SóProvas


ID
3519388
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2019
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Leia o texto para responder a questão.

       A entrevista estava marcada na casa dele, numa das favelas mais pobres de Fortaleza. De manhã bem cedo, eu e o fotógrafo esperávamos, na porta de uma ONG ainda fechada, o educador que nos levaria até aquele emaranhado de endereços desencontrados, um território dividido por duas quadrilhas rivais do tráfico de drogas. O menino apareceu de repente, vestido com uma camiseta do Brasil. Sem olhar para mim, ele disse: “Na minha casa, não.” Não dizia o porquê. Apenas sacudia a cabeça em sinal de negativa explícita. Ele era pequeno para os seus 15 anos, mas o seu “não” era enorme.
       A porta da ONG abriu, e ele entrou. Sentou-se na cadeira da recepção e tentou ligar o computador. Passou-se muito tempo, talvez quase uma hora de silêncios entre nós, interrompidos por uma ou outra palavra que servia ao menino apenas como demarcação do território. O território que ele não queria que eu alcançasse, as palavras curtas marcando que não haveria palavras longas. Eu não sabia se tinha o direito de continuar ali, talvez nunca saiba. Mas ele também não ia embora.
    Então a cozinha da ONG abriu. E, de um salto, ele já estava lá. Como se eu fosse um vira-lata esquecido, me chamou com displicência. Mas ainda não me olhava. Sentei-me diante dele e o vi devorar um pão em menos de um minuto. No segundo pão, ele me enxergou pela primeira vez, oferecendo-me um pedaço. A certa altura, parecendo com pena de mim, disse:
   – Você entende só um pouco de português, né?
     O menino tinha razão. Eu não alcançava a riqueza da sua língua portuguesa, que dava conta de um Brasil diverso, com palavras nascidas ali mesmo. Expressões gestadas na necessidade de dar conta de uma realidade na qual era necessário, por exemplo, nomear o momento-limite em que o gatilho da arma é acionado, mas a bala não sai.
     Mas era mais do que isso. Eu demorei a lê-lo. Eu era analfabeta dele. O seu “não” da altura de um edifício, a postura do seu corpo, entre acuada e pronta para saltar no meu pescoço, o seu medo de mim, que às vezes beirava a raiva, era fome. Frequentemente me deparei com essa fome, a fome que é um substantivo sem adjetivo possível.
     O menino me leu muito antes de eu a ele. Percebeu que eu era estrangeira ao seu Brasil. Estranhou a cor da minha pele, a tonalidade do meu cabelo, a forma e o som das minhas palavras. Estranhou que eu precisasse de tradução para algumas de suas frases. Estranhou porque havia que estranhar.

(Eliane Brum. Limites da linguagem. https://brasil.elpais.com, 04.08.2014. Adaptado)

Encontra-se em conformidade com a norma-padrão da língua, quanto à colocação dos pronomes, a seguinte frase:

Alternativas
Comentários
  • Assertiva E

    O menino leu-me muito antes de eu a ele…

  • ✅ Gabarito: E

    A) … o educador que levaria-nos até aquele emaranhado de endereços desencontrados… → INCORRETO. Temos o pronome relativo "que" sendo fator e próclise, fator de atração do pronome oblíquo átono (=que nos levaria).

    B) Se passou muito tempo, talvez quase uma hora de silêncios entre nós… → INCORRETO. Não se pode começar frase com pronome oblíquo átono, o correto é a ênclise (=passou-se).

    C) Mas ainda não olhava-me → INCORRETO. Temos o advérbio de negação "não" sendo fator e próclise, fator de atração do pronome oblíquo átono (=não me olhava).

    D) Frequentemente deparei-me com essa fome… → INCORRETO. Temos o advérbio "frequentemente" sendo fator e próclise, fator de atração do pronome oblíquo átono (=frequentemente me deparei).

    E) O menino leu-me muito antes de eu a ele… → CORRETO. Temos um caso facultativo de colocação pronominal, sujeito explícito sem qualquer palavra atrativa. Pode ocorrer a próclise (=antes do verbo: me leu) OU a ênclise (=após o verbo: leu-me).

    ☛ FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

  • Bota uma difícil , essa já foi

  • GABARITO: E

    A próclise ocorre quando o pronome oblíquo aparece antes do verbo. Sempre preste atenção nas palavras que atraem a próclise (pronome antes do verbo). Para não confundir com a ênclise (pronome vem depois do verbo), pense que quando for Próclise, o pronome deve vir Primeiro e a Ênclise vem em sEgundo.

    Para que ela se torne obrigatória, existem as palavras atrativas de próclise, quais sejam:

    > Advérbios, pronomes indefinidos, demonstrativos e relativos; conjunção subordinativa; frases exclamativas e interrogativas; expressão de desejo; verbo no gerúndio precedido de outra oração.

    *Lembrando que jamais se inicia oração com pronomes oblíquos.

    Não pare até que tenha terminado aquilo que começou. - Baltasar Gracián.

    -Tu não pode desistir.

  • que pegadinha, fiquei preocupado entre (eu e ele...) e assinalei errado tsc tsc....

  • GABARITO: LETRA E

    ACRESCENTANDO:

    Próclise (antes do verbo): A pessoa não se feriu.

    Ênclise (depois do verbo): A pessoa feriu-se.

    Mesóclise (no meio do verbo): A pessoa ferir-se-á.

    Próclise é a colocação do pronome oblíquo átono antes do verbo (PRO = antes)

    Palavras que atraem o pronome (obrigam próclise):

    -Palavras de sentido negativo: Você NEM se preocupou.

    -Advérbios: AQUI se lava roupa.

    -Pronomes indefinidos: ALGUÉM me telefonou.

    -Pronomes interrogativos: QUE me falta acontecer?

    -Pronomes relativos: A pessoa QUE te falou isso.

    -Pronomes demonstrativos neutros: ISSO o comoveu demais.

    -Conjunções subordinativas: Chamava pelos nomes, CONFORME se lembrava.

     

    **NÃO SE INICIA FRASE COM PRÓCLISE!!!  “Me dê uma carona” = tá errado!!!

     

    Mesóclise, embora não seja muito usual, somente ocorre com os verbos conjugados no futuro do presente e do pretérito. É a colocação do pronome oblíquo átono no "meio" da palavra. (MESO = meio)

     Comemorar-se-ia o aniversário se todos estivessem presentes.

    Planejar-se-ão todos os gastos referentes a este ano. 

    Ênclise tem incidência nos seguintes casos: 

    - Em frase iniciada por verbo, desde que não esteja no futuro:

    Vou dizer-lhe que estou muito feliz.

    Pretendeu-se desvendar todo aquele mistério. 

    - Nas orações reduzidas de infinitivo:

    Convém contar-lhe tudo sobre o acontecido. 

    - Nas orações reduzidas de gerúndio:

    O diretor apareceu avisando-lhe sobre o início das avaliações. 

    - Nas frases imperativas afirmativas:

    Senhor, atenda-me, por favor!

    FONTE: QC

  • A questão requer conhecimento sobre Sintaxe de Colocação Pronominal.


    POSIÇÃO DOS PRONOMES ÁTONOS EM RELAÇÃO AOS VERBOS:

     

    1. PRÓCLISE – quando o pronome átono vem antes do verbo.

    2. ÊNCLISE - quando o pronome átono vem após do verbo.

    3. MESÓCLISE - quando o pronome átono vem no meio do verbo.


    ALTERNATIVA (A) INCORRETA – Há erro em relação à colocação pronominal por dois motivos: não se põe pronome átono após os verbos conjugados no futuro do presente e futuro do pretérito; a palavra “que" é pronome relativo, por isso, o pronome átono deve ficar antes do verbo, e não após.


    ALTERNATIVA (B) INCORRETA – Não se deve começar frase nem período com pronome átono.


    ALTERNATIVA (C) INCORRETA – Quando houver um advérbio sem pausa, por exemplo, advérbio de negação “não", o pronome átono deve vir antes do verbo, e não após.


    ALTERNATIVA (D) INCORRETA – A palavra “frequentemente" é advérbio, portanto o pronome átono deve vir antes do verbo, e não após.


    ALTERNATIVA (E) CORRETA – Quando houver um sujeito explícito antes do verbo sem uma palavra atrativa, o pronome átono pode proclítico (antes do verbo) ou enclítico (após o verbo).


    GABARITO DA PROFESSORA: ALTERNATIVA (E)

  • A questão requer conhecimento sobre Sintaxe da Colocação Pronominal.


    POSIÇÃO DOS PRONOMES ÁTONOS EM RELAÇÃO AOS VERBOS:

     

    1. PRÓCLISE – quando o pronome átono vem antes do verbo.

    2. ÊNCLISE - quando o pronome átono vem após do verbo.

    3. MESÓCLISE - quando o pronome átono vem no meio do verbo.


    ALTERNATIVA (A) INCORRETA – Há erro em relação à colocação pronominal por dois motivos: não se põe pronome átono após os verbos conjugados no futuro do presente e futuro do pretérito; a palavra “que” é pronome relativo, por isso, o pronome átono deve ficar antes do verbo, e não após.


    ALTERNATIVA (B) INCORRETA – Não se deve começar frase nem período com pronome átono.


    ALTERNATIVA (C) INCORRETA – Quando houver um advérbio sem pausa, por exemplo, advérbio de negação “não”, o pronome átono deve vir antes do verbo, e não após.


    ALTERNATIVA (D) INCORRETA – A palavra “frequentemente” é advérbio, portanto o pronome átono deve vir antes do verbo, e não após.


    ALTERNATIVA (E) CORRETA – Quando houver um sujeito explícito antes do verbo sem uma palavra atrativa, o pronome átono pode proclítico (antes do verbo) ou enclítico (após o verbo).


    GABARITO DA PROFESSORA: ALTERNATIVA (E)

  • A questão requer conhecimento sobre Sintaxe da Colocação Pronominal.


    POSIÇÃO DOS PRONOMES ÁTONOS EM RELAÇÃO AOS VERBOS:

     

    1. PRÓCLISE – quando o pronome átono vem antes do verbo.

    2. ÊNCLISE - quando o pronome átono vem após do verbo.

    3. MESÓCLISE - quando o pronome átono vem no meio do verbo.


    ALTERNATIVA (A) INCORRETA – Há erro em relação à colocação pronominal por dois motivos: não se põe pronome átono após os verbos conjugados no futuro do presente e futuro do pretérito; a palavra “que” é pronome relativo, por isso, o pronome átono deve ficar antes do verbo, e não após.


    ALTERNATIVA (B) INCORRETA – Não se deve começar frase nem período com pronome átono.


    ALTERNATIVA (C) INCORRETA – Quando houver um advérbio sem pausa, por exemplo, advérbio de negação “não”, o pronome átono deve vir antes do verbo, e não após.


    ALTERNATIVA (D) INCORRETA – A palavra “frequentemente” é advérbio, portanto o pronome átono deve vir antes do verbo, e não após.


    ALTERNATIVA (E) CORRETA – Quando houver um sujeito explícito antes do verbo sem uma palavra atrativa, o pronome átono pode proclítico (antes do verbo) ou enclítico (após o verbo).


    GABARITO DA PROFESSORA: ALTERNATIVA (E)

  • E

    MARQUEI A

  • Letra E

    Casos facultativos (podem assumir duas posições) de próclise ou ênclise:

    -Quando tem sujeito explícito.

    -Verbo no infinitivo.

    Próclise = Pronome antes do verbo.

    Ênclise = Pronome depois do verbo.

    Mesóclise = Pronome no meio do verbo.

    Fonte: Prof: Elias Santana, Gran Cursos.

  • GAB. E)

    O menino leu-me muito antes de eu a ele…

  • FUI EXCLUINDO TODAS rsrsrsrs

  • Apesar de ser correto, não é indicado próclise nos casos facultativos que possuem verbo monossilábico por causa da eufonia, por exemplo: " Eu a vi ontem" em vez de "Eu vi-a ontem".

  • Leu-me é o correto, no texto, a forma como foi empregada não está de acordo com a norma culta então?
  • A - Temos um caso de próclise obrigatória, visto que o pronome relativo "que" atrai o pronome oblíquo "nos". Logo, deveria ser "... o educador que nos levaria até....".

    B - Não se usa pronome oblíquo no início de frase, sempre se deve iniciar o período de forma enclítica (verbo+pronome), nesses casos.

    C - Este caso é de próclise obrigatória, por isso, o erro do item. O pronome "me" deveria acompanhar o advérbio de Negação "não"

    D - Estamos diante de um caso de próclise obrigatória, porque "advérbio atrai os pronomes oblíquos". A palavra "frequentemente" é um advérbio e, quando temos a apresentação do advérbio anterior ao verbo, o pronome que companha o verbo deve vir antes do verbo (PRÓCLISE).

    E - Na frase, temos hipótese de colocação pronominal facultativa, logo, pode-se colocar o pronome tanto proclítico (antes do verbo) como enclítico (frente ao verbo). Na alternativa, a questão está correta, pois está enclítico.

    Gabarito: letra E