SóProvas


ID
3919471
Banca
SELECON
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2020
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Texto I

Publicidade de alimentos e obesidade infantil: uma reflexão necessária


    A epidemia de obesidade e doenças crônicas é um problema que atinge, de maneira crescente, o mundo inteiro. E tornou-se consenso entre as principais organizações e pesquisadores em saúde pública que a regulação da publicidade de alimentos é uma das estratégias necessárias para combatê-la. As campanhas de marketing não apenas influenciam as escolhas alimentares na infância, mas também buscam fidelizar consumidores desde a mais tenra idade. O objeto preferencial são os alimentos ultraprocessados, feitos a partir de ingredientes industriais, com pouco ou nenhum produto fresco, e, geralmente, com alta quantidade de açúcar, gordura e/ou sódio.

    Em 2010, a Organização Mundial da Saúde recomendou a redução da exposição das crianças à propaganda de alimentos, sobretudo aqueles com alta quantidade de açúcar, sal e gordura. Em 2012, a Organização Pan-Americana da Saúde aprofundouse no tema e também apresentou recomendações de ações concretas por parte dos governos para reduzir a exposição das crianças à publicidade de alimentos. Para especialistas, a autorregulamentação do setor não tem funcionado.

    A mais recente publicação sobre obesidade do periódico Lancet, divulgada em fevereiro deste ano, indica que, até o momento, as iniciativas de regulação da propaganda não foram suficientes. Desde os avanços conquistados na proteção da amamentação, com a eliminação de anúncios que apresentam substitutos do leite materno, poucas ações efetivas foram implementadas para frear o massivo marketing da indústria de alimentos para crianças em todo o mundo.

    No Brasil, apesar da proibição da publicidade abusiva (direcionada à criança) prevista no Código de Defesa do Consumidor (CDC) desde 1990, a falta de regulamentação específica para alimentos prejudica a efetivação da lei. Em 2010, a movimentação internacional em torno do tema motivou a elaboração da primeira regulação sobre publicidade de alimentos em geral, por parte da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A regulação, no entanto, foi suspensa logo após sua publicação, devido à pressão de diversas associações da indústria de alimentos. A Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL) contribuiu muito para a proteção ao aleitamento materno, porém aguarda regulamentação, desde 2006, o que compromete a fiscalização e o cumprimento da lei.

    Alguns avanços também precisam ser reconhecidos, como a Resolução 163/2014 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que regulamentou a propaganda abusiva, descrevendo todos os casos em que o Código do Consumidor deve ser aplicado. Porém, os órgãos de fiscalização ainda não possuem força suficiente para colocá-la em prática, também por conta da grande pressão das associações da indústria e de publicidade. Assim como na suspensão da resolução da Anvisa, esses segmentos fazem pressão contra a resolução do Conanda, alegando que esses órgãos não têm competência legal para regular a publicidade ou que as regras ferem a liberdade de expressão das empresas. Argumentos que já foram refutados por renomados juristas e contestados pelas evidências científicas na área da saúde pública.

    O novo Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde em 2014, reconhece a influência e coloca a publicidade de alimentos como um dos obstáculos para a alimentação saudável. O guia destaca que a regulação é necessária, pois a publicidade estimula o consumo de alimentos ultraprocessados, induzindo a população a considerá-los mais saudáveis, com qualidade superior aos demais, e frequentemente associá-los à imagem de bem-estar, felicidade e sucesso. 

    Independentemente do tipo de alimento, a propaganda direcionada a crianças se aproveita da vulnerabilidade de indivíduos em fase de desenvolvimento para incentivar o consumo. Por isso, não deve ser permitida. Ainda temos um longo caminho pela frente para alcançar a garantia dos direitos à alimentação adequada e saudável e os direitos dos consumidores. 

Ana Paula Bortoletto (https://epoca.globo.com/vida/noticia/2015/03/publicidade-de-alimentos-e-obesidade-infantil-buma-reflexao-necessariab.html) Adaptado.

“Por isso, não deve ser permitida” (7º parágrafo). O verbo sublinhado tem a função de:

Alternativas
Comentários
  •  Independentemente do tipo de alimento, a propaganda direcionada a crianças se aproveita da vulnerabilidade de indivíduos em fase de desenvolvimento para incentivar o consumo.isso nos remete a uma ação para o futuro.

  • Na visão deste humilde comentaristas

    não deve ser permitida.

    O verbo está no presente do indicativo...

    Usamos presente do indicativo para falar de uma ação que ocorre no momento da fala. Assim, ele permite situar o tempo presente indicando uma ação habitual, uma verdade ou características do sujeito. ..

    O q acham ?

  • Entendi que a frase tem o sentido de mostrar a necessidade de regulação da publicidade, para impedir que as crianças continuem tendo acesso a propagandas e, assim, não mais serem influenciadas. Por isso, o verbo destacado, na minha concepção, tem função de uma ação no presente, com a intenção de parar desde já.

    É uma ideia de injunção: A propaganda direcionada a crianças não deve ser permitida. = Isso deve parar.

    Alguém mais?

  • Eu interpretei da seguinte forma: no presente isso já acontece, não tem como voltar atrás, mas não deve ser mais permitido (no futuro).

  • Observei apenas o comando da questão, ela fala apenas no VERBO SUBLINHADO.

  • O Verbo indica uma ação no FUTURO.

    Porque NÃO É PRESENTE:

    Pelo contexto percebemos isso: há uma crítica da situação atual que permite publicidade voltada às crianças. Portanto a autora do texto sugere que isso não DEVE ser permitido mais.

    Isso é uma solução que AINDA não foi implementada, então não está no presente.

    É algo para o futuro. (não um futuro distante, e sim o mais breve possível, mas ainda assim é futuro)

  • Caracas, nem com bola de cristal acertaria isso. Essa questão não foi anulada?

    O QC tem que deixar gabarito comentado, poxaaa.

  • de fato não entendi. Verbo no presente com o principal no participi forma o tempo Pretérito Perfeito composto. Como isso pode indicar ação futura?
  • Na verdade, pra responder a questão é necessária a a interpretação do parágrafo.

  • O ponto dessa questão não é nem a classificação do verbo em si, mas a interpretação da ideia central do texto como um todo, haja vista que a publicidade desses alimentos já acontece, logo, deverá ser interrompida. Não há como voltar para o passado.

    GABARITO LETRA C

  • A questão quer saber qual valor semântico do verbo em destaque. Vejamos:

    “Por isso, não deve ser permitida”

     O presente do indicativo pode demandar presentes de vários tipos e um deles segundo Cunha é para marcar um fato próximo ao futuro. Vejam:

     ⇢ "Para marcar um fato futuro, mas próximo; caso em que, para impedir qualquer ambiguidade, se faz acompanhar geralmente de um adjunto adverbial: Amanhã mesmo vou para Belo Horizonte e lá pego o avião do Rio. (A. Callado, MC, 19.) Outro dia eu volto, talvez depois de amanhã, ou na primavera. (A. Bessa Luís, QR, 277.) "

     O verbo "deve" notifica algo que não pode acontecer em algum momento, portanto, indica ação futura, um presente próximo ao futuro.

    Referência bibliográfica: CUNHA, Celso, CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo [recurso eletrônico]. 7º. Ed Reimpr. — Rio de Janeiro: Lexikon, 2017.

    Gabarito do monitor: C

  • Não deve está escrita no sentido de não deverá.

  •  O verbo "deve" notifica algo que não pode acontecer em algum momento, portanto, indica ação futura, um presente próximo ao futuro.

  • Se Ler todo parágrafo do texto, a compreensão do sentido fica mais fácil.

  • Não entra na minha cabeça.

    Em 30/11/21 às 16:29, você respondeu a opção B.

    !

    Você errou!Em 22/11/21 às 08:22, você respondeu a opção B.

    !

    Você errou!Em 20/11/21 às 11:36, você respondeu a opção B.

    !

    Você errou!Em 03/10/21 às 21:14, você respondeu a opção B.

    !

    Você errou!

  • Como no comentário do professor: O verbo no presente serve também para um futuro próximo e para evitar ambiguidade utiliza-se um advérbio:

    "Daqui a pouco "pego" o ônibus"

    Tem mais a ver com interpretação que gramática.

  • A questão quer saber qual valor semântico do verbo em destaque. Vejamos:

    “Por isso, não deve ser permitida”

     O presente do indicativo pode demandar presentes de vários tipos e um deles segundo Cunha é para marcar um fato próximo ao futuro. Vejam:

     ⇢ "Para marcar um fato futuro, mas próximo; caso em que, para impedir qualquer ambiguidade, se faz acompanhar geralmente de um adjunto adverbial: Amanhã mesmo vou para Belo Horizonte e lá pego o avião do Rio. (A. Callado, MC, 19.) Outro dia eu volto, talvez depois de amanhã, ou na primavera. (A. Bessa Luís, QR, 277.) "

     O verbo "deve" notifica algo que não pode acontecer em algum momento, portanto, indica ação futura, um presente próximo ao futuro.

    Referência bibliográfica: CUNHA, Celso, CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo [recurso eletrônico]. 7º. Ed Reimpr. — Rio de Janeiro: Lexikon, 2017.

    Gabarito do monitor: C

  • Justificativa:

    Para Cunha & Cintra (1985:438), o presente pode apontar um fato futuro, de realização próxima, acompanhado de um advérbio para não haver ambigüidades: Amanhã não saio de casa e faço o trabalho.

    O uso do presente do indicativo como forma de expressar o futuro, ao contrário, é bastante comentado pelas gramáticas. Said Ali (1964:161) declara que o tempo presente também designa um ato que terá realização próxima, quando o verbo tem valor de presente-futuro: Amanhã não saio de casa.

    Fonte: GIBBON, ADRIANA DE OLIVEIRA. A EXPRESSÃO DO TEMPO FUTURO NA LÍNGUA FALADA DE FLORIANÓPOLIS: gramaticalização e variação. FLORIANÓPOLIS, 2000.

    “Por isso, não deve ser permitida”

    Contexto: As regulamentações devem ser implementadas. Proibindo, portanto, as propagandas direcionadas às crianças.

    Observe que o tempo futuro está explícito.

    :)