SóProvas


ID
3577522
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Itápolis - SP
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Leia o texto “Carnes vivas”, de João Pereira Coutinho, e responda a questão.

      Tive uma infância de príncipe. Passei longas horas na rua, sem supervisão parental, a me aventurar. Isso na cidade.
      No campo, o cardápio era melhor. Parti o braço (uma vez) e o pulso (idem). Tudo porque teimava em subir nas árvores. E, por falar em árvores, cheguei a construir uma casa rudimentar no cimo de uma oliveira que aguentou apenas duas horas. Findas as duas horas, já eu estava no chão, com os joelhos em carne viva. 
      Às vezes pergunto o que aconteceria aos meus pais se o pequeno selvagem que fui reaparecesse agora. Provavelmente, seria exibido em uma jaula, como um King Kong pré- -púbere.
    “Minhas senhoras e meus senhores, vejam com os próprios olhos, uma criança que gosta de brincar!”
      Imagino a plateia, horrorizada, tapando os olhos dos filhos – ou, melhor ainda, ligando os tablets e anestesiando-os com a dose apropriada de pixels.
      E a minha mãe certamente estaria presa. Exagero? Não creio. Conta a “Economist” dessa semana que Debra Harrell, da Carolina do Sul, foi detida por deixar a filha de nove anos brincar no parque sem vigilância apurada.
   Engraçado. Na década de 1950, uma criança tinha cinco vezes mais possibilidades de morrer precocemente do que uma criança do século 21. Mas os pais da “baby-boom generation” deixavam as suas crianças à solta, talvez por entenderem que uma criança é uma criança. Esses pais não eram, como diz a revista, “pais-helicóptero”.
    Expressão feliz. Conheço vários casais que devotam aos filhos a mesma atenção obsessiva que um pesquisador dedica aos seus ratinhos de laboratório. Gostam de controlar tudo sobre os filhos. Como os helicópteros, estão constantemente a planar sobre a existência dos petizes.
    E quando finalmente descem a terra, é a desgraça: correm com eles para aulas de música, caratê, natação, matemática. No regresso a casa, é ver esses pequenos escravos, mortificados e exaustos, antes de se recolherem aos quartos.
   Não sei que tipo de crianças os “pais-helicóptero” estão a produzir. Deixo essas matérias para os especialistas. Digo apenas que a profusão de “pais-helicóptero” é uma brutal amputação da infância e da adolescência. Para além de corromper a relação entre pais e filhos.
    Sobre a amputação, não sei que adulto eu seria se nesses primeiros anos não houvesse a sensação de liberdade, mas também a percepção do risco, que me acompanhava todos os dias. Apesar dos ossos que quebrei, dores foram compensadas pela confiança que ganhei e pela intuição de que o mundo não é uma ameaça constante, povoado por sequestradores, pedófilos ou extraterrestres. 
    Mas os “pais-helicóptero” corrompem a relação essencial entre eles e os filhos. Anos atrás, o filósofo  Michael Sandel escreveu um ensaio contra o uso da engenharia genética para produzir descendências perfeitas. Dizia Sandel que se os pais pudessem manipular os fetos para terem superfilhos, estaria quebrada a qualidade essencial da parentalidade: o fato de amarmos os filhos incondicionalmente. Sejam ou não perfeitos.
    Igual raciocínio é aplicável aos “pais-helicóptero”: é natural desejar o melhor para os filhos. Porém não é natural ter com os filhos a mesma relação que existe entre um treinador e o seu atleta, como se a vida – acadêmica, pessoal, emocional – fosse uma mini-Olimpíada permanente.
    Na minha infância, as únicas medalhas que colecionei são as cicatrizes que trago no corpo. Não as troco por nada.
(Folha de S.Paulo, 29.07.2014. Adaptado)

Considere as expressões destacadas nas frases do texto.

I. E, por falar em árvores, cheguei a construir uma casa rudimentar no cimo de uma oliveira que aguentou apenas duas horas.
II. Às vezes pergunto o que aconteceria aos meus pais se o pequeno selvagem que fui reaparecesse agora.
III. Mas os pais da “baby-boom generation” deixavam as suas crianças à solta, talvez por entenderem que uma criança é uma criança.

De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as expressões destacadas estão substituídas, correta e respectivamente, pelos pronomes em: 

Alternativas
Comentários
  • Gabarito: B

     a) construí-la; lhes aconteceria; deixavam-as → INCORRETO. Em verbos terminados em som nasal, usa-se os pronomes oblíquos átonos -no(s), -na(s).
     b) construí-la; lhes aconteceria; deixavam-nas → CORRETO. 
     c) construir-lhe; os aconteceria; deixavam-nas → INCORRETO. Construir alguma coisa (=verbo transitivo direto). Pronome oblíquo átono "lhe" sendo usado incorretamente como objeto direto.
     d) construir-lhe; os aconteceria; deixavam-as → INCORRETO. Vide letra "c".
     e) construir-lhe; lhes aconteceria; deixavam-nas → INCORRETO. Vide letra "c".

    ➥ FORÇA, GUERREIROS(AS)!!

  • Assertiva b

    construí-la; lhes aconteceria; deixavam-nas.

  • GABARITO: B

    As formas 'o, a, os, as' sofrem modificações dependendo da terminação do verbo que acompanham:

    > Quando o verbo terminar em RS ou Z, ficarão LO, LALOSLAS.

    > Quando o verbo terminar em som nasal, ficarão NONA, NOSNAS.

    Não pare até que tenha terminado aquilo que começou. - Baltasar Gracián.

    -Tu não pode desistir.

  • ☠️O(s), A(s)- Substituem objetos diretos

    ☠️No (s) , Na(s)- Substituem objetos diretos - Usamos quando os verbos terminam em som nasal.

    Comparam a casa- Compraram-na (..)

    ☠️Lo (s), La (s) - Substituem objetos indiretos - Usamos quando os verbos terminam em R, S,Z

    Fiz a lição. Fiz-la , Quis a moça. Qui-la (..)

    Bons estudos!

  • MACETE PRA GALERA QUE TEM DIFICULDADE COM USO DO " LHE " :

    O LHE É USADO EM TRÊS OCASIÕES, COMO : ADJUNTO AD. / OBJETO IND. / COMPLEM. NOMINAL

    ADJUNTO ADNOMINAL ---- > LHE TEM IDEIA DE POSSE, SUBSTITUA POR ( SEU, SUA, DELE , DELA)

    ( DOÍA-LHE O CORPO) ------ > ( SEU CORPO DOÍA)

    OBJETO INDIRETO ----- > LHE USADO EM VERBOS (VTI / VTDI) , SUBSTITUA POR ( A VOCÊ, A ELE, A ELA)

    ( A REPOSTA QUE LHE DARIA SERIA INCOERENTE) ----> ( A REPOSTA QUE DARIA A VOCÊ SERIA INCOERENTE)

    COMPLEM. NOMINAL --> LHE USADO DPS DE SUBST/ADJT/ADV, SUBSTITUA POR ( A VOCÊ, A ELA, A ELE)

    ( SEMPRE LHE FUI FIEL ) -----> ( SEMPRE FUI FIEL A VOCÊ )

  • -lhes para substituir o objeto indireto= aos

  • Alguém poderia me explicar pq ocorre próclise em "lhes aconteceria"? Muito Obrigada!!! ;)