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ID
4132954
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
HUB
Ano
2010
Provas
Disciplina
Farmácia
Assuntos

O sistema nervoso autônomo atua na manutenção da homeostase dos indivíduos, e as drogas que atuam direta ou indiretamente sobre esse sistema têm grande importância clínica, uma vez que são capazes de interferir em funções que estão fora do controle voluntário do indivíduo. A respeito do sistema nervoso autônomo e das drogas capazes de interferir na sua atuação, julgue o item a seguir.


Em doses baixas, tanto a atropina como o metonitrato de atropina causam bradicardia paradoxal em seres humanos, provavelmente em decorrência da sua ação no sistema nervoso central.

Alternativas
Comentários
  • A atropina é um antagonista muscarínico (SNP) e atua em receptores M2 (inibitórios) no músculo cardíaco, aumentando a frequência cardíaca e contratilidade. Ela é muito utilizada para reverter efeitos muscarínicos.

  • A atropina pode agir no SNC em altas concentrações.
  • A bradicardia paradoxal é um efeito adverso esperado da atropina, no entanto o mecanismo proposto para esta ação, em baixas doses, é um efeito agonista colinérgico periférico, que é mascarado pelo efeito antimuscarínico com doses maiores.

  • ERRADO

    A atropina é um alcaloide com propriedades antimuscarínicas encontrada na planta Atropa beladona (também chamada de beladona e erva-moura), sendo amplamente utilizada para a redução das respostas parassimpáticas. A atropina exerce um efeito parassimpatolítico por meio do bloqueio reversível dos receptores muscarínicos das terminações nervosas parassimpáticas. Destaca-se que esse alcaloide é utilizado para o tratamento de intoxicação por inseticidas, incontinência urinária, Doença de Parkinson, além de distúrbios oftalmológicos, respiratórios e cardiovasculares. Também faz parte da rotina pré-operatória, uma vez que reduz as secreções das vias respiratórias, e da rotina dos exames oftalmológicos, já que a midríase facilita o exame oftalmoscópico.

    A ação da atropina se baseia no bloqueio reversível dos receptores muscarínicos (m1, m2, m3, m4 e m5), competindo com a acetilcolina e os colinomiméticos pelo sítio de ligação. Ressalta-se que é um bloqueio superável, isto é, o aumento da concentração dos colinomiméticos consegue superar a ação do alcaloide antimuscarínico.

    Ação cardiovascular: o bloqueio dos receptores m2 na musculatura cardíaca permite um aumento da força de contratilidade e da frequência cardíaca. Esse último efeito também é favorecido pelo bloqueio dos receptores m1 pré-juncionais do nodo sinoatrial, provocando uma leve taquicardia.

    Ação no Sistema Nervoso Central (SNC): nas doses comumente usadas, apresentam efeito mínimo, agindo, sobretudo, nos receptores m1, m4 e m5 dos centros bulbares parassimpáticos. É válido mencionar que a atropina foi um dos primeiros fármacos utilizados para o tratamento da Doença de Parkinson – o déficit dopaminérgico provocado pela depleção do sistema estriado dos gânglios basais provoca um excesso relativo da ação colinérgica, a qual pode ser reduzida pelo bloqueio dos receptores ao administrar esse alcaloide.

    FONTE: https://www.sanarmed.com/resumo-atropina-ligas