SóProvas


ID
3832450
Banca
FCC
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2019
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Atenção: Para responder a questão, considere o texto abaixo.

1     Tenho um sonho que, acho, nunca realizarei: gostaria de ter um restaurante. Mais precisamente: gostaria de ser um cozinheiro. As cozinhas são lugares que me fascinam, mágicos: ali se prepara o prazer. O cozinheiro deve ser psicólogo, conhecedor dos segredos da alma e do corpo. Mas não sei cozinhar. Acho que devido a isso que escrevo. Escrevo como quem cozinha.
2     A relação entre cozinhar e escrever tem sido frequentemente reconhecida pelos escritores. É a própria etimologia que revela a origem comum de cozinheiros e escritores. Nas suas origens, sabor e saber são a mesma coisa. O verbo latino “sapare” significa, a um só tempo, tanto saber quanto ter sabor. Os mais velhos haverão de se lembrar que, num português que não se fala mais, usava- -se dizer de uma comida que ela “sabia bem”.
3     Suponho que Roland Barthes também tivesse uma secreta inveja dos cozinheiros. Se assim não fosse, como explicar a espantosa revelação com que termina um dos seus mais belos textos, A lição? Confessa que havia chegado para ele o momento do esquecimento de todos os saberes sedimentados pela tradição e que agora o que lhe interessava era “o máximo possível de sabor”. Ele queria escrever como quem cozinha – tomava os cozinheiros como seus mestres.
4     A leitura tem de ser uma experiência de felicidade. Por isso que Jorge Luis Borges aconselhou aos seus estudantes que só lessem o que fosse prazeroso: “Se os textos lhes agradam, ótimo. Caso contrário, não continuem, pois a leitura obrigatória é uma coisa tão absurda quanto a felicidade obrigatória”.
5     Esta é a razão por que eu gostaria de ser cozinheiro. É mais fácil criar felicidade pela comida que pela palavra... Os pratos de sua especialidade, os cozinheiros os sabem de cor. Basta repetir o que já foi feito. Mas é justamente isso que está proibido ao escritor. O escritor é um cozinheiro que a cada semana tem de inventar um prato novo. Cada semana que começa é uma angústia, representada pelo vazio de folhas de papel em branco que me comandam: “Escreva aqui uma coisa nova que dê prazer!” Escrever é um sofrimento. A cada semana sinto uma enorme tentação de parar de escrever. Para sofrer menos.

(Adaptado de: ALVES, Rubem. “Escritores e cozinheiros”. O retorno e terno. Campinas: Papirus, 1995, p. 155-158) 

As cozinhas são lugares que me fascinam, mágicos: ali se prepara o prazer. (1º parágrafo)

Na frase acima, sem prejuízo para as relações de sentido estabelecidas no texto, o sinal de dois-pontos pode ser substituído por 

Alternativas
Comentários
  • As cozinhas são lugares que me fascinam, mágicos: ali se prepara o prazer.

    Os dois pontos dão inicio a uma explicação e é perfeitamente possível a troca pela conjunção coordenativa explicativa pois acrescida da vírgula.

    GABARITO. B

  •  Gabarito: B

    ✓ As cozinhas são lugares que me fascinam, mágicos: ali se prepara o prazer. (1º parágrafo)

    ➥ A ideia após os dois-pontos é de explicação, explica-se o porquê as cozinhas são lugares mágicos, fascinantes.

     a) porém, seguido de vírgula → INCORRETO. Temos, em destaque, uma conjunção coordenativa adversativa e não explicativa.
     b) pois, precedido de vírgula → CORRETO. Temos, em destaque, uma CONJUNÇÃO COORDENATIVA EXPLICATIVA. As cozinhas são lugares que me fascinam, mágicos, POIS ali se prepara o prazer.
     c) com isso, precedido de vírgula → INCORRETO. Temos, em destaque, uma explicação que denota conclusão, equivale à conjunção coordenativa conclusiva "dessa maneira".
     d) então, seguido de vírgula → INCORRETO. Temos, em destaque, uma conjunção coordenativa conclusiva e não explicativa.
     e) por isso, seguido de vírgula → INCORRETO. Temos, em destaque, uma conjunção coordenativa conclusiva e não explicativa.

    ➥ FORÇA, GUERREIROS(AS)!!