SóProvas


ID
236089
Banca
FCC
Órgão
TCE-SP
Ano
2010
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                         Pensando nas histórias populares

           Se examinarmos as fábulas populares, verificaremos que  elas representam dois tipos de transformação social, sempre  com final feliz. Num primeiro tipo, existe um príncipe que, por alguma
circunstância, se vê reduzido a guardador de porcos ou  alguma outra condição miserável, para depois reconquistar sua condição real. Num segundo caso, existe um jovem pastor que não possuiu nada desde o nascimento e que, por virtude própria  ou graça do destino, consegue se casar com a princesa e  tornar-se rei.
           Os mesmos esquemas valem para as protagonistas femininas: a donzela nobre é vítima de uma madrasta (Branca  de Neve) ou de irmãs invejosas (Cinderela), até que um príncipe se apaixone por ela e a conduza ao vértice da escala social. Ou  então uma camponesa pobre supera todas as desvantagens da origem e realiza núpcias principescas.
          Poderíamos pensar que as fábulas do segundo tipo são  as que exprimem mais diretamente o desejo popular de uma  reviravolta dos papéis sociais e dos destinos individuais, ao passo  que as do primeiro tipo deixam aparecer tal desejo de forma  mais atenuada, como restauração de uma hipotética ordem  precedente. Mas, pensando bem, os destinos extraordinários do  pastorzinho ou da camponesa representam apenas uma ilusão  miraculosa e consoladora, ao passo que os infortúnios do príncipe
ou da jovem nobre associam a imagem da pobreza com a  ideia de um direito subtraído, de uma justiça a ser reivindicada, isto é, estabelecem no plano da fantasia um ponto que  será fundamental para toda tomada de consciência da época  moderna, da Revolução Francesa em diante.
          No inconsciente coletivo, o príncipe disfarçado de pobre é a prova de que cada pobre é, na realidade, um príncipe que sofreu uma usurpação de poder e por isso deve reconquistar  seu reino.   Quando cavaleiros caídos em desgraça triunfarem sobre seus inimigos, hão de restaurar uma sociedade mais justa, na qual será reconhecida sua verdadeira identidade.

                                                                           (Adaptado de Ítalo Calvino, Por que ler os clássicos)

Está plenamente adequada a pontuação em:

Alternativas
Comentários
  • Tentei de diversas formas responder, por favor alguem que saiba a resposta poderia explicar-me.

  • plenamente adequada a pontuação em:
     

     

    • a) As fábulas populares são simplórias? Ora(vírgula) elas significam muito mais do que aparentam, tal como o provou (sem vírgula, não se separa sujeito de predicado) esse texto de Ítalo Calvino.
    • b) Simplórias, pois sim... As fábulas, na verdade(vírgula) são prenhes de profunda significação, exigindo muita atenção e senso interpretativo (sem vírgula: não se separa verbo do objeto) dos leitores. (uma vírgula separa, duas intercalam)
    • c) Há quem julgue essas fábulas simplórias(sem vírgula pelo mesmo motivo acima); mas atente-se bem (idem) para seu sentido profundo, e teremos inevitavelmente (idem) grandes surpresas.
    • CORRETA d) Simplórias? Não o são, certamente, essas fábulas, das quais o autor revelou, para surpresa nossa, uma significação mais profunda. (aqui as vírgulas apenas estão intercalando).
    • e) Sim, há quem julgue simplórias (sem vírgula: não se separa o adjunto do objeto) as fábulas populares, mas basta atentarmos para elas e veremos o quanto são capazes (idem) de nos revelar.
  • acho que a dificuldade da letra "D" está na transitividade do verbo, embora a questão exija a pontuação.
    aparentemente não caberia o"das" antes do "que".
    No entanto, o verbo revelar é transitivo direto (uma significação mais profunda) e indireto ( revela das fabulas).
    Depois que enxerguei isto, a questão das vírgulas ficou fácil.
     ) e indireto ( ( 
  • a) E - As fábulas populares são simplórias? Ora, elas significam muito mais do que aparentam, tal como o provou esse texto de Ítalo Calvino.
    b) E - Simplórias, pois sim... As fábulas, na verdade, são prenhes de profunda significação, exigindo muita atenção e senso interpretativo dos leitores.
    c) E -Há quem julgue essas fábulas simplórias, mas atente-se bem para seu sentido profundo, e teremos, inevitavelmente, grandes surpresas.
    d) ok
    e) E - Sim, há quem julgue simplórias as fábulas populares, mas basta atentarmos para elas e veremos o quanto são capazes de nos revelar.