

    A falta de leitura torna o cidadão um ___Mau_____ observador.

  • mal = bem (pega o L e bota + dois traços fica um E de bem)

    mau = bom (pega o U e fecha a tampa e fica um O de bom)

    hehehe me julguem, aprendi assim :D

  • Pessoal que utiliza o gerador de simulados do QC, me ajudem a solicitar a melhora nesse sistema de simulado, não permitem a 'impressão' (ou salvar como PDF) mais de 20 questões, algo totalmente sem sentido.. dentre outros problemas com os simulados.

  • A questão é sobre o uso da forma culta da língua e quer que identifiquemos a forma correta de utilizar o mal e mau. Queremos encontrar a frase que utiliza "mau".

    O mal tem várias funções e pode ser trocado por várias outras, o mau pode ser trocado por bom. Após essa explicação, iremos analisar cada assertiva. Vejamos:

    a) Incorreta.

    As crises fazem muito bem/mal às pessoas.

    Quando puder trocar  por "bem", usa-se o "mal".

    b) Incorreta.

    Mal/quando completou a leitura recomendada o aluno superou a depressão.

    Quando puder trocar pela palavra "quando", usa-se o "mal'.

    c) Incorreta.

    O cidadão sofria de um mal/doença, tristeza, desgraça...incurável.

    Quando puder trocar por  palavras semanticamente parecidas como "doença, tristeza, desgraça", usa-se o "mal".

    d) Correta.

    A falta de leitura torna o cidadão um mau/ bom observador.

    Com igualdade de sentido com BOM, será usado MAU.

    e) Incorreta.

    Não há mal/bem que sempre dure.

    Mesmo motivo da letra A.

    GABARITO: D

  • Segundo as gramáticas:

    MAL >> só pode ser conjunção temporal, advérbio e substantivo

    MAU >> só pode ser adjetivo

    Cuidado com a troca por BEM ou BOM: nem sempre isso funciona

    Ex.: O mal/mau das pessoas é achar que tudo é fácil >> se fizermos a troca, caberá perfeitamente BOM, indicando que o correto seria MAU, porém o correto aqui é MAL, porque nesse caso trata-se de um substantivo e, conforme falei, MAU só pode ser adjetivo. Muita atenção!!!!