SóProvas


ID
2904769
Banca
FEPESE
Órgão
DEINFRA - SC
Ano
2019
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Ética para quê?


   Essa é uma boa pergunta para quem pensa que está apenas resolvendo um projeto de engenharia, conformando uma solução arquitetônica ou urdindo um plano agronômico. Nisso que chamamos ato de ofício tecnológico aplicamos conhecimento científico, modus operandi, criatividade, observância das normas técnicas e das exigências legais. E onde entra a tal da ética?

   Em geral, os dicionários definem “ética” como um sistema de julgamento de condutas humanas, apreciáveis segundo valores, notadamente os classificáveis em bem e mal. O Dicionário Houaiss traz estes conceitos:


      […] estudo das finalidades últimas, ideais e em alguns casos, transcendentes, que orientam a ação humana para o máximo de harmonia, universalidade, excelência ou perfectibilidade, o que implica a superação de paixões e desejos irrefletidos. Estudo dos fatores concretos (afetivos, sociais etc.) que determinam a conduta humana em geral, estando tal investigação voltada para a consecução de objetivos pragmáticos e utilitários, no interesse do indivíduo e da sociedade.


   Quaisquer que sejam as formas de pensar, ....... preocupação é com a conduta dirigida ........ execução de algo que seja considerado como bom ou mau. É ....... ação produzindo resultados. Resultados sujeitos ....... juízo de valores. Somos dotados de uma capacidade racional de optar, de escolher, de seguir esta ou aquela via. Temos o livre-arbítrio. Somos juízes prévios de nós mesmos.

  Vejamos rapidamente uma metáfora para ....... melhor compreensão deste diferencial de consciência existente entre dois agentes de transformação do meio: a minhoca e o homem. É indubitável que as minhocas agem sobre o meio transformando-o. Reconhecem solos, fazem túneis, condicionam o ar de seus ninhos, constroem abrigos para seus ovos, preveem tempestades e sismos, convertem matéria orgânica em alimento e adubam o caminho por onde passam. São dispositivos sensores sofisticados e admiráveis máquinas de cavar. Tudo isso também é possível de realização pelo homem tecnológico. Fazemos abrigos, meios de transporte, manejamos o solo, produzimos alimento, modelamos matéria e energia, prospectamos e controlamos as coisas ao nosso redor. A diferença é que a minhoca faz isso por instinto e nós profissionais o fazemos por vontade, por arbítrio. A minhoca tem em sua natureza o impulso de agir assim. Nós outros, humanos, o fazemos para acrescentar algo de melhor em nossa condição. A minhoca é um ser natural. Nós somos seres éticos. Para as minhocas não há nem bem nem mal. Apenas seguem seu curso natural. Então, para que ética? Para fazermos exatamente aquilo que fazemos, porém bem feito e para o bem de alguém. Isso não é o bastante, mas já é um bom começo. Um pouco também para nos diferenciarmos das minhocas na nossa faina comum de mudar o mundo.

PUSCH. J. Ética e cultura profissional do engenheiro, do arquiteto e do engenheiro agrônomo. Disponível em:<http://www.crea-pr.org.br/ws/wp-content/uploads/2016/12/caderno08.pdf[Adaptado]

Considere as frases abaixo, em seu contexto:


1. Somos juízes prévios de nós mesmos. (penúltimo parágrafo)

2. Apenas seguem seu curso natural. (último parágrafo)

3. Para fazermos exatamente aquilo que fazemos, porém bem feito e para o bem de alguém. (último parágrafo)

4. Isso não é o bastante, mas já é um bom começo. (último parágrafo)


Assinale a alternativa correta em relação às frases

Alternativas
Comentários
  • A questão envolve análise sintática e morfológica. Teremos que resolver a questão com base nas frases acima.

    a) A frase 1, se colocada no singular, seria reescrita como “Sou juíz prévio de eu mesmo”, sem desvio da norma culta da língua escrita.

    Incorreta. Temos dois erros: o sujeito exige o pronome eu e o complemento pede o pronome mim. EX:Trouxe o papel para eu mesmo redigir. O desafio é para mim mesmo.

    Outro erro é que juiz no singular não tem acento. A palavra juiz não tem acento agudo porque somente se acentuam as letras i e u desde que: sejam a segunda vogal tônica de um hiato; formam sílabas sozinhos ou com s na mesma sílaba.

    Forma correta: sou juiz prévio de mim mesmo

    b) Em 2, o pronome “seu” refere-se a “curso”, podendo a frase ser reescrita como “Apenas seguem o curso natural dele”, sem prejuízo de significado no texto.

    Incorreta. Fazendo a troca precisa fazer concordância com o referente "minhocas".

    “Apenas seguem o curso natural delas".

    c) Em 3, a oração introduzida por “porém” contradiz a informação contida no segmento que precede a conjunção

    Incorreta. É uma oração adversativa que traz ideia de ressalva e não de oposição.

    As adversativas indicam essencialmente uma ideia de adversidade, oposição, contraste;também ressalva, quebra de expectativa, compensação, restrição.

    d) Em 3 e 4, as conjunções “porém” e “mas” podem ser intercambiáveis entre si, sem prejuízo de significado no texto e sem alterar a classificação sintática das respectivas orações.

    "Para fazermos exatamente aquilo que fazemos, porém bem feito e para o bem de alguém"

    "Isso não é o bastante, mas já é um bom começo."

    Correta. Ambas são adversativas, assim podendo uma ser trocada pela outra.

    e) Em 4, “Isso” é o sujeito da primeira oração e “já” é o sujeito da segunda oração .

    Incorreta. Sabemos que "já" não é o sujeito da segunda oração, pois é o adjunto adverbial.

    GABARITO D

  • Além do erro pronominal na alternativa A, juiz se escreve sem acento.

  • Nao entendi, Diogo... E por que "Somos juízes prévios de nós mesmos" esta correto? Por esse raciocinio deveria ser NOS e nao, NÓS! Viajei????

  • a) juíz nao tem acento

     b) o curso natural dele tem prejuízo de significado no texto.

     c) ressalva

     d)ok

    e)  “já” é adverbio; nao pode ser sujeito

  • Tanto "porém" quando "mas" são conjunções de mesmo valor, qual seja, adversativo. Sendo assim, podem ser intercambiáveis entre si, sem prejuízo de significado no texto e sem alterar a classificação sintática das respectivas orações;

     

    a) o correto seria: " ... sou juiz prévio de mim mesmo ... ";

    b) o correto seria: " ... apenas seguem o curso natural delas ... ", pois refere-se às minhocas;

    c) a ideia trazida por essa conjunção adversativa não é de contradição, mas de ressalva;

    e) o sujeito da 1ª oração é "isso" e o sujeito da 2ª oração é oculto (mas tem como referente o termo "isso", que é o sujeito semântico);

     

    Quem escolheu a busca não pode recusar a travessia - Guimarães Rosa

    ------------------- 

    Gabarito: D

     

  • Na alternativa A, o pronome que deveria ser usado é o "mim". Eu sou juiz de... mim mesmo. Ou seja: mim tem função sintática de complemento.

    Na alternativa B, o correto seria: segue o curso natural delas

    O porém na alternativa C não contradiz a ideia apresentada anteriormente mas sim, faz uma concessão, uma ressalva

    Letra d: correta

    Letra e: Isso é o sujeito da primeira oração mas já é adverbio.

  • 1. Somos juízes prévios de nós mesmos. Sou juiz prévio de mim mesmo.

    2. Para as minhocas não há nem bem nem mal. Apenas seguem seu curso natural. Apenas seguem o curso natural delas.

    3. Para fazermos exatamente aquilo que fazemos, porém/mas bem feito e para o bem de alguém. (último parágrafo)

    4. Isso não é o bastante, mas/porém (isso) já é um bom começo.

  • Sobre a 3:

    Em 3, a oração introduzida por “porém” contradiz a informação contida no segmento que precede a conjunção.

    "Para fazermos exatamente aquilo que fazemos, porém bem feito e para o bem de alguém. (último parágrafo)"

    Explicação: o "porém", depois da vírgula, traz uma ideia de oposição e contrariedade, MAAAAASSSS NÃO ANULA a informação dita anteriormente. Por isso é errado dizer que CONTRADIZ a informação contida no segmento anterior. Ele apenas faz oposição, mas não anula o que foi dito.

    Obs: é uma conjunção adversativa.