SóProvas


ID
5256292
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PM-TO
Ano
2021
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Texto 1A1-I


    Apenas dez anos atrás, ainda havia em Nova York (onde moro) muitos espaços públicos mantidos coletivamente nos quais cidadãos demonstravam respeito pela comunidade ao poupá-la das suas intimidades banais. Há dez anos, o mundo não havia sido totalmente conquistado por essas pessoas que não param de tagarelar no celular. Telefones móveis ainda eram usados como sinal de ostentação ou para macaquear gente afluente. Afinal, a Nova York do final dos anos 90 do século passado testemunhava a transição inconsútil da cultura da nicotina para a cultura do celular. Num dia, o volume no bolso da camisa era o maço de cigarros; no dia seguinte, era um celular. Num dia, a garota bonitinha, vulnerável e desacompanhada ocupava as mãos, a boca e a atenção com um cigarro; no dia seguinte, ela as ocupava com uma conversa importante com uma pessoa que não era você. Num dia, viajantes acendiam o isqueiro assim que saíam do avião; no dia seguinte, eles logo acionavam o celular. O custo de um maço de cigarros por dia se transformou em contas mensais de centenas de dólares na operadora. A poluição atmosférica se transformou em poluição sonora. Embora o motivo da irritação tivesse mudado de uma hora para outra, o sofrimento da maioria contida, provocado por uma minoria compulsiva em restaurantes, aeroportos e outros espaços públicos, continuou estranhamente constante. Em 1998, não muito tempo depois que deixei de fumar, observava, sentado no metrô, as pessoas abrindo e fechando nervosamente seus celulares, mordiscando as anteninhas. Ou apenas os segurando como se fossem a mão de uma mãe, e eu quase sentia pena delas. Para mim, era difícil prever até onde chegaria essa tendência: Nova York queria verdadeiramente se tornar uma cidade de viciados em celulares deslizando pelas calçadas sob desagradáveis nuvenzinhas de vida privada, ou de alguma maneira iria prevalecer a noção de que deveria haver um pouco de autocontrole em público?


Jonathan Franzen. Como ficar sozinho. São Paulo:

Companhia das Letras, 2012, p. 17-18 (com adaptações).

Assinale a opção que apresenta um trecho do texto 1A1-I em que o autor emprega um verbo no presente do indicativo em referência a um hábito atual da sociedade.

Alternativas
Comentários
  • GABARITO - B

    param” foi empregado no presente histórico. Ou seja, faz referência a um hábito atual da sociedade.

  • " NÃO PARAM DE TAGARELAR NO CELULAR"

    Esse trecho indica um fato que ocorre no momento que se fala "presente indicativo"

  • Essa é uma questão bastante direta sobre verbo, já que o enunciado é bem claro e específico sobre o que ele exigia que o candidato encontrasse – um verbo no presente do indicativo referindo-se a um hábito atual da sociedade. Assim, vamos manter o foco nos verbos que aparecem nas alternativas, pois essa é uma forma simples de eliminar opções incorretas, já que nem sempre aparecerão verbos no presente e somente em uma alternativa haverá um verbo no presente remetendo especificamente a um hábito social atual.

     

    Começando pela letra A, “havia" está no pretérito imperfeito e “mantidos" é a forma nominal do verbo manter no particípio passado. Visto isso, já podemos eliminar essa opção.

     

    Na letra B, temos o verbo haver na forma “há". Aqui, o verbo está no presente do indicativo, porém ele está indicando tempo decorrido (“Há dez anos (...)") e não se referindo a um hábito da sociedade. Em seguida, temos “havia" no pretérito imperfeito, “conquistado" na forma nominal particípio passado do verbo conquistar e, por fim, temos o verbo parar. Este último, no entanto, está conjugado na terceira pessoa do plural no presente do indicativo e está se referindo justamente ao hábito atual que as pessoas têm de se comunicarem utilizando telefones celulares – no texto, usa-se o verbo tagarelar no infinitivo como forma de se referir a tal atitude de maneira pejorativa. Sendo assim, já encontramos aqui a alternativa correta.

     

    Partindo para a letra C, temos “se transformou" no pretérito perfeito. Já na opção D, tem-se observava, no pretérito imperfeito, a forma nominal “sentado", no particípio passado, e ainda as formas verbais “abrindo" e “fechando" no gerúndio.

     

    Por fim, na alternativa E, temos as locuções  verbais “iria prevalecer" e “deveria haver", nas quais os verbos auxiliares “ir" e “dever" estão conjugados no futuro do pretérito.

     

    Gabarito do Professor: Letra B.