SóProvas


ID
3780079
Banca
FCC
Órgão
RIOPRETOPREV
Ano
2019
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

[Aprendizes da alegria]


      Fico comovido toda vez que ouço o finalzinho da canção que o Chico Buarque escreveu para a filha recém-nascida, dizendo ser este o seu melhor desejo: “e que você seja da alegria sempre uma aprendiz”. Haverá coisa maior que se possa desejar?

      A felicidade é voltar a ser criança. As crianças sabem muito bem disto: que o propósito maior da vida é o prazer. Santo Agostinho, de ortodoxia inquestionável, também sabia disso, e dizia que as coisas da vida se dividem em duas classes: coisas para serem usadas e coisas para serem usufruídas. As coisas para serem usadas são aquelas que não são um fim em si mesmas, como uma panela, um violão, um serrote.

      Bom mesmo não é a panela, mas a moqueca que se cozinha nela. Moqueca é objeto de fruição; um pouquinho de felicidade. Bom mesmo não é o violão, mas a música que se toca nele. Pois a música é alegria, objeto de fruição. E bom mesmo não é o serrote, mas a casinha de boneca que se faz com ele, e que faz os olhos da menina brilharem. Felicidade são os olhos da menina...

      O objetivo do trabalho não é a simples função do que constrói: o objetivo do trabalho é o prazer do jardim que se planta, a casa que se constrói ou o livro que se escreve. Pensamos que a felicidade é coisa grande, barulhenta, talvez inalcançável... Ao contrário: é discreta, silenciosa e frágil, como uma bolha de sabão. Ela se vai muito rápido, mas deixa a lição de que se podem soprar muitas outras.

(Adaptado de: ALVES, Rubem. Tempus fugit. São Paulo: Paulus, 1990, p. 41-43, passim) 

Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:

Alternativas
Comentários
  • Gabarito: B

     a) Supõem-se que as alegrias que sentimos derivam da propriedade de lhes aceitarmos como puras fruições que são → INCORRETO. Aceitarmos alguma coisa (=pronome oblíquo átono "lhes" sendo usado incorretamente como um objeto direto).
     b) Não é comum imaginar-se que a felicidade possa estar, discretamente, nas nossas pequenas e silenciosas alegrias → CORRETO.
     c) Há ferramentas em cujo valor não se dá por si mesmas, mas sim, pelo prazer que se pode proporcionar na medida do seu uso → INCORRETO. Nenhum termo rege a preposição "em", seu uso está incorreta, o correto é somente a presença do pronome relativo "cujo".
     d) Sempre haverão os que dizem ser a felicidade um acúmulo máximo dos sentimentos que nos cabem usufruí-los → INCORRETO. Verbo "haver" com sentido de "existir" é impessoal, deve-se manter no singular (=sempre haverá).
     e) Ao proclamar Chico Buarque e Santo Agostinho, o autor lhes considerou na medida que partilham uma tese sobre a alegria comum a ambos → INCORRETO. Considerou alguém (=pronome oblíquo átono "lhes" sendo usado incorretamente como um objeto direto); o correto é "na medida em que" (=locução conjuntiva subordinativa causal). 

    ➥ FORÇA, GUERREIROS(AS)!!

  • Outra forma de encontrar o erro da letra A

    Supõem-se que as alegrias que sentimos derivam da propriedade de lhes aceitarmos como puras fruições que são.

    O correto seria no singular, Supõe isso -> Sujeito oracional

  • eu achei que o 'não' atraísse o 'se'

  • Palavra negativa não é fator de próclise?

  • Eu achei o a oração estranha (é comum imaginar-se) na alternativa b por isso a eliminei enfim...

  • GABA b)

    Não é comum imaginar-se que

    Não é comum se imaginar que

  • Verbo no infinitivo admite ênclise mesmo com palavra atrativa.

    @policia_nada_mais

    #PERTENCEREMOS

  • Verbo no infinitivo SEMPRE será fator de ênclise. É facultativo o uso qdo há palavras atrativas, porém as bancas, normalmente, trazem dessa forma para confundir os candidatos.