SóProvas


ID
1477813
Banca
FCC
Órgão
MANAUSPREV
Ano
2015
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

O primeiro... problema que as árvores parecem propor-nos é o de nos conformarmos com a sua mudez. Desejaríamos que falassem, como falam os animais, como falamos nós mesmos. Entretanto, elas e as pedras reservam-se o privilégio do silêncio, num mundo em que todos os seres têm pressa de se desnudar. Fiéis a si mesmas, decididas a guardar um silêncio que não está à mercê dos botânicos, procuram as árvores ignorar tudo de uma composição social que talvez se lhes afigure monstruosamente indiscreta, fundada que está na linguagem articulada, no jogo de transmissão do mais íntimo pelo mais coletivo.

Grave e solitário, o tronco vive num estado de impermeabilidade ao som, a que os humanos só atingem por alguns instantes e através da tragédia clássica. Não logramos comovê-lo, comunicar-lhe nossa intemperança. Então, incapazes de trazê-lo à nossa domesticidade, consideramo-lo um elemento da paisagem, e pintamo-lo. Ele pende, lápis ou óleo, de nossa parede, mas esse artifício não nos ilude, não incorpora a árvore à atmosfera de nossos cuidados. O fumo dos cigarros, subindo até o quadro, parece vagamente aborrecê-la, e certas árvores de Van Gogh, na sua crispação, têm algo de protesto.

De resto, o homem vai renunciando a esse processo de captura da árvore através da arte. Uma revista de vanguarda reúne algumas dessas representações, desde uma tapeçaria persa do século IV, onde aparece a palmeira heráldica, até Chirico, o criador da árvore genealógica do sonho, e dá a tudo isso o título: Decadência da Árvore. Vemos através desse documentário que num Claude Lorrain da Pinacoteca de Munique, Paisagem com Caça, a árvore colossal domina todo o quadro, e a confusão de homens, cães e animal acuado constitui um incidente mínimo, decorativo. Já em Picasso a árvore se torna raríssima, e a aventura humana seduz mais o pintor do que o fundo natural em que ela se desenvolve.

O que será talvez um traço da arte moderna, assinala- do por Apollinaire, ao escrever: "Os pintores, se ainda observam a natureza, já não a imitam, evitando cuidadosamente a reprodução de cenas naturais observadas ou reconstituídas pelo estudo... Se o fim da pintura continua a ser, como sempre foi, o prazer dos olhos, hoje pedimos ao amador que procure tirar dela um prazer diferente do proporcionado pelo espetáculo das coisas naturais". Renunciamos assim às árvores, ou nos permitimos fabricá-las à feição dos nossos sonhos, que elas, polidamente, se permitem ignorar.

(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. "A árvore e o homem", em Passeios na Ilha, Rio de Janeiro: José Olympio, 1975, p. 7-8)

Atente para as frases abaixo sobre a pontuação do texto.

I. No segmento ...genealógica do sonho, e dá a tudo isso o título... (3o parágrafo), a vírgula pode ser corretamente suprimida, uma vez que é seguida da conjunção aditiva "e".

II. No segmento ...nossa intemperança. Então, incapazes de trazê-lo... (2o parágrafo), o ponto final pode ser corretamente substituído por ponto e vírgula, feita a alteração entre maiúscula e minúscula.

III. No segmento ...seduz mais o pintor do que o fundo natural... (3o parágrafo), o acréscimo de uma vírgula imediatamente após "pintor" acarretaria a separação equivocada do verbo e seu complemento.

Está correto o que se afirma APENAS em

Alternativas
Comentários
  • Pessoal! vamos pedir o comentário do professor em todas as questões? assim melhoraremos nosso conhecimento...beleza?

  • Não entendi... Alguem me explica o motivo de somente a 2 estar correta?

  • caramba, acho que estou ficando burro...

    antes da conjunção aditiva "E" a regra diz que será facultativa (para dar ênfase ao texto).

  • Olá, boa tarde!

    Comentário em relação ao item III:

    Na frase III, temos a estrutura da comparação: "seduz mais o pintor do que o fundo natural".
    Nesse tipo de correlação entre oração principal / oração comparativa, não se usa vírgula.

    Crédito: Professor João Bolognesi.

    Obrigada, Natália.

  • I - Errado, pois a vírgula isola um aposto.

    II - Correto, ponto e vírgula significa uma pausa mais longa que somente a vírgula e mais curta que o ponto final.

    III - Errado, pois não está separando o verbo do seu complemento e sim uma situação comparativa.

  • I) vírgulas estão isolando um posto explicativo ( até Chirico, o criador da árvore genealógica do sonho, )explicando termo Chirico;

    II) PONTO E VÍRGULA separando orações coordenadas adversativas e conclusivas (então) com conectivos deslocados;

    Ex: Finalmente vencemos; fiquemos, pois, felizes com nossa conquista!

    III) pintor não é verbo, or. Comparativa


    GAB LETRA E

  • Uso do ";":


    D) Para marcar pausas entre orações, quando se intercala alguma conjunção entre as mesmas.


    Exemplo:


    - Eles sabiam de tudo o que se passava no colégio interno; mas, como já era de se esperar, nunca fizeram nada. Esse não é um caso obrigatório.

    - Quero sair mais com você; pois um casal precisa ter boas amizades.

    - Amanhã é dia de prova; porém não comecei a estudar ainda.

    - Ele chegou adiantado, como de costume; por isso, presenciou a cena desde o começo.


    Fonte: http://www.infoescola.com/portugues/ponto-e-virgula/

  • Alguém traria um comentário plausível para o item II? Não entendi o porque do uso do ponto e vírgula.

  • O ponto e virgula é para dizer que tem alguma coisa fora do lugar... 

  • "NUNCA DESISTA": a vírgula não pode ser retirada porque está separando um aposto explicativo. Não se pode simplesmente tirar uma vírgula e deixar a outra lá "perdida" no texto. Seu pensamento está correto, porém não neste caso.

  • O comentário plausível sobre o item II é que se trata de uma oração (coordenada) CONCLUSIVA: "Não logramos comovê-lo, comunicar-lhe nossa intemperança; ENTÃO, incapazes de trazê-lo à nossa domesticidade, consideramo-lo um elemento da paisagem, e pintamo-lo!" 

    Como existe uma continuidade de sentido entra as duas orações,elas não precisam ser separadas por ponto. Podem ser separadas por ponto-e-vírgula.

  • Errei...não voltei ao texto na I.
    O erro da I, também, é por ser equivalente a ''mas''.
    Mas os principais erros são:

    I- Há uma intercalação explicativa antes, não pode deixar a vírgula lá perdida. (alguns colegas já indicaram o mesmo)

    II - É uma conclusiva, o ponto e vírgula pode separar o. coordenadas que já possuam vírgula em seu interior.

    III - É uma comparativa, sem problema separar com vírgula.