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ID
3426481
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Cerquilho - SP
Ano
2019
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Leia o texto para responder à questão.



         Um dia vou contar numa crônica a lenta agonia do meu gato amazonense quando tive de me separar dele para viver em São Paulo. Agora a história é outra: um cachorro…
         Um cão de raça, com pedigree, como se diz. Forte, belo, musculoso, de pelagem castanha, focinho altivo e dentes perfeitos. Um príncipe de quatro patas.
       Uma corrente de aço amarrava-o a um poste, enquanto o dono, que comprava brioches numa das boas padarias afrancesadas de São Paulo, andava livremente.
       Gania como um louco. Às vezes parecia chorar de dor, saudade, solidão ou desamparo. Dava dó. E o dono demorava. Então os transeuntes se apresentaram. Paravam perto do poste, admiravam a beleza do animal e se condoíam com o sofrimento alheio. Alguém se revoltou com tamanha insensibilidade do dono. Uma mulher se agachou, murmurou palavras ternas ao pobre bicho, acariciou-o com dedos cheios de anéis. Esse gesto comoveu o mundo.
         Enfim, ele apareceu à porta da padaria. É natural que o cão tenha sido o primeiro a farejar a presença de seu dono; os transeuntes abriram-lhe passagem, e o reencontro foi um alvoroço, uma festa diurna. “Ele é mimado”, disse o dono, como se falasse de um filho.
       O pelourinho foi banido, e o poste readquiriu sua função de poste. Solto e livre como um verdadeiro cidadão, o cachorro saltou de alegria, enchendo a manhã de esperança; depois, ele e outros bichos foram o centro da conversa. É uma dádiva que, num domingo ensolarado, o assunto não seja política.
       A calçada ficou quase deserta. Um homem a poucos metros do poste permaneceu na mesma posição. É um negro desempregado. Nesse domingo de Ramos ele é também um mendigo. O animal roubou-lhe a atenção, mas o homem ainda mantinha seus gestos. Sentado e com a mão espalmada, o homem pede uma moeda ou restos de comida.
       Outro dia, bem cedo, passei pela calçada da padaria e lá estava o homem. Uma roda de curiosos o observava. Sentado no mesmo lugar, mãos e braços caídos. Morto. Desde quando? Continuei meu passeio fútil. E perguntei a mim mesmo, com curiosidade, por onde andaria aquele belo cachorro.


(Milton Hatoum. “Domingo sem cachorro”.
http://terramagazine.terra.com.br, 17.04.2006. Adaptado)

Assinale a alternativa que apresenta concordância nominal e verbal correta.

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA E

     a) Os transeuntes intervém quando veem um animal de estimação em apuros ? sujeito simples com núcleo no plural (transeuntes); o correto é conjugar o verbo na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo (intervêm).
     b) Não se encontram cachorros e gatos em zoológicos, por mais exótico que sejam ? o correto é "exóticos" (concorda com cachorros e gatos).
     c) O faro dos cachorros lhe conferem a capacidade de saber quando o dono se aproxima ? o que lhes confere? O faro (sujeito simples com núcleo no singular, logo, o verbo deve ficar no singular).
     d) Algumas pessoas pagam muito mais caros por raças de cachorros que estão na moda ? temos um advérbio de preço (classe invarável), ele está relacionado com o verbo "pagar", o correto é "caro". OBS: Com verbo de ligação, barato e caro são adjetivos: Os carros estão baratos, mas as
    motos estão caras.
     e) O resgate de animais abandonados é motivado pela compaixão de muitos voluntários ? correto, verbo no singular concordando com o núcleo do sujeito "resgate"; pronome indefinido "muitos" concordando com o substantivo que acompanha.

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    ? FORÇA, GUERREIROS(AS)!!

  • Assertiva E

    O resgate de animais abandonados é motivado pela compaixão de muitos voluntários.

  • A questão requer conhecimento sobre Concordância Verbal e Nominal.


    ALTERNATIVA (A) INCORRETA – O erro está na concordância do verbo “intervir". Os verbos ter e vir e seus derivados apresentam o acento diferencial nas 3ª pessoas do presente do indicativo.

    Ele intervém / Eles intervêm. O correto deve ser: “Os transeuntes intervêm quando veem um animal de estimação em apuros".



    ALTERNATIVA (B) INCORRETA – O erro está na concordância do adjetivo “exótico",que deveria estar flexionado no plural concordando com os substantivos “cachorros e gatos", exercendo sintaticamente a função de sujeito composto. O correto deve ser: “Não se encontram cachorros e gatos em zoológicos, por mais exóticos que sejam".


    ALTERNATIVA (C) INCORRETA – O erro está na concordância do verbo “conferir" que deveria estar flexionado no singular concordando com o núcleo do sujeito simples singular “ faro". O correto deve ser: “O faro dos cachorros lhe confere a capacidade de saber quando o dono se aproxima".


    ALTERNATIVA (D) INCORRETA – O erro está na concordância do nome “caro". Tal palavra está desempenhando o papel de advérbio de preço, modificando o verbo “pagar". O correto deve ser: “Algumas pessoas pagam muito mais caro por raças de cachorros que estão na moda".



    Advérbio é uma classe gramatical invariável, isto é, não se flexiona em gênero nem em número.

    É preciso atentar-se para os adjetivos adverbializados, pois se tais palavras estiverem modificando um adjetivo, verbo ou próprio advérbio e até uma oração inteira, eles serão ADVÉRBIOS – sendo invariáveis.

    Exemplos:

    “A minha casa foi muito cara."

    “A minha casa custou muito caro."


    No 1º exemplo, a palavra “caro" está caracterizando o substantivo “casa", logo é adjetivo e, nesse caso, concorda com a palavra “casa".

    No 2º exemplo, a palavra “caro" está modificando o verbo “custar" atribuindo-lhe uma circunstância de preço, logo é advérbio e, nesse caso, não deve se flexionar.


    ALTERNATIVA (E) CORRETA – A concordância verbal e nominal está correta. O adjetivo “abandonados" está concordando com o substantivo masculino plural “animais"; o adjetivo “voluntários" concordando com o pronome substantivo indefinido masculino plural “muitos" e a locução verbal “é motivado" concordando com o núcleo do sujeito singular “resgate".


    GABARITO DA PROFESSORA: ALTERNATIVA (E)

  • Complementando:

    c) O faro dos cachorros lhe conferem a capacidade de saber quando o dono se aproxima.

    → O correto é: O faro dos cachorros lhes confere (o faro confere a eles [aos cachorros]) a capacidade de saber quando o dono se aproxima.