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ID
5205775
Banca
CONTEMAX
Órgão
Câmara de Flores - PE
Ano
2020
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

TEXTO 
ÉTICA PARA MEU FILHO

   (...)Veja: alguém pode lamentar ter procedido mal mesmo estando razoavelmente certo de que não sofrerá represálias por parte de nada nem de ninguém. É que, ao agirmos mal e nos darmos conta disso, compreendemos que já estamos sendo castigados, que lesamos a nós mesmos - pouco ou muito - voluntariamente. Não há pior castigo do que perceber que por nossos atos estamos boicotando o que na verdade queremos ser...
   De onde vêm os remorsos? Para mim está muito claro: de nossa liberdade. Se não fôssemos livres, não nos poderíamos sentir culpados (nem orgulhosos, é claro) de nada e evitaríamos os remorsos. Por isso, quando sabemos que fizemos algo vergonhoso procuramos afirmar que não tivemos outro remédio senão agir assim, que não pudemos escolher: “cumpri ordens de meus superiores”, “vi que todo o mundo fazia a mesma coisa”, “perdi a cabeça”, “é mais forte do que eu”, “não percebi o que estava fazendo”, etc. Do mesmo modo, quando o pote de geleia que estava em cima do armário cai e quebra, a criança pequena grita chorosa: “Não fui eu!”. Grita exatamente porque sabe que foi ela; se não fosse assim, nem se daria ao trabalho de dizer nada, ou talvez até risse e pronto. Em compensação, ao fazer um desenho muito bonito essa mesma criança irá proclamar: “Fiz sozinho, ninguém me ajudou!” Do mesmo modo, ao crescermos, queremos sempre ser livres para nos atribuir o mérito do que realizamos, mas preferimos confessar-nos “escravos das circunstâncias” quando nossos atos não são exatamente gloriosos.
(SAVATER, Fernando. Ética para meu filho.Trad. Monica Stahel. São Paulo: Martins Fontes, 1997. Tradução de: Ética para Amador.)

O conectivo destacado na passagemNão há pior castigo do que perceber que por nossos atos estamos boicotando o que na verdade queremos ser...” (1º parágrafo) estabelece uma relação semântica de:

Alternativas
Comentários
  • Assertiva C

    causa = “Não há pior castigo do que perceber que por nossos atos estamos boicotando o que na verdade queremos ser...” 

  • Por CAUSA de nossos atos....

  • Por causa de nossos atos estamos boicotando o que queremos ser. Ordem direta.

  • Não há pior castigo do que perceber que por[CAUSA DOS] nossos atos estamos boicotando o que na verdade queremos ser...” 

  • A relação de causa e consequência está intimamente ligada. Como distingui-las então? separe a oração principal da subordinada e veja se aquela que tem o conector é causa ou consequência da principal. Para tanto pense na ordem cronológica dos fatos. Se a oração que estiver com a conjunção ocorrer cronologicamente primeiro, será causa, do contrário, consequência. Vejamos:

    Estamos boicotando... por nossos atos.

    O que acontece cronologicamente primeiro? os nossos atos! Primeiro praticamos atos que, consequentemente, boicotam o que queremos ser. Como dito anteriormente, se a oração com o conector acontecer primeiro a relação será de causa.