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ID
2751577
Banca
FCC
Órgão
TRT - 2ª REGIÃO (SP)
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                Artes e ditadores


      Os ditadores sempre quiseram que a arte expressasse seu ideal de “povo”, de preferência em momentos de devoção ou entusiasmo pelo regime. Para isso, os ditadores pretenderam imobilizar o passado nacional em seu benefício, dando-lhe dimensões de mito ou inventando-o quando necessário. Para o fascismo italiano, o ponto de referência era a Roma antiga, imperial; para a Alemanha de Hitler, uma combinação de bárbaros radicalmente puros das florestas teutônicas com nobreza medieval; para a Espanha de Franco, a era dos triunfantes governantes católicos que expulsaram os infiéis e resistiram a Lutero. A União Soviética teve mais dificuldade para adotar o legado dos czares que a Revolução tinha sido feita, afinal de contas, para destruir, mas Stálin acabou achando conveniente mobilizá-lo.

      O que ficou da arte do poder nesses países? Surpreendentemente, pouco na Alemanha, mais na Itália, talvez mais ainda na Rússia. Só uma coisa todos perderam: o poder de mobilizar a arte e o povo como teatro público. Isso, o mais sério impacto do poder na arte entre 1930 e 1945, desapareceu com os regimes que tinham garantido sua sobrevivência através da repetição regular de rituais públicos. Desapareceram para sempre, juntamente com aquele poder.

(Adaptado de: HOBSBAWM, Eric. Tempos fraturados. Trad. Berilo Vargas. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 276) 

Está clara, coesa e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:

Alternativas
Comentários
  • Erros, tudo de acordo com o texto:

    a) Eles SEMPRE fazem isso, não é quando falta.

    b) É bárbaros teutônicos com NOBREZA medieval.

    c) Eles foram úteis, sim.

    d) razões tá no plural, deveria ser no singular e sem vírgula. 

    e) GABARITO

  •  

    Acredito que o erro da assertiva "A" é de concordância entre o verbo "Faltar" e "argumentação própria"

    Na "B" o verbo "despontar" está no pretérito imperfeito e o verbo "haver" no pretérito perfeito (ação perfeitamente acabada) - os tempos deveriam ser os mesmos. ( "havia")

    NA "C" acho que seria a separação indevida da virgula, antes de "como propulsores"

    Na "D" razão deve concordar com deferência. 

    Acompanhando comentários... rs

  • GABARITO: E

     

     

    No meu entendimento, a questão pede a análise dos "livre comentários sobre o texto" (clareza, coesão, correção gramatical/sintática). Ou seja, não é para comparar com o sentido do texto.

    Caso eu esteja equivocada, por gentileza, corrijam-me. Marquei para comentário.

     

     

     

    a) Quando falta aos ditadores, das mais diversas épocas, a argumentação própria em favor da positivação de suas ideias, apela-se para o culto mítico do passado. 

     

     

     

     b) Assim como no fascismo italiano, em cujo passado da antiga Roma despontou o poder imperial, (assim também para - fora de contexto) na Alemanha houve uma compilação de bárbaros teutônicos com cavaleiros medievais.

     

     

     

     c) Não parece que os czares tenham possibilitado que a União Soviética lhes servisse(, - exclusão da vírgula) como propulsores de algum legado digno de um culto com alguma nobreza. 

     

    Comentário pessoal

    Faltou clareza.

     

     

     d) Em tais regimes populistas, a deferência às artes torna-se teatral para o público, razão pela qual ambos acabam por confrontar-se numa mútua descrença. 

     

    Comentário pessoal

     Inicialmente, imaginei que estivesse faltando o elemento secundário de "ambas". Lendo com mais calma, percebi que seria possível o termo "ambos" referir-se à confrontação "regimes populistas versus "público". A meu ver, faltou clareza e coerência, já que o período está fora do contexto.

     

  • E) Ainda que os ditadores tenham logrado, entre 1930 e 1945, ritualizar e mitificar seu poder por meio das artes, esse fenômeno extinguiu-se junto com seus regimes. 

     

    O termo "seu poder" não deveria ficar no plural, concordando com "os ditadores" ?

  •  a) Quando falta aos ditadores, das mais diversas épocas, a argumentação própria em favor da positivação de suas ideias, apela-se para o culto mítico do passado. 

     

     b) Assim como no fascismo italiano, em cujo passado da antiga Roma despontava o poder imperial, assim também na Alemanha houve uma compilação de bárbaros teutônicos com cavalheiros medievais. 

     

     c) Não parece que os czares tenham possibilitado que a União Soviética lhes servissem, como propulsores de algum legado digno de um culto com alguma nobreza. 

     

     d) Em tais regimes populistas, a deferência às artes, torna-se teatral para o público, razão pela qual ambos acabam por confrontar-se numa mútua descrença. 

     

    A deferência às artes, em tais regimes populistas, torna-se teatral para o público, razão pela qual ambos acabam por confrontar-se numa mútua descrença.

     

     e) Ainda que os ditadores tenham logrado, entre 1930 e 1945, ritualizar e mitificar seu poder por meio das artes, esse fenômeno extinguiu-se junto com seus regimes. 

  • Pensei que os verbos deveriam estar no plural, ritualizarem e mitificarem, para concordar com os ditadores. Alguém pode me explicar essa questão por favor?
  • Juguei a alternativa E como certa devido ao meu entendimento no último paragrafo do texto:

    “O que ficou da arte do poder nesses países? Surpreendentemente, pouco na Alemanha, mais na Itália, talvez mais ainda na Rússia. Só uma coisa todos perderam: o poder de mobilizar a arte e o povo como teatro público. Isso, o mais sério impacto do poder na arte entre 1930 e 1945, desapareceu com os regimes que tinham garantido sua sobrevivência através da repetição regular de rituais públicos. Desapareceram para sempre, juntamente com aquele poder."

  • Precisava ser de acordo com o texto? Mas não era um livre comentário sobre o texto?