SóProvas


ID
3497854
Banca
FCC
Órgão
SABESP
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Questão de ponto de vista


      Aprendia-se na escola que o rio Amazonas, para orgulho nacional, era o maior rio do mundo. Depois foi preciso reformular a informação: na verdade, o maior rio do mundo, em extensão, seria o Nilo. Mas o Amazonas continuava a ser o maior rio do mundo – em volume d’água. Hoje, voltou-se à convicção inicial. Tudo está, se a questão é competir, em escolher bem os critérios.

      Também se aprendia que nosso planeta Terra deveria chamar-se Água, para fazer jus ao elemento que nele predomina. Mas é bom saber que, outra vez, os critérios fazem toda a diferença. De fato, se levarmos em conta a superfície terrestre, o nome de Água ficaria bem: este elemento recobre 70% do extrato superficial do planeta. Mas se levarmos em conta o volume total da Terra, mais correto seria chamá-lo planeta Fogo: as camadas internas e profundíssimas da nossa casa planetária atingem até 6000 graus centígrados... E se considerarmos como critério a composição química do planeta, o nome Oxigênio ficaria melhor, por ser o mais abundante. Poderia haver ainda quem defendesse o nome de Ferro, por ser esse o elemento que compõe a maior parte da estrutura do planeta.

      Se o que importa é de fato competir, em qualquer nível e a propósito do que for, é bom distinguir bem e considerar os critérios. Respeitando-se a diferença entre estes, aprende-se a relativizar os resultados. A relativização é quase sempre uma operação necessária, sofreia os ânimos mais absolutistas, competitivos e exaltados, fazendo ver que, “dependendo do ponto de vista”, toda avaliação pode ser alterada. O que importa, afinal, se tal ou tal rio é o maior do mundo, ou se tal ou tal grão de café é o mais saboroso, ou se o vinho desta região é melhor que o daquela? É preciso reconhecer ao máximo possível o valor próprio de cada coisa, para que das comparações apressadas não se tirem conclusões absolutas. Por difícil que seja, relativizar um julgamento aceitando-se a diversidade de critérios é um caminho mais justo para se seguir.

(Antenor Caio de Souza, inédito

É adequada a nova correlação entre os tempos e os modos verbais, na reconstrução de uma frase do texto, em:

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA C

    A) Tinha sido preciso reformular a informação: na verdade, o maior rio do mundo terá sido o Nilo → o correto é "teria".

    B) Tudo está, se a questão fosse competir, em ter escolhido bem os critérios → o correto é "estaria".

    C) Se viermos a levar em conta a superfície terrestre, o nome de Água ficará bem.

    D) Se houvéssemos considerado como critério a composição química do planeta, o nome de Oxigênio terá ficado melhor → o correto é "teria".

    E) Era preciso reconhecer ao máximo possível o valor próprio de cada coisa, para que não se hajam tirado conclusões apressadas → o correto é "seria".

    ☛ FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

  • NA LETRA "E" - PODE SER É (PRESENTE DO INDICATIVO) OU SERÁ (FUTURO DO PRESENTE DO INDICATIVO).

    NÃO PODE SER "SERIA", PORQUANTO "HAJAM" ESTÁ NO PRESENTE DO SUBJUNTIVO.

  • Para resolver esta questão, você precisa saber que existem correlações específicas entre tempos e modos verbais para expressar hipóteses, ou seja, situações ou ações que podem se realizar, ou ainda, que poderiam ter sido realizadas. Na Língua Portuguesa, o valor de hipótese, como se baseia no passado ou no presente para projetar um futuro provável, é expressado pela correlação entre os seguintes tempos e modos verbais:


    1)    Pretérito mais-que-perfeito e futuro do pretérito do modo indicativo:  sabemos que o pretérito mais-que-perfeito, em sua forma simples, é identificado pelas desinências -RA e -RE átonas. Já no tempo composto, esse tempo é formado por locução verbal, com verbo auxiliar TER ou HAVER, conjugado no pretérito imperfeito do indicativo (tempo anterior ao mais-que-perfeito na escala de tempos verbais do modo indicativo), sendo acompanhado de verbo principal no particípio. Assim, qualquer uma dessas formas do pretérito mais-que-perfeito deverá ser associada a verbos no futuro do pretérito do modo indicativo, identificado pelas terminações -RIA e -RIE. Isso ocorre porque o mais-que-perfeito expressa o passado mais antigo entre fatos passados ocorridos; e o futuro do pretérito, entre seus significados, expressa o que poderia ter acontecido, caso algo no passado fosse considerado. Vejamos exemplos ilustrativos:


    -Havia comprado equivocadamente o carro, porém poderia ter esperado mais.

    -Comprara equivocadamente o carro, no entanto compraria de forma mais bem sucedida hoje.


    2)     Futuro do pretérito do modo indicativo e imperfeito do subjuntivo: O tempo de um futuro que poderia ter sido também pode ter correlação com um tempo verbal que expresse a ideia de condição. Logo, é correta, também, na construção de conteúdos de hipótese, a presença da condição (algo que ocorre na dependência de outro). Por isso, a equivalência entre o futuro do pretérito do indicativo (desinências -RIA e -RIE) e o pretérito imperfeito do modo indicativo (desinência -SSE) é fundamental, para mostrar que algo poderia ter acontecido, caso outro acontecesse também. Observe mais exemplo ilustrativo:


    -Teríamos obtido aprovação, caso a preparação fosse semanal, e não quinzenal.


    3)     Pretérito mais-que-perfeito do indicativo e pretérito imperfeito do modo subjuntivo:

    Há também, entre os valores da hipótese, aquele que traz uma constatação. Assim, se nos embasamos em uma ação antiga, frequente do passado, para demonstrar que algo de fato aconteceria como se supôs, só podemos unir dois tempos verbais para expressar esse raciocínio: o pretérito mais-que-perfeito (simples e composto) e o pretérito imperfeito do modo subjuntivo. Observe:


    -Tinha sido necessário estudar muito naquela época, caso quisesse obter a primeira colocação.


    4)     Futuro do presente do modo indicativo e futuro do modo subjuntivo.

    Existem futuros que sinalizam o que pode ainda acontecer, caso outro evento futuro aconteça também. Por essa razão, o que ainda pode ocorrer, sinalizado pelo futuro do presente (desinências -RA e -RE, tônicas), está na dependência de outro evento, que é marcado por um futuro condicional, ou o futuro do modo subjuntivo (desinência -R), cuja conjugação é obtida com auxílio do conectivo QUANDO ou SE:


    -Ele virá ao meu encontro quando a situação estiver completamente resolvida.


    Com base nessas informações, examinemos as opções para assinalar aquela que apresenta a correlação correta:


    A)   Tinha sido preciso reformular a informação: na verdade, o maior rio do mundo terá sido o Nilo. 

    ERRADA.

    A primeira locução verbal grifada tem verbo auxiliar no pretérito imperfeito do indicativo, o que sinaliza ser esse um tempo composto do pretérito mais-que-perfeito do modo indicativo. Como vimos na explicação inicial referente a esta questão, as formas do pretérito mais-que-perfeito, simples e composto, correspondem-se ao futuro do pretérito do indicativo (terminação -RIA e -RIE), e não ao futuro do presente, como acontece em “terá sido". Corrigindo, deveríamos escrever teria sido.


    B) Tudo está, se a questão fosse competir, em ter escolhido bem os critérios. 

    ERRADA.

    Se temos, como um dos verbos do período, o pretérito imperfeito do modo subjuntivo (terminação -SSE), para haver correspondência semântica, deveríamos ter o outro verbo no futuro do pretérito do modo indicativo. Reescrevendo, teríamos: Tudo estaria, se a questão fosse competir (...).


    C) Se viermos a levar em conta a superfície terrestre, o nome de Água ficará bem. 

    CORRETA.

    Sabemos que a correlação entre um futuro que ainda pode acontecer depende de outro fato que também aconteça. Sendo assim, para expressar essa mensagem, precisamos da correlação entre verbos no futuro do modo subjuntivo (futuro condicional) e verbos no futuro do presente do modo indicativo (desinências -RA e -RE tônicas). É o que ocorre entre “viermos", no subjuntivo, e “ficará", no futuro do presente do indicativo.


    D) Se houvéssemos considerado como critério a composição química do planeta, o nome de Oxigênio terá ficado melhor. 

    ERRADA.

    Mais uma vez, temos um verbo com desinência -SSE, caracterizando o pretérito imperfeito do modo subjuntivo. Então, o verbo correspondente deveria estar conjugado no futuro do pretérito (-RIA, -RIE), e não no futuro do presente do modo indicativo, como acontece em “terá ficado". Para que houvesse a correção deveríamos escrever, teria sido.


    E) Era preciso reconhecer ao máximo possível o valor próprio de cada coisa, para que não se hajam tirado conclusões apressadas. 

    ERRADA.

    Na primeira locução verbal, encontramos como verbo auxiliar a forma “era", que está no pretérito imperfeito do modo indicativo, indicando, portanto, junto ao particípio “preciso", uma forma verbal composta do pretérito mais-que-perfeito. Como já visto na explicação conceitual, as formas do 

    mais-que-perfeito correspondem-se, também, com as do imperfeito do modo subjuntivo. Reescrevendo para corrigir, obteríamos: (...) para que não se houvessem tirado conclusões apressadas.


    RESPOSTA: C