A regência verbal trata da transitividade de verbo, que pode ser intransitivo (dispensa complementos verbais), transitivo direto (requer complemento verbal direto), transitivo indireto (requer complemento verbal indireto) ou ainda bitransitivo (requer concomitantemente um complemento verbal direto e outro indireto). Nestas duas últimas, o verbo reclama preposição (a, de, em, por, sobre, etc.)
VTI: Verbo Transitivo Indireto
VTDI: Verbo Transitivo Direto e Indireto
I – Essa turma custou a aceitar o destino da viagem de formatura.
Incorreto. O sentido do verbo é o de "ter dificuldade, trabalho" e comporta-se como VTI, regendo, de maneira vulgar e popular, preposição "a" antes de infinitivo. É relevantíssima a retificação: consoante Celso Pedro Luft, em Dicionário Prático de Regência Verbal, p.160, a construção da frase em tela (alguém custa + a + infinitivo) é inovação sintática brasileira ainda não acolhida por gramáticos e não bem-vista em contexto formal, embora excedam em nossa literatura exemplos que vão de encontro a eles:
I - "Seixas custou a conter-se." (José de Alencar)
II - "...as moças custavam a se separar." (Clarice Lispector)
III - "Custas a vir e, quando vens, não te demoras." (Cecília Meireles)
Na estrutura "custar-lhe + infinitivo", isto é, com VTI, a oração infinitiva é o sujeito — e por essa mesma razão é repelida a preposição "a". Esta é redação correta: "Custou a essa turma aceitar (...)"
II – Custou a essa turma aceitar o destino da viagem de formatura.
Correto. O sentido do verbo é o de "ter dificuldade, trabalho" e comporta-se como VTI, regendo preposição "a".
Na estrutura "custar-lhe + infinitivo", isto é, com VTI, a oração infinitiva é o sujeito — e por essa mesma razão é repelida a preposição "a".
III – Para o cardápio, preferimos peixe a carne vermelha.
Correto. O verbo "preferir", quando coteja, compara dois elementos, é VTDI e rege preposição "a". A construção "do que" e intensificadores do tipo "mais", "muito mais", recorrentemente acompanhantes, ferem a norma culta. É oportuno observar que o objeto direto (peixe) não está determinado por artigo "o". Sendo assim, o objeto indireto (carne vermelha) também não está em respeito ao paralelismo. Por isso não se marca o fenômeno crásico;
IV – Para o cardápio, preferimos o peixe à carne vermelha.
Correto. O verbo "preferir", quando coteja, compara dois elementos, é VTDI e rege preposição "a". A construção "do que" e intensificadores do tipo "mais", "muito mais", recorrentemente acompanhantes, ferem a norma culta. Note que aqui, diferentemente do que ocorre no item III, o objeto direto (peixe) se apresenta determinado, de modo que o objeto indireto (carne vermelha) também aparece, resultando, portanto, na crase.
Letra C