SóProvas


ID
5575720
Banca
FCC
Órgão
TJ-SC
Ano
2021
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

A crônica em sua função

   A palavra crônica é conhecida e designa um gênero de texto. Vem por vezes acompanhada de adjetivo: política, esportiva, social, policial etc. Se vier desacompanhada de qualquer qualificativo, é porque ela serve a um cronista não especializado, um escritor de linguagem cativante que pode falar de qualquer coisa que desperte o interesse do leitor. Não há jornal ou revista que dispense esse tipo de cronista. Que função terá essa modalidade de crônica, livre que está para abordar não importa o que seja?
     Quando, ao ler um jornal, nos detemos nela, é porque sabemos que a mão do escritor, com leveza de estilo, com algum humor, com um mínimo de sabedoria e perspicácia, nos conduzirá por um texto que nos poupa da gravidade dos grandes assuntos da política ou da economia e chamará nossa atenção para algum assunto que, não sendo manchete, diz respeito à nossa vida pequenina, ao nosso cotidiano, aos nossos hábitos, aos nossos valores mais íntimos. Uma crônica pode falar de uma dor de dente, de um incidente na praia, de um caso de amor, de uma viagem, de um momento de tédio ou até mesmo da falta de assunto. O importante é que o cronista faça de seu texto um objeto hipnótico, do qual não se consegue tirar os olhos. Para isso, há que haver talento. 
    Entre nós, pontifica até hoje o nome do cronista Rubem Braga (1913-1990). É uma unanimidade: todos o consideram o maior de todos, o mestre do gênero. De fato, Rubem Braga cumpriu com excelência o alcance de um cronista: deu-nos poesia, reflexão, análise, lucidez, ironia, humor − tudo numa linguagem de exemplar clareza e densidade subjetiva. A crônica de Rubem Braga cumpriu à perfeição o papel fundamental desse gênero literário pouco homenageado. Nas palavras do crítico Antonio Candido, uma crônica “pega o miúdo da vida e mostra nele uma grandeza, uma beleza ou uma singularidade insuspeitadas. Isto acontece porque ela não tem a pretensão de durar, uma vez que é filha do jornal e da era da máquina, onde tudo acaba tão depressa”. O crítico não tem dúvida em considerar que as boas crônicas, “por serem leves e acessíveis talvez comuniquem, mais do que poderia fazer um estudo intencional, a visão humana do homem na sua vida de todo dia”. Não é pouca coisa. Vida longa aos bons cronistas. 
(Jeremias Salustiano, inédito)

Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: B

    Estas questões da FCC são bem difíceis. Eu as faço assim:

    ➥ Primeiro, observo o seu sentido do trecho da alternativa lá no texto. Beleza. E depois? Depois, observo a palavra e a correspondente dela que o examinador colocou. Vou eliminando as absurdas até ficar com uma. Se essa única alternativa passar a mesma ideia do texto, é o gabarito (pessoal, é a IDEIA do texto. O sentido que o texto traz. Às vezes as palavras não são sinônimas por natureza, mas, NO SENTIDO DO TEXTO, sim).

     

    Vamos lá:

    a) designa um gênero de texto (1º parágrafo) = arbitra um componente textual.  → Errado. Pessoal, no trecho, designar possui o sentido de caracterizar, ser algo: "a palavra crônica é conhecida e designa um gênero de texto" → "A palavra crônica é conhecida e caracteriza/é um gênero de texto". Na substituição proposta, o examinador colocou "arbitrar" no sentido de decidir, determinar (a crônica determina um componente textual). O sentido não é o mesmo e, portanto, a substituição não é equivalente.

     

    b) nos poupa da gravidade (2º parágrafo) = dispensa-nos da austeridade. → Correto.

    1- Se eu o poupar de algo,quer dizer que eu o dispensei de algo? Sim. Eu te poupei de ver a cena da novela, logo eu o dispensei de ver a cena da novela, certo? É o mesmo sentido.

    2- Se o assunto é grave (tem muita seriedade), quer dizer que ele é austero? Sim. Austero é o mesmo que rígido, grave, sóbrio, sério: meu avô é austero; seu estilo é austero (sóbrio); aquele professor é austero (rígido, sério). Portanto este é o nosso gabarito.

     

    c) diz respeito à nossa vida pequenina (2º parágrafo) = incita à pequenez do saber. → Errado. Pessoal, o que tem a ver a vida ser pequena com o saber ser pequeno? Nadinha de nada. Não são equivalentes, pelo contexto.

     

    d) há que haver talento (2º parágrafo) = dispor-se a valorizar, se possível. → Errado. O autor disse que, para fazer uma crônica, o cara precisa ter talento. Novamente, o que tem a ver com ele "se valorizar"?? Nada.

     

    e) cumpriu à perfeição o papel (3º parágrafo) = difundiu bem seu dom. → Errado. No trecho, o autor diz que a crônica do Rubem cumpriu com perfeição seu papel. Qual papel? De ser reflexiva, analítica etc. Isso não quer dizer que ela difundiu (espalhou) o seu dom por aí.

     

    Espero ter ajudado.

    Bons estudos! :)

  • Eu eliminei a letra B porque, na minha linha de raciocínio, o pronome relativo ''que'' tornaria impossível a ênclise ''nos'' em ''dispensa-nos''. Alguém pode me dizer se meu pensamento está certo?

  • @Britney,

    Acho que a questão não se voltava para o uso de colocação pronominal, mas apenas para sentido. Corrijam-me se eu estiver errado.