SóProvas


ID
3288055
Banca
AOCP
Órgão
Prefeitura de São Luís - MA
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A geração dos imaturos para sempre

Por Ana Macarini

     Estamos vivendo um movimento que lembra a força de uma epidemia. Vivemos cercados de pessoas acometidas por uma espécie de mistura de “Síndrome de Peter Pan”, com “Complexo de Cinderela”, mais uma pitada de “Jeito Pateta de ser” e um tiquinho de “Meu sonho é morar na Disney”. Isso até seria engraçado, se não fosse assustador. E trágico.

     Há pessoas que simplesmente não encontram o caminho da maturidade. E nem é que não queiram crescer ou estejam perpetuando a adolescência para além dos trinta, quarenta ou cinquenta anos porque decidiram que é assim que tem que ser. Não! Nada disso!

     Simplesmente não sabem como fazê-lo. Existe uma legião de perdidos num limbo da infância emocional eterna, alimentados por um estilo de educação familiar que não percebe o quão danoso pode ser a qualquer um de nós, ser poupado a todo custo de sofrer frustrações, de lidar com as negações, de enfrentar a vida por si mesmo.

    Há milhares de famílias, que vão desde os menos favorecidos até os mais abastados, que insistem em criar seus filhos como se eles – os pais – fossem durar para sempre. Alimentam suas crianças e jovens com infinitas mamadeiras de dependência emocional, sob o pretexto de garantir que seus rebentos sejam absolutamente felizes, sempre felizes, todos os dias, o tempo todo.

    O resultado de tamanha alienação é a ocorrência de meninos e meninas, que serão meninos e meninas para toda a eternidade. Recém-nascidos para sempre, que esperneiam quando algo não sai do jeito que esperavam. Que amarram a cara, quando não são imediatamente atendidos. Que não fazem a menor ideia de como todas as coisas que os cercam vão parar em suas mãos. Meninos e meninas com vida sexual ativa.

    Meninos e meninas que não sabem dar importância ou valorização para a formação acadêmica. Meninos e meninas que chegam à vida adulta, sem ter a menor ideia do quanto de dinheiro é necessário para mantê-los. Meninos e meninas que se consideram adultos o suficiente para beber, para fumar, para amanhecer na rua e voltar para suas casas a hora que bem entenderem. Alguns com carteira de motorista em mãos, mas sem juízo suficiente para sentar-se atrás de um volante ou no banco de uma moto. Muitos, sem nenhuma noção de compromisso e responsabilidade. Perdidos.

    E, não, não estou falando que as pessoas precisam viver de forma rígida e azeda. Não estou falando que é proibido ser alegre. Não se trata de não ter o direito de ser criança, ou jovem e se divertir e aproveitar essas fases tão maravilhosas e absolutamente necessárias para que um dia, surja um adulto inteiro.

    O grande nó para o qual eu convido a uma boa reflexão é o fato de que estamos assistindo passivamente a inúmeras crianças e incontáveis jovens, sendo privados da experiência fantástica que é passar por essas fases e estar disposto a entrar em outras. Outras fases, tão ricas e bonitas quanto são aquelas pelas quais passamos em nossos anos iniciais.

    Crescer é um direito! Amadurecer é tomar posse da própria vida. É ter a chance de fazer escolhas. É experimentar o prazer de andar com as próprias pernas. E errar. E acertar. E tentar outra vez, outra coisa, de outro jeito. Tenhamos a amorosidade necessária para abrir mão de congelar nossos filhos num tempo em que, depois de um tempo, o que era encantador certamente será ridículo. Tenhamos a sabedoria para dar a mão às nossas crianças na travessia da vida, sabendo que vez ou outra é com as mãos livres que se deve andar.

A geração dos imaturos para sempre. Macarini, Ana. Disponível em http://

www.contioutra.com/geracao-dos-imaturos-para-sempre/ Acesso em 08

de fev. 2018.

Considerando a classificação das orações destacadas a seguir, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA B

    A) Em ?[...] sob o pretexto de garantir que seus rebentos sejam absolutamente felizes [...]?, a oração em destaque é subordinada substantiva objetiva indireta ? garantir alguma coisa (=garantir ISSO, temos uma oração subordinada objetiva direta).

    B) Em ?O resultado de tamanha alienação é a ocorrência de meninos e meninas, que serão meninos e meninas para toda a eternidade.?, a oração destacada em negrito é subordinada adjetiva explicativa ? correto, pronome relativo "que" dando início a uma oração subordinada adjetiva explicativa (entre pontuação), a restritiva vem sem pontuação.

    C) Na sequência ?Isso até seria engraçado, se não fosse assustador.?, a oração em negrito é subordinada adverbial concessiva ? incorreto, temos a conjunção subordinativa condicional "se" dando início a uma oração adverbial condicional.

    D) No trecho ?Estamos vivendo um movimento que lembra a força de uma epidemia.?, a oração em negrito é coordenada assindética ? incorreto, pronome relativo "que" dando início a uma oração subordinada adjetiva restritiva (=sem pontuação).

    E) Em ?Tenhamos a sabedoria para dar a mão às nossas crianças na travessia da vida [...]?, a oração destacada classifica-se como subordinada adverbial causal ? incorreto, temos uma oração subordinada adverbial final reduzida do infinitivo.

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  • Gabarito B

    A) Em “[...] sob o pretexto de garantir que seus rebentos sejam absolutamente felizes [...]”, a oração em destaque é subordinada substantiva objetiva indireta. ⇢ garantir ISSO, logo temos uma oração subordinada substantiva objetiva direta.

    B) Em “O resultado de tamanha alienação é a ocorrência de meninos e meninas, que serão meninos e meninas para toda a eternidade.”, a oração destacada em negrito é subordinada adjetiva explicativa.⇢ correto, iniciado por pronome relativo "que" com a inclusão da virgula.

    C) Na sequência “Isso até seria engraçado, se não fosse assustador.”, a oração em negrito é subordinada adverbial concessiva. ⇢ O termo "se" trate-se de uma oração subordinada subordinada adverbial condicional.

    D) No trecho “Estamos vivendo um movimento que lembra a força de uma epidemia.”, a oração em negrito é coordenada assindética. ⇢ Temos uma oração subordina da adjetiva restritiva, restringido o sentido e o uso da virgula.

    E) Em “Tenhamos a sabedoria para dar a mão às nossas crianças na travessia da vida [...]”, a oração destacada classifica-se como subordinada adverbial causal. ⇢ o "para" indica finalidade, dando inicio a uma oração subordinada subordinada adverbial final reduzida de infinitivo.