SóProvas


ID
4832662
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MJSP
Ano
2020
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Posfácio do livro Rio em Shamas (2016), de Anderson França, Dinho
Rafael Dragaud 

    NÃO PIRA! Foi com esse conselho, há cerca de seis anos, que começou minha história com o Dinho. Colaborávamos na mesma instituição social e vez ou outra nos esbarrávamos numa reunião, ele sempre ostensivamente calado. Por algum motivo da ordem do encosto, no sentido macumbeirístico mesmo, ou cumplicidade de gordos, vimos um no outro um elo possível de troca.
    Ele então começou a me enviar milhões de textos que eram uma mistura frenética de sonhos, pseudorroteiros cinematográficos, pedidos de desculpas, posts-denúncias, listas de exigências de sequestrador, tudo num fluxo insano de criação, que ele mesmo dizia que um dia iria sufocá-lo de vez — o que me fez proferir o dito conselho.
    O fato é que um dia passei em frente ao notebook dele e lá estava a tela quase inteiramente coberta de post-its, todos iguais, escritos: NÃO PIRA. E ele então me confidenciou: Cara, você resolveu minha vida. Eu só não posso pirar! É isso!
    Esse episódio obviamente fala muito mais sobre essa característica de esponja afetointelectual dele do que sobre alguma qualidade do meu conselho. E foi sendo assim, esponja que se enche e se comprime (deixando desaguar seus textos em redes sociais), que foi surgindo um escritor muito especial. Especial não pra mãe dele ou pra Su (a santa), mas para a cidade do Rio de Janeiro.
    Com uma voz e um estilo absolutamente singulares, Dinho flerta com a narrativa do fluxo do pensamento, o que poderia gerar textos apenas egoicos e herméticos, eventualmente mais valiosos pra ele do que para o leitor. Mas sei lá como, seus textos conciliam esse jeitão com uma relevância quase política, pois jogam luz sobre partes da cidade que merecem ser mais vistas, mais percebidas, e até mesmo mais problematizadas.
    Dinho “vê coisas”. E, consequentemente, tem o que dizer. Não só sobre o subúrbio, suas ruas, seus personagens e seus modos, numa linhagem Antônio Maria ou João do Rio, mas muitas vezes também sobre bairros já enjoativos, de tão submersos em clichês, como o tão adorado-odiado Leblon. Seu “olhar de estrangeiro” revela estranhas entranhas da Zona Sul do Rio de Janeiro. O fato é que, com este livro, a cidade fica muito maior, mais plural e consequentemente mais justa.
    Espero que este seja apenas o primeiro de uma série. Se é que posso dar mais algum conselho, o único que me ocorre ao vê-lo escrevendo hoje em dia é: NÃO PARE!

FRANÇA, Anderson. Rio em Shamas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2016.

Assinale a alternativa que apresenta a figura de linguagem hipérbole, caracterizada pelo exagero.

Alternativas
Comentários
  • GABARITO - B

    Ele então começou a me enviar milhões de textos [...]”.

    Hipérbole é exagero.

  • Exagero provocado

    > "Ninguém enviar milhões de mensagens".

  • GAB:B

    HIPÉRBOLE: É UM EXAGERO DE EXPRESSÃO.

    EX: MORRER DE FOME, CHORAR UM RIO DE LÁGRIMAS, TRABALHAR ATÉ DESMAIAR...

  • O Cientista de Dados deve ser quem envia as tais milhões de mensagens.

  • Assertiva B

    a figura de linguagem hipérbole = “Ele então começou a me enviar milhões de textos [...]”.

  • A banca foi bem camarada com aquele que não sabia o que se tratava de hipérbole. Com a expressão “exagero” do enunciado já matava a questão.

  • GAB D

    Hipérbole: expressão de exagero usada para dar ênfase em alguma informação.

    Exemplo: Fui à sua casa milhões de vezes, mas você nunca está lá!

  • Gab: B

    Esse tipo de questão é fácil de identificar. "Hipérbole" se basear no exagero.

  • LETRA B

  • Foco na Missão Guerreiros, que aprovação é certa!

  • Nunca esqueço, hipérbole é meu irmão, ôh cabra exagerado..

    Já mandei entrar mil vezes, mãe.

  • Hipérbole: 

    É a expressão intencionalmente exagerada com o intuito de realçar uma ideia.

    Faria isso milhões de vezes se fosse preciso. 

    Rios te correrão dos olhos, se chorares.

    O concurseiro quase morre de tanto estudar!

  • GABARITO: LETRA B

    Na língua portuguesa, a Hipérbole é uma figura de linguagem, mais precisamente uma figura de pensamento, a qual indica o exagero intencional do enunciador.

    Em outras palavras, a hipérbole é um recurso muito utilizado, inclusive na linguagem do dia a dia, a qual expressa uma ideia exagerada ou intensificada de algo ou alguém, por exemplo: "Estou morrendo de sede".

    Note que o "contrário" da hipérbole, é a figura de pensamento denominada eufemismo, posto que ele suaviza ou ameniza as expressões, enquanto a hipérbole as intensifica.

    FONTE: https://www.todamateria.com.br/hiperbole/

  • Êta, que a banca entregou a questão.

  • hipérbole= é uma forma exagerada de se expressa

    ex: chorei rios de lágrimas

    glória a DEUS!

  • a banca foi camarada, hehehe
  • teve nem graça responder..kkk. na D, esponja que se enche e se comprime, pode-se caracterizar como uma analogia: relação de semelhança entre coisas ou fatos distintos.

  • Sem hipérbole, essa foi pra não zerar rs

  • Quero ver se falasse que queria apenas hipérbole, sem explicar o que era...muitos errariam, inclusive eu kkkkkkk

  • Hipérbole Exagero em uma ideia/sentença.

    Ex: Eu já te falei um milhão de vezes que eu não gosto disso.

    Ex: Estou morrendo de sede.

    Gabarito: B

  • GABARITO: B

    A Hipérbole ou Auxese é uma figura de linguagem, mais precisamente uma figura de pensamento, a qual indica o exagero intencional do enunciador.

    Ex: Se eu souber que você errou o caminho, eu te mato.

    Tentei falar com ela bilhões de vezes durante a semana.

    Ele demorou um século para chegar aqui.

    Fonte: https://www.todamateria.com.br/hiperbole/

  • Não confundir Hipérbole com hipérbato.

    Hipérbole - FIGURA DE PENSAMENTO; Basicamente é um exagero intencional com finalidade enfática.

    Hipérbato - FIGURA DE CONSTRUÇÃO ou SINTAXE; É a inversão da ordem direta dos termos da frase