SóProvas


ID
3877579
Banca
FUMARC
Órgão
Prefeitura de Matozinhos - MG
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

DÉMODÉ*
Mário Viana

    Na próxima faxina, vai ser preciso empurrar para o fundo do armário os barquinhos de maionese, os picles espetados no repolho e as taças de coquetel de camarão. Com jeitinho, também cabem o bilboquê e o ioiô que apitava. É necessário espaço para acomodar tudo aquilo que sai de moda. Por exemplo: as expressões “com licença”, “por favor” e “obrigado” estão, todas, caindo no mais completo desuso, feito uma calça de Tergal ou uma camisa Volta ao Mundo.
    Atualmente, gentileza só gera gentileza em fotinho de rede social. Na real, o que vale de verdade é a versão urbana da lei da selva. Incontáveis vezes, sou pego de surpresa na sala do cinema ou do teatro por uma pessoa plantada de pé, ao meu lado, esperando que eu abra caminho para sua passagem. Eu cedo e ela passa, sem emitir um som. Faz sentido: se não pede licença, a criatura não sabe agradecer. Nos ônibus e metrôs também há o bônus da mochila, cada vez maior e mais pesada. Deduzo que todas elas são recheadas de livros, cadernos, pares de tênis, roupa de frio, marmita, duas melancias, um bote inflável (nunca se sabe quando a chuva vem) e, desconfio ainda, o corpo embalsamado do bicho de estimação. Só isso explica a corcova sólida e intransponível que bloqueia corredores a qualquer hora do dia ou da noite. Nem adianta apelar para a antiga fórmula do “com licença”. Ela perdeu o significado.
    Outro item fadado à vala comum dos esquecidos é a letra R, usada no final de algumas palavras para significar o infinitivo de um verbo. Fazer, beijar, gostar, perder, seguir — você sabe que são verbos justamente por causa da última letra. Pois não é que as redes sociais, mancomunadas com a baixa qualidade do ensino, estão aniquilando a função do R? No Twitter, é um verdadeiro festival de “vou faze bolo pq o Zé vem me visita”.
    Para decifrar alguns posts — marcados também pela absoluta ausência de vírgulas, acentos e pontos —, é preciso anos de estágio nos livros de José Saramago e Valter Hugo Mãe. Apegar-se à ortografia tradicional é perda de tempo e beira a caretice reclamar. Uma vez, corrigi alguém no Twitter e fui espinafrado até a última geração. “O Twitter é meu e eu escrevo do jeito que quise” — sem o R, claro. Não se trata de ataque nostálgico. O tempo dos objetos passa, a língua tem lá sua dinâmica e até mesmo as fórmulas de etiqueta mudam conforme o tempo ou o lugar — até hoje, os chineses arrotam para mostrar que gostaram da refeição. Mas prefiro acreditar que um pouco de gentileza sem pedantismo nunca vai fazer mal a ninguém.
    Escrever certo deveria ser princípio fundamental para quem gosta de se comunicar. Ironicamente, nunca se escreveu tanto no mundo: nas ruas, salas de espera, ônibus, em qualquer lugar, há sempre alguém mandando um torpedo no seu smartphone do último tipo. Às vezes, chego ao fim do dia exausto de ter “conversado” com gente do mundo inteiro. Espantado, eu me dou conta de não ter aberto a boca. Foi tudo por escrito — e-mail, post, Twitter, torpedo. Se isso acontecer com você, faça como eu: cante alto, solte um palavrão, fale qualquer coisa sem sentido, principalmente se estiver sozinho em casa. Apenas ouça o som que sai da sua garganta. Impeça que sua voz, feia ou bonita, vire um item fora de moda.

Disponível em: https://vejasp.abril.com.br/cultura-lazer/cronica-demode-mario-viana/ Acesso em: 13 set. 2018. 

*Démodé: fora de moda

A posição do pronome oblíquo é facultativa em:

Alternativas
Comentários
  • na verdade esse comentário da Simone esta trocado

    palavras negativass e advérbios atrai o pronome sendo obrigatória a PRÓCLISE não a ênclise

    PRÓCLISE = PRIMEIRO O PRONOME depois o verbo

  • Espantado, eu me dou conta de não ter aberto a boca.”

    Com todo respeito, mas não merece prosperar a assertiva C). ( não quero desmerecer)

    O pronome "EU" não pode ser considerado fator de próclise.

    Baseado nas gramáticas que deixarei nas referências não leve isso para sua prova, porque não é fator atrativo.

    Na opinião deste nobre estudante da língua há duas possibilidades .

    A única coisa que encontrei foi isto, mas reitero não vejo como incorreta.

    "Eu me dedicarei aos estudos gramaticais quando...

    Eu me dedicaria aos estudos gramaticais se...

    Pode-se também utilizar mesóclise, mas não é aconselhável, por revelar-se pedante. Embora o pronome pessoal do caso reto não tenha força atrativa, é recomendável a próclise para evitar o preciosismo da mesóclise".

    Achou divergência ?

    Mande-me mensagem..

    PASCHOALIN, Maria Aparecida; SPADOTO, Neuza Terezinha. Gramática, Teoria e Exercícios. Editora FDT. São Paulo. 2006.

    CEREJA, William Roberto e MAGALHÃES, Thereza Cochar. Gramática Reflexiva. Texto, Semântica E Interação. Editora Atual. São Paulo. 2005.

  • verbo no infinitivo( terminado em ar,-er,-ir)= uso facultativo do pronome oblíquo.

    comunicar-se ou se comunicar. tanto faz....

  • A posição do pronome oblíquo átono (me, te, se, lhe, vos, o[s], a[s], etc.) pode ser distintamente três: próclise (antes do verbo. p.ex. não se realiza trabalho voluntário), mesóclise (entre o radical e a desinência verbal, p.ex. realizar-se-á trabalho voluntário) e ênclise (após o verbo, p.ex. realiza-se trabalho voluntário). 

    a) Não se trata de ataque nostálgico.”

    Incorreto. O advérbio "não" atrai o pronome para perto de si, em próclise, sendo esta a única colocação disponível;

    b) “Ironicamente, nunca se escreveu tanto no mundo: nas ruas, salas de espera, ônibus, em qualquer lugar [...].”

    Incorreto. O advérbio "nunca" atrai o pronome para perto de si, em próclise, sendo esta a única colocação disponível;

    c) “Espantado, eu me dou conta de não ter aberto a boca.”

    Correto. Na existência de sujeito expresso e diante da inexistência de circunstância que atraia o pronome, pode-se dispor este procliticamente ou encliticamente. Esta redação não lesiona a norma culta: "Espantado, eu dou-me conta (...)";

    d) “Escrever certo deveria ser princípio fundamental para quem gosta de se comunicar.”

    Correto. O pronome acha-se em próclise, mas é possível pospô-lo ao verbo, haja vista a boa recepção que tem o pronome átono após infinitivo.

    Gabarito da banca: Letra D

    Gabarito do monitor: Letras C e D

  • O PRONOME PESSOAL não pode de maneira alguma ser palavra atrativa. Esta banca é um pouco incoerente em suas questões.Somente pronomes indefinidos,interrogativos, relativos e demonstrativos podem atrair a próclise.Portanto, a questao C tambem é facultativo podendo ser usada tanto a enclise quanto a próclise.

    Assistam à aula da professora Adriana Figueiredo sobre o assunto.(Ela esclarece sobre isso).

  • LETRA "C" ESTÁ CERTA TAMBÉM!!!

  • Simone, acredito que pronome pessoal não seja fator atrativo de próclise.

    A meu ver, a questão possui 2 gabaritos: letra C e D.

  • Qual o erro da C?

  • Gente, pronome pessoal do caso reto não é fator atrativo não, hein!

  • o erro da letra c- é que a fumarc trata diferente o caso de que após vírgula não é recomendável a próclise, mas ela trata como proibido.

  • Quando há um sujeito explícito com núcleo pronominal (pronome pessoal reto ou de tratamento) antes do verbo e sem palavra atrativa fica facultativo. Ex: Ele se retirou. / Ele retirou-se. Não entendi como essa alternativa estaria errada. Já a letra D também está correta, já que infinitivo não flexionado precedido de palavra atrativa ou das preposições ''para, em, por, sem, de, até, a'' pode usar ênclise ou próclise. É complicado, viu...

  • Infinitivo não flexionado precedido de ''palavras atrativas'' ou das preposições ''Para, por, em, sem, de, até, a'' fica facultativo a ênclise ou próclise.

  • No caso da letra D, o infinitivo aceita ênclise, desta forma a letra D é facultativa, ou eu já estou biruta de tanto estudar?

  • Gabarito: D

  • fui por eliminação: letra A e letra B, exigem próclise por possuírem palavras negativas na frente: não e nunca. a letra d: pode usar facultativamente porque a ênclise é também uma opção quando há verbo no infinitivo.

  • fui por eliminação: letra A e letra B, exigem próclise por possuírem palavras negativas na frente: não e nunca. a letra d: pode usar facultativamente porque a ênclise é também uma opção quando há verbo no infinitivo.

    a letra c, está incorreta porque com verbos monossilábicos, a eufonia ordena que se use a próclise, segundo bem nos lembra Manoel Pinto Ribeiro: “Eu vi ontem, e não Eu vi-a ontem.”

    sobrou a d.

  • A posição do pronome oblíquo átono (me, te, se, lhe, vos, o[s], a[s], etc.) pode ser distintamente três: próclise (antes do verbo. p.ex. não se realiza trabalho voluntário), mesóclise (entre o radical e a desinência verbal, p.ex. realizar-se-á trabalho voluntário) e ênclise (após o verbo, p.ex. realiza-se trabalho voluntário).

    a) Não se trata de ataque nostálgico.”

    Incorreto. O advérbio "não" atrai o pronome para perto de si, em próclise, sendo esta a única colocação disponível;

    b) “Ironicamente, nunca se escreveu tanto no mundo: nas ruas, salas de espera, ônibus, em qualquer lugar [...].”

    Incorreto. O advérbio "nunca" atrai o pronome para perto de si, em próclise, sendo esta a única colocação disponível;

    c) “Espantado, eu me dou conta de não ter aberto a boca.”

    Correto. Na existência de sujeito expresso e diante da inexistência de circunstância que atraia o pronome, pode-se dispor este procliticamente ou encliticamente. Esta redação não lesiona a norma culta: "Espantado, eu dou-me conta (...)";

    d) “Escrever certo deveria ser princípio fundamental para quem gosta de se comunicar.”

    Correto. O pronome acha-se em próclise, mas é possível pospô-lo ao verbo, haja vista a boa recepção que tem o pronome átono após infinitivo.

    Gabarito da banca: Letra D

    Gabarito do monitor: Letras C e D

    Fonte: QCONCURSOS

  • antes de "Eu" tem uma vírgula, por isso o pronome não pode dar vim antes do eu pq inside em regra de ênclise
  • A Priscila Penedo falou o que eu ia falar. O trecho que ela citou citando Manoel Pinto Ribeiro eu achei em A Gramática Para Concursos do Fernando Pestana (2015, p. 368):

    "Casos facultativos:

    Sujeito explícito com núcleo pronominal (pronome pessoal reto e de tratamento) antes do verbo sem palavra atrativa.

    Ele se retirou. / Ele retirou-se.

    Eu te considerarei. / Eu considerar-te-ei.

    Sua Excelência se queixou de você. / Sua Excelência queixou-se de você.

    Obs: Com verbos monossilábicos, a eufonia ordena que se use a próclise, segundo bem nos lembra Manoel Pinto Ribeiro: 'Eu a vi ontem, e não Eu vi-a ontem'."

  • Se caísse na pcmg, possivelmente, seria anulada.

  • Não achei nada que justifique erro da letra C no livro que uso para os estudos, mas a professora Cris Orzil deixa um dica na sua gramática que é a seguinte: "Quando não há uma regra rígida, nós, brasileiros, apresentamos uma tendência proclítica."

    De fato, isso ainda não justifica erro da letra C, mas vai pautar minhas resoluções para esta banca..

  • Com verbo infinitivo NÃO flexionado precedido de palavra negativa ou preposição, tanto faz a próclise ou a ênclise.

    EXEMPLOS:

    Vim para te apoiar.

    Vim para apoiar-te.

    Espero não o encontrar.

    Espero não encontrá-lo.

  • famosa questão que deveria ser anulada.