SóProvas


ID
236449
Banca
FCC
Órgão
TRT - 8ª Região (PA e AP)
Ano
2010
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

    Há uma rotina de ideias a que não escapa sequer o escritor original. Os grandes temas, os temas universais, reduzem-se a uma contagem nos dedos – e quem escreve ficção vai beber sempre na mesma aguada. Um ficcionista puxa outro. Dostoievski, Faulkner, Kafka deflagraram muitos contemporâneos, graças à sua força extraordinária de gravitação. Servem de impulso à primeira largada, seus modos de dizer e maneira de ver e sentir o mundo deixam de ser propriedade privada, incorporam-se à literatura como conquista de uma época, um condomínio em que as ideias se desligam e flutuam soltas. 

    Fala-se comumente em influências na obra deste ou daquele autor. O termo, com o tempo, perdeu contorno pejorativo. Quem não tem influências, quem não se abeberou em alguém? Literatura é um organismo vivo que não cessa de receber subsídios. Felizes os que, contribuindo com essa coisa inquietante que é escrever, revigoram-lhe o lastro. Eles se realizam em termos de criação artística e contribuem, com sua experiência e suas descobertas, para que outros cheguem e deitem ali, também, o seu fardo.

    Stendhal inventou para o amor a teoria da cristalização que se poderia aplicar à coisa literária. No fundo, as ideias são as mesmas, descrevem um círculo vicioso que o escritor preenche conscientemente, se acrescentar ao que já encontrou feito uma dimensão pessoal. Criação espontânea, inspiração, musa? Provavelmente não existem, pelo menos na proporção em que os românticos quiseram valorizar as manifestações do seu espírito. Escrever – e falo sempre em termos de criar – é um exercício meticuloso em busca do amadurecimento; quem escreve retoma uma experiência sedimentada, com o dever, que só alguns eleitos cumprem, de alargá-la dentro da perspectiva do homem e da época.

(Hélio Pólvora. Graciliano, Machado, Drummond & Outros. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1975, pp. 37-38)

A respeito do 1º parágrafo, é INCORRETO o que se afirma em:

Alternativas
Comentários
  • Resposta é a letra D.

    Segue abaixo meu entendimento:

    Servem de impulso à primeira largada, (...) incorporam-se à literatura como conquista de uma época ... Os segmentos grifados exercem a mesma função sintática, em seus respectivos períodos.

    À PRIMEIRA LARGADA - complemento nominal.


    À LITERATURA - Objeto indireto (complemento do verbo transitivo indireto incorporam-se).


    Espero ter ajudado.
    Bons estudos

  • Discutindo a questão com os Colegas Daniel e Juliana, concordo com o Gabarito letra D.

    Segue a explicação do Daniel Silva:

    "...Servem de impulso à primeira largada: "à primeira largada" é um complemento nominal que complementa o substantivo "impulso". Incorporam-se à literatura como conquista de uma época: "à literatura" têm função sintática de Objeto Indireto, visto é um complemento obrigatório da forma verbal "incorporam-se" (Quem se incoropora, se incorpora à alguma coisa...)."

  • À primeira largada. Complemento nominal pois está completando o sentido de impulso.

    À literatura. Objeto indireto pois está completando o sentido de incorporam.

    Logo a resposta é a letra D de Deus é por nós.
  • Alguém saberia me dizer onde estão as orações da letra C: 

    Dostoievski, FaulknerKafka deflagraram muitos contemporâneos, graças à sua força extraordinária de gravitação.
    Observa-se entre as orações do período acima relação sintática de consequência e sua causa imediata, respectivamente.

    Só consigo ver um verbo, logo uma oração. 

  • Impulso, neste caso, é substântivo, portanto, "à primeira largada" é complemento nominal.

    Incorporam-se, neste caso, é verbo, portanto, "à literatura" é objeto indireto (o que é evidenciado pela crase)

  • impulso à primeira largada- "à primeira largada" é complemento nominal por ter funcao passiva a impulso.

    "Servem" nao tem transitividade como o verbo do outro periodo. quem serve, serve de alguma coisa. e nao serve de alguma coisa a outra coisa.