SóProvas


ID
4901263
Banca
FUMARC
Órgão
Câmara de Igarapé - MG
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

PAIS, FILHOS E BOAS MANEIRAS
Luiz Caversan

     Dia desses enfrentei um estresse típico de grande cidade, mas que acabou por oferecer bons momentos de reflexão.
    Tarde da noite, estava ao volante subindo uma alça de um dos muitos viadutos de São Paulo, quando, no final da curva, vejo um veículo que, ao tentar desviar de outro, quebrado, empreendia uma manobra arriscada na pista.
    Não deu outra: os freios e a mudança brusca de direção foram insuficientes para evitar o impacto.
    Felizmente, apenas danos materiais, tanto no meu veículo quanto no outro, de onde logo saíram dois jovens na casa dos vinte e tantos anos, um deles, o motorista, bem nervosinho.
    "Está tudo bem aí?", perguntei.
    "Claro que não, seu barbeiro, olha o que você fez no meu carro."
    Ainda bem que, em sua grosseria, o rapaz não me chamou de tio, porque aí soaria mais ofensivo...De qualquer maneira, tentei acalmá-lo, dizendo que ele estava numa manobra arriscada e que eu de fato não consegui parar.
    Foi a conta para que ele quisesse partir pra ignorância. Mas outros carros e motoristas já estavam atulhados na pista, e pessoas mais equilibradas impediram que o rapaz cometesse alguma impropriedade.
    "Ok, vamos chamar a polícia", disse eu, já que o caminho da conversa civilizada estava fatalmente obstruído.
    "Isso mesmo!", gritou o rapaz. "Vamos chamar a polícia, porque você não sabe com quem está falando!"
    Pronto, estava armado o circo.
    O menino tinha as "costas quentes" e estava ali louco para exercer o seu poder.    
    "E porventura com quem eu estou falando?" "Meu pai é coronel da PM e vai resolver rapidinho isso aqui. Você vai se dar mal..."
    Bem, para encurtar a história, logo chegou uma viatura com dois policiais, que educadamente vieram ouvir minha versão e, em seguida, foram conversar com o rapaz, que não titubeou em dar ordens, exigindo que eles me inculpassem e, pelo rádio, localizassem o tal coronel.
    Ficamos nessa lengalenga durante uns 40 minutos, os PMs já pelas tampas com o garoto, até que desce de um automóvel um senhor grisalho, magro e que calmamente olhou os dois carros batidos. Foi logo assediado pelo nervosinho que, gesticulando muito, começou a esbravejar. Mas logo se viu contido por um indiscutível "cala boca" do pai-coronel.
    Em seguida, o senhor sacou sua identificação funcional e foi conversar com os policiais, que bateram continência e relataram a situação e as atitudes do filho. Menos de cinco minutos depois, ele dirigiu-se a mim educadamente e com ar grave e ligeiramente envergonhado, disse: "Eu peço sinceramente que o senhor desculpe as atitudes do meu filho. Em nossa família, não toleramos esse tipo de comportamento e ele vai se haver comigo. Eis meu cartão, o sr. providencie o conserto do seu carro e me mande a conta, por gentileza."
    Imediatamente ele chamou o filho num canto e passou uma descompostura tão grande, mas tão grande no rapaz que deu até pena. Não alterou a voz, não fez gestos bruscos, apenas exerceu, como se deve, o papel, o direito e o dever de pai de um jovem abusado, colocando-o em seu devido lugar.
    Ainda bem que ainda há cidadãos como o coronel da outra noite.

Disponível em: www1.folha.uol.com.br/colunas/luizcaversan/310088-pais-filhos-e-boasmaneiras.shtml (Adaptado) Acesso em: 27 ago. 2016.
    

Os termos entre parênteses exercem a função de sujeito dos verbos destacados, EXCETO em:

Alternativas
Comentários
  • D) “Em nossa família não toleramos esse tipo de comportamento [...].” (Em nossa família)

    → A expressão em nossa família exerce função de adjunto adverbial o sujeito está oculto.

    GABARITO. D

  • (gab D)

    “Em nossa família não toleramos esse tipo de comportamento [...].” (Em nossa família) aqui temos um sujeito oculto desinencial, "nós". "Nós não toleramos esse tipo de comportamento."

  • Aos nobres colegas. O termo "Em nossa família" não deveria ser isolado por vírgula, por ser um adjunto adverbial deslocado?

  • GABARITO D

    “Em nossa família não toleramos esse tipo de comportamento [...].” (Em nossa família)

    (NÓS ) Não toleramos esse tipo de comportamento.

    Não está expresso, mas pode ser representado por uma desinência verbal = Oculto.

    Bons estudos!

  • a) Meu pai é coronel da PM e vai resolver rapidinho isso aqui.” (Meu pai)

    Correto. É o segmento "meu pai" o sujeito do verbo "ser";

    b) “Imediatamente ele chamou o filho num canto [...].” (ele)

    Correto. O pronome "ele" é que pratica a ação do verbo "chamar";

    c) “Em seguida, o senhor sacou sua identificação funcional [...].” (o senhor)

    Correto. É o segmento "o senhor" quem pratica a ação do verbo "sacar";

    d) “Em nossa família não toleramos esse tipo de comportamento [...].” (Em nossa família)

    Incorreto. O segmento "em nossa família" é o adjunto adverbial. O sujeito do verbo "toleramos" está oculto: o pronome "nós".

    Letra D

  • Sujeito Oculto

    Gab : D

  • É só perceber na letra E que o termo está preposicionado e sujeito não pode ser preposicionado.

  • A questão exige conhecimento em sintaxe e quer saber qual assertiva indica incorretamente o sujeito entre parênteses. Vejamos:

    a) Correta.

    “Meu pai é coronel da PM e vai resolver rapidinho isso aqui.” (Meu pai)

    Quem é coronel da PM? Meu pai. Logo, é o sujeito do verbo "é".

    b) Correta.

    “Imediatamente ele chamou o filho num canto [...].” (ele)

    Quem chamou o filho num canto? Ele. Logo, é o sujeito do verbo "chamou".

    c) Correta.

    “Em seguida, o senhor sacou sua identificação funcional [...].” (o senhor)

    Quem sacou sua identidade funcional? O senhor. Logo, é o sujeito "sacou"

    d) Incorreta.

    “Em nossa família não toleramos esse tipo de comportamento [...].” (Em nossa família)

    Quem não tolera esse tipo de comportamento? Nós. Logo, é o sujeito do verbo "tolera". Esta assertiva está errada, pois diz que o sujeito é em nossa família, o que na verdade é um adjunto adverbial de lugar.

    Gabarito do monitor: D

  • GABARITO - Letra D

    Sujeito = Nós - Sujeito Oculto ( descoberto pela desinência verbal)

    Lembrar: SUJEITO NÃO PODE SER PREPOSICIONADO!!!!

  • Em nossa família não toleramos (nós)