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ID
3843463
Banca
IESES
Órgão
CRM-SC
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Leia o texto a seguir para responder a questão sobre seu conteúdo.

A moça em prantos

    O poeta encontrou uma pedra no meio do caminho, nunca esqueceu dessa pedra, que lhe deu assunto para o seu poema mais conhecido. Não sendo poeta, encontrei não uma, mas infinitas pedras no meio do caminho, e não só no meio, mas no início e no fim de cada caminho. Não me renderam um único poema, nem mesmo uma modesta crônica.
    Mas jamais esqueci a primeira moça que vi chorando. Eu devia ter seis ou sete anos, achava que só as crianças podiam e deviam chorar, tinham motivos bastante para isso, desde as fraldas molhadas nos primeiros meses de existência até a inexpugnável barreira dos “não pode”, que emparedam a infância e criam neuras para o resto da vida.
    Um adulto chorando era incompreensível para mim, um acontecimento pasmoso, uma aberração da natureza, pois os adultos podiam tudo e tudo lhes é permitido. E a moça era um adulto, ao menos para mim, embora ela fosse realmente moça, aí pelos 15 anos ou pouco mais.
    E chorava. Não abrindo o berreiro como as crianças, mas dolorosamente, e na certa misturando motivos.
    Mesmo assim fiquei imaginando a causa do seu pranto. Faltara à escola e por isso ficara sem sobremesa? Fora proibida de brincar na calçada? Queria ganhar uma bicicleta e fora convencida a continuar com o insípido velocípede?
    Vi muita gente chorando depois, homens feitos, mulheres maduras. Eu mesmo, quando levo meus trancos, repito o menino que ia para debaixo da mesa de jantar para poder chorar sem passar recibo da minha dor. Hoje, ficaria feio esconder-me debaixo das mesas, mas sei que é um bom lugar para isso. Melhor do que a cama, onde devemos fazer outras coisas. A moça que chorava não se escondera, chorava de mansinho, na verdade nem parecia estar chorando. Devia apenas estar muito triste porque misturava todos os motivos para a sua tristeza.
(Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 04/05/2003) 

Assinale a alternativa cujas palavras são acentuadas pela mesma regra de INEXPUGNÁVEL:

Alternativas
Comentários
  • Inexpugnável Temos uma paroxítona terminada em L, é o mesmo casa das palavras solúvel e dúctil.

    GABARITO. A

  • Gabarito: A

    A palavra INEXPUGNÁVEL é graficamente acentuada por uma paroxítona finalizada em L (penúltima sílaba tônica). 

     a) Soluvel, ductil → CORRETO. Em "solúvel" e "dúctil", temos dois exemplos de vocábulos paroxítonos finalizados pela consoante L. Portanto, é a nossa resposta.
     b) Essencial, primordial → INCORRETO. Temos oxítonas finalizadas em L, razão por que não recebem acento gráfico.
     c) Trivial, casual → INCORRETO. Temos oxítonas finalizadas em L, razão por que não recebem acento gráfico.
     d) Ardil, vil → INCORRETO. "Ardil" é oxítono finalizado em L, enquanto "vil" é monossílabo tônico encerrado pela consoante lateral L. Ambos os vocábulos, portanto, não devem ser graficamente acentuados.

    ➥ FORÇA, GUERREIROS(AS)!!