SóProvas


ID
2402512
Banca
COSEAC
Órgão
UFF
Ano
2017
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Texto

                                           AQUI SOZINHO

      Aqui sozinho, nesta calma, toda a história da humanidade e da vida rolam diante de mim. Respiro o ar inaugural do mundo, o perfume das rosas do Éden ainda recendentes de originalidade. A primeira mulher colhe o primeiro botão. Vejo as pirâmides subindo; o rosto da esfinge pela primeira vez iluminado pela lua cheia que sobe no oriente; ouço os gritos dos conquistadores avançando. Observo o matemático inca no orgasmo de criar a mais simples e fantástica invenção humana – o zero. Entro na banheira em Siracusa e percebo, emocionado, meu corpo sofrendo um impulso de baixo para cima igual ao peso do líquido por ele deslocado. Reabro feridas de traições, horrores do poder, rios de sangue correm pela história, justos são condenados, injustos devidamente glorificados. Sinto as frustrações neuróticas de tantos seres ansiosos, e a tentativa de superá-las com o exercício de supostas santidades. Com a emoção a que nenhum sexo se compara, começo, pouco a pouco, a decifrar, numa pedra com uma tríplice inscrição, o que pensaram seres como eu em dias assustadoramente remotos. Acompanho um homem – num desses raros instantes de competência que embelezam e justificam a humanidade – pintando e repintando o teto de uma capela; ouço o som divino que outro tira de um instrumento que ele próprio é incapaz de ouvir. Componho em minha imaginação o retrato de maravilhosas sedutoras, espiãs, cortesãs e barregãs, que possivelmente nem foram tão belas, nem seduziram tanto. Sento e sinto e vejo, numa criação única, pessoal e intensa, porque ninguém materializou nada num teatro, numa televisão, num filme. Estou só com a minha imaginação. E um livro.

                                                                                                               (Fernandes, M. JB – 01.02.92) 

“Sento e sinto e vejo, numa criação única, pessoal e intensa, PORQUE ninguém materializou nada num teatro, numa televisão, num filme.”

O conectivo destacado no período acima produz um efeito de:

Alternativas
Comentários
  • Causais: introduzem uma oração que é causa da ocorrência da oração principal. São elas: porque, que, como (= porque, no início da frase), pois que, visto que, uma vez que, porquanto, já que, desde que, etc.

  • Causas e consequências 

     

  • Letra B.

     

    Já que/Visto que ninguém materializou nada num teatro, numa televisão, num filme, (então eu) sento e sinto e vejo, numa criação única, pessoal e intensa,

  • Lugar: aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, atrás, além, , detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, defronte, nenhures, adentro, afora, alhures, embaixo, externamente, a distância, à distância de, de longe, de perto, em cima, à direita, à esquerda, ao lado, em volta.

    Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora, amanhã, cedo, dantes, depoisainda, antigamente, antes, doravante, nunca, então, ora, jamaisagorasempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve, constantemente, entrementes, imediatamente, primeiramente, provisoriamente, sucessivamente, às vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em quando, de quando em quando, a qualquer momento, de tempos em tempos, em breve, hoje em dia.

    Modo: bemmalassim, adrede, melhor, pior, depressa, acinte, debalde, devagar, às pressas, às claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em vão e a maior parte dos que terminam em "-mente": calmamente, tristemente, propositadamente, pacientemente, amorosamente, docemente, escandalosamente, bondosamente, generosamente.

    Afirmação: simcertamente, realmente, decerto, efetivamente, certo, decididamente, deveras, indubitavelmente.

    Negação: nãonem, nunca, jamais, de modo algum, de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum.

    Dúvida: acaso, porventura, possivelmente, provavelmente, quiçátalvez, casualmente, por certo, quem sabe.

    Intensidade: muito, demais, pouco, tão, em excesso, bastante, mais, menos, demasiado, quanto, quão, tanto, assaz, que (equivale a quão), tudo, nada, todo, quase, de todo, de muito, por completo, extremamente,intensamentegrandemente, bem (quando aplicado a propriedades graduáveis).

    Exclusão: apenas, exclusivamente, salvo, senão, somente, simplesmente, só, unicamente. 
    Por exemplo: Brando, o vento apenas move a copa das árvores.

    Inclusão: ainda, até, mesmo, inclusivamente, também.
    Por exemplo: O indivíduo também amadurece durante a adolescência.

    Ordem: depois, primeiramente, ultimamente.
    Por exemplo: Primeiramente, eu gostaria de agradecer aos meus amigos por comparecerem à festa.

  • Quando o sentido é de CAUSA, a consequência encontra-se na Oração Principal.

    Quando o sentido é de CONSECUTIVO, a causa encontra-se na Oração Principal.

  • Conjunções Causais:

     

    São aquelas que indicam uma oração subordinada que denota causa:

    Porque, pois, porquanto, como (no sentido de porque), pois que, por isso que, á que, uma vez que, visto que, visto como, que.

     

    Exemplos:

     

    A casa incendiou porque esqueceram o gás ligado.

    Saiu mais cedo visto que o filho ligou.

     

    https://www.todamateria.com.br/conjuncoes-subordinativas/

     

    ALTERNATIVA: B

  • b-

    Oração subordinada adverbial causal indica causa da oração principal. Iniciada pelas conjunções e locuções: porque, que, porquanto etc

  • Como identificar uma oração subordinada adverbial causal sem ser pela memorização das conjunções.


    Observe que :

    Há uma anterioridade temporal

    É subordinada, ou seja, exerce função sintática em relação a oração principal.



  • "Decore as conjunções"

    _ Pestana, Fernando

  • Sento e sinto e vejo, numa criação única, pessoal e intensa (efeito, consequência) , PORQUE ninguém materializou nada num teatro, numa televisão, num filme.(causa).

    letra b.

  • Bizu:

    Diferença entre CAUSA (subordinada adverbial) e EXPLICAÇÃO (coordenada explicativa) nas orações começadas por “POIS, PORQUE, PORQUANTO, ETC”:

    Oração coordenada explicativa => EXPLICAÇÃO ACONTECE DEPOIS;

    Oração subordinada adverbial causal => CAUSA ACONTECE ANTES;

    *A coordenada explicativa pode ter dois sentidos:

    i. Suaviza uma ordem (se tem imperativo é sempre coordenada explicativa); ou

    ii. De esclarecimento (o “pois, porquanto, porque” pode ser substituído por dois pontos, já que segue a explicação);

    *A subordinada adverbial causal é uma estrutura muito semelhante ao esclarecimento da coordenada explicativa (começadas em “pois, porque, porquanto, etc”);

    *Mas tem que se perguntar se a oração começada por “porque, porquanto, pois” aconteceu ANTES ou DEPOIS para distinguir a subordinada adverbial causal da coordenada explicativa:

    a) Se ocorreu ANTES é relação de causa/efeito (oração subordinada adverbial causal);

    b) Se aconteceu DEPOIS se trata de explicação (oração coordenada explicativa);

                      

    Resumo:

    Oração precedida de “porque, porquanto, pois, etc”:

    ACONTECEU ANTES => causa (a principal é a consequência); subordinada adverbial causal;

    ACONTECEU DEPOIS => explicação; coordenada explicativa (conjunção pode ser substituída por dois pontos);