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ID
2130574
Banca
CEPERJ
Órgão
SEPLAG-RJ
Ano
2013
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

BRASIL NÃO TEM UMA “NOVA CLASSE MÉDIA”, DIZEM ESPECIALISTAS
EM LIVRO, CIENTISTAS SOCIAIS QUESTIONAM PAPEL DO ESTADO AO AUMENTAR PODER AQUISITIVO DA PARCELA MAIS POBRE DA POPULAÇÃO SEM PROJETO POLÍTICO
    A emancipação de uma parcela da população e o consequente aumento de seu poder aquisitivo soam como boas notícias para o Brasil, historicamente marcado por um abismo social e a sistemática desigualdade na distribuição de renda. No entanto, alguns estudiosos veem o processo como atropelado e transformador apenas em parte.
    A criação da chamada “nova classe média” é contestada por cientistas sociais no livro A ‘nova classe média’ no Brasil como conceito e projeto político. A obra, que reúne artigos de especialistas como Cândido Grzybowski, diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), e Marcio Pochmann, da Unicamp, questiona se o Estado brasileiro é, de fato, um agente transformador ou se acaba eximindo-se de responsabilidades fundamentais como gestor e garantidor de direitos sociais e civis.
    Para Dawid Bartelt, diretor da Fundação Heinrich Böll e organizador do livro, fornecer maior poder de compra para as classes pobres não deve ser um fi m em si mesmo. É preciso haver um projeto mais amplo. “Precisamos de um plano, não apenas no consumo. Esse conceito de “nova classe média” nos leva para um caminho errado. Quando o Estado diz: ‘Vai, classe média, pague uma escola particular e um plano de saúde para seu fi lho’ acaba se eximindo das obrigações de garantir direitos previstos na Constituição”, observa sobre pilares como educação e saúde.
    Segundo o livro, apesar de a queda da desigualdade ter contribuído para as pessoas saírem de uma condição de pobreza absoluta, definir a classe média apenas pelo critério de renda é errôneo. Faltaria a essa parcela da população emancipada capital social e cultural, alerta Jessé Souza, professor de sociologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e diretor do Centro de Estudos Sobre Desigualdade (Cepedes), que assina um dos artigos no livro. “A ‘verdadeira’ classe média é constituída pelo acesso privilegiado a um recurso de extrema importância: o capital cultural. É apenas a classe média ‘verdadeira’ que pode ‘comprar’ o tempo livre de estudo de seus fi lhos e assim reproduzir seus privilégios de classe. É esse fundamento social ‘invisível’ que explica não só a renda diferencial, mas também o reconhecimento social atrelado a isso”, explica.
    A chamada “nova classe média” - faixa da população brasileira com renda mensal familiar entre 1.315 reais e 5.672 reais -, no entanto, tem uma vida completamente diferente da explicitada por Souza. Vive um cotidiano marcado pela ausência dos “privilégios de nascimento” que caracterizam as classes médias e altas, pelo extraordinário esforço pessoal, pela dupla jornada de trabalho e pela “super exploração da mão de obra”. “É a classe mais explorada, que mais trabalha e menos garantias tem. Nas profissões autônomas, inclusive, chegam a ser inundados pela ideologia de que são livres e empresários de si mesmos”, observa Souza.
    Outro ponto de crítica do livro se dá em relação às condições de vida da maioria dos cidadãos que compõe a chamada nova classe média. Segundo as pesquisadoras da Universidade Federal Fluminense Celia Lessa Kerstenetzky e Christiane Uchôa, os domicílios localizados no intervalo de renda relativo à nova classe média correspondem a 31,5 milhões, no quais vivem 38 milhões de crianças e jovens. Destes, 75% possuem apenas um banheiro, enquanto 390 mil não dispõem de nenhum.
    Vale lembrar ainda, alerta Bartelt, que a maioria gasta de duas a três horas por dia no trajeto entre casa e trabalho, possui pouca qualificação e continua trabalhando na economia informal. “Qual o projeto político do governo? Vamos só comprar mais ou pensar em questões essenciais como a formação dessas pessoas?”, questiona. “Se queremos que a criação de uma nova classe média seja sustentável, teremos de entrar na questão profissional. Sem uma educação de qualidade, essa classe não conseguirá sustentar essa ascensão social. Em um momento de crise, os primeiros a perder o emprego serão esses trabalhadores pouco qualificados. E isso, sim, seria um risco de retrocesso.”
Marsílea Gombata
(http://www.cartacapital.com.br)

A forma verbal que teve sua acentuação alterada, no último Acordo Ortográfi co, é:

Alternativas
Comentários
  • Hiatos nos verbos "oo" "eem" (leem,voo,creem,enjoo,abençoo) não recebem mais acento de acordo com o novo acordo ortográfico.

  • Letra A.

     

    Outra questãoajuda fixar.

     

    ALERJ – 2011 Digitador (banca CEPERJ) Foi respeitado o Acordo Ortográfico, ao se escrever a frase:

     

    A) A feiúra das máscaras exibidas no Carnaval foi mostrada na octagésima exposição levada a muitos países europeus.

    B) Segundo as autoridades, na rua do Ouvidor não é frequente a presença de camelôs nem das antiestéticas baiucas.

    C) No mês de janeiro começam as aulas de arte medieval no palácio do Governo para os que vêem no assunto interesse

    profissional.

    D) Na assembléia, cheiíssima, surgiram propostas para que se apazigúem os ânimos.

    E) O enxágue desnecessário dos instrumentos cirúrgicos foi considerado paranóia dos funcionários antigos.

     

    Comentário:

     

    A alternativa (A) está errada, porque “feiura” apresenta o hiato peculiar, em que ocorre vogal tônica “i” após ditongo (“ei”).

    Antes da reforma ortográfica, havia acento gráfico. Com a reforma, só há acento gráfico na vogal “i” ou “u” oxítonas,

    como “Piauí”, “tuiuiú”.
    Além disso, o numeral ordinal referente a “80” é flexionado no feminino é “octogésima”.

    A alternativa (B) é a correta. Note que não há trema na palavra “frequente”, o prefixo “anti” é seguido de vocábulo iniciado

    em “e”, portanto não há hífen. Além disso, perceba que “baiuca” não mais recebe acento

    gráfico.

    A alternativa (C) está errada, pois o hiato com vogal dobrada não mais recebe acento gráfico: “veem”.

    A alternativa (D) está errada, pois “assembleia” não pode mais receber acento no ditongo aberto tônico “ei” em palavra

    paroxítona. O verbo “apaziguem” não tem mais acento, porque simplesmente é uma paroxítona terminada em “em”. Antes

    da reforma, esta palavra tinha acento como uma exceção à regra em vigor.As palavras “cheiíssima” e “ânimos” estão

    corretamente acentuadas por serem proparoxítonas.

    A alternativa (E) está errada, pois a palavra “paranoia" não pode mais receber acento no ditongo aberto tônico “oi” em

    palavra paroxítona.

    Note que as palavras “enxágue” (sem trema), “desnecessário” e “funcionários” estão corretamente acentuadas por serem

    paroxítonas terminadas em ditongo oral. A palavra “cirúrgicos” tem acento por ser proparoxítona.

     

     

    Gabarito: B

     

     

    Prof. Décio Terror

  • Creem, veem, leem, releem, voo, enjoo, abençoo

  • GABARITO: LETRA A

    ACRESCENTANDO:

    Lembre-se de que, antes da Nova Reforma Ortográfica, havia acento em hiatos com vogais dobradas (lêem, vêem, vôo, magôo). Hoje, nãomais acento, simplesmente porque vogais dobradas só podem ser hiato, por isso não havia motivo do acento. Hoje, essas palavras são grafadas assim: leem, veem, voo, magoo.

    FONTE: https://www.estrategiaconcursos.com.br/blog/se-feiura-e-feiume-perderam-o-acento-por-que-guaiba-e-guaira-sao-acentuadas-2/#