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ID
5404051
Banca
UFMT
Órgão
UFMT
Ano
2021
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Instrução: Leia o texto e responda à questão.

2020 
   E vamos nós para o ano vinte-vinte, na esperança de que a repetição dos números signifique alguma coisa. Vivemos sempre com a expectativa que uma anomalia, qualquer anomalia, qualquer ruptura com o normal – como um ano com números reincidentes – seja um sinal. Estão querendo nos dizer alguma coisa. Quem, e o quê? Os avisos chegam de todos os lados, caberia a nós entendê-los. A Terra fala conosco por meio dos seus desastres naturais: terremotos e vulcões seriam recados a serem decifrados. A História fala conosco por meio dos seus intérpretes. E o Universo se dirige a nós pelos astros. 
   As pessoas procuram nos astros a evidência de que não estão sozinhas, que algo guia seus passos e orienta sua vida – de longe, bem longe. A persistente crença em astrologia, apesar da dificuldade em conciliar seus princípios e sua linguagem com o bom senso, não tem explicação – ou só se explica pela renúncia à racionalidade que também é uma forma de buscar uma direção na vida, venha ela de onde vier, das religiões ou de Júpiter.
   História pessoal, que já contei mais de uma vez: quando comecei a trabalhar na imprensa, há 200 anos, fazia de tudo na redação, depois de passar o dia no meu outro emprego de redator de publicidade. Um dia me pediram para fazer o horóscopo, já que o astrólogo profissional insistia em ganhar um aumento, uma reivindicação irrealista, dadas as condições do jornal. Como eu já fazia de tudo na redação, comecei a fazer o horóscopo também. Todos os dias inventava o destino das pessoas e distribuía as previsões e os conselhos pelos 12 signos do zodíaco.
   O horóscopo era a última coisa que eu fazia no jornal antes de ir me encontrar com a Lucia e, se tivéssemos sorte, ir a um cinema, de modo que meu horóscopo era sempre feito às pressas, e com a escassa energia que sobrava depois de um dia fazendo de tudo, na agência de publicidade e na redação. E então bolei uma solução genial para liquidar o horóscopo em pouco tempo e ir embora. Como era óbvio que as pessoas só querem saber o texto do seu próprio signo e não o dos outros, comecei a fazer um rodízio: mudava os textos de signo e de lugar. O que um dia era o texto para libra no dia seguinte era para sagitário, etc. Ninguém iria notar a trapaça sideral, os deuses me perdoariam.
   Não demorou para que o editor do jornal me chamasse. Tinha muita gente reclamando do horóscopo. O que eu pensava que era óbvio não era. Minha pseudoesperteza tinha sido descoberta, aparentemente todo o mundo lê todo o horóscopo todos os dias. Minha breve carreira de astrólogo terminou ali. Mas eu só queria dizer que, mesmo quando era eu que escrevia os textos, nunca deixava de olhar para ver o que libra reservava para meu futuro. Fazer o quê? Precisamos de uma direção na vida, venha ela de onde vier.
(Veríssimo, L. F. Disponível em: https://cultura.estadao.com.br. Acesso em: 23/01/2020.)

Sobre o uso da linguagem nesse texto, é correto afirmar:

Alternativas
Comentários
  • Esta questão avalia a capacidade interpretativa do candidato, bem como sua habilidade de elaborar hipóteses a partir do conteúdo lido. Questões dessa natureza sempre aparecem em provas de concursos públicos e, como, geralmente, oferecem textos associados um pouco extensos, requerem o máximo de atenção.

     

    Após a leitura do texto, o concurseiro deve apontar qual das afirmativas abaixo corresponde à resposta correta:

     

    A) O autor utiliza verbos no presente para relatar a parte narrativa do texto.

     

    Esta afirmação está incorreta, pois o autor usa, na parte narrativa do texto - que começa no 3º parágrafo, a partir do trecho “História pessoal, que já contei mais de uma vez: (...)" – verbos predominantemente no passado, como “contei", “comecei", “fazia".

     

    B) O uso de primeira pessoa do plural aproxima o autor de seus leitores, criando um tom casual para o texto.

     

    Esta é a resposta correta. Uma narrativa em 1a pessoa se configura quando a história é narrada por um personagem de cada vez, falando sobre e si mesmo. A narrativa pode ser no plural, no singular ou múltipla, bem como ser uma autoridade, de confiança ou uma enganosa "voz" e representa o ponto de vista da escrita. No caso, a opção do autor do texto associado pelo uso da 1ª pessoa do plural – marcada já na abertura (“E vamos nós") cria um efeito de aproximação entre autor e leitor, além de dar um tom casual, impessoal.



    C)
    Os verbos utilizados no segundo parágrafo apresentam-se no modo imperativo, reforçando a argumentação.

     

    Esta afirmação está incorreta. Verbos no imperativo são aqueles que exprimem ordens ou pedidos, como “Faça este relatório" ou “Pegue aquele trem". Os verbos do 2º parágrafo do texto não exprimem ordens ou pedidos e estão, além disso, no modo indicativo.



    D) O autor utiliza discurso de autoridade como forma argumentativa.

     

    Esta afirmação está incorreta. O autor do texto associado não usa argumento de autoridade. O argumento de autoridade é um recurso argumentativo caracterizado pela mobilização da obra de um autor consagrado ou de estudos legitimados pelas áreas do conhecimento, como na frase “Segundo Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Portanto, devemos valorizar a educação no Brasil". Vejam que, aqui, mobilizei um conceito de um autor consagrado, o filósofo Immanuel Kant, para embasar e justificar meu ponto de vista. Além disso, o texto associado não é argumentativo, mas sim, narrativo.

     

    Gabarito do Professor: Letra B.

  • aquele tipo de narrador personagem

    • narrado em 1 pessoa singular ou plural
    • ele é um dos personagem da historia

    gabarito B

    foi assim que achei a resposta !

  • ESSA CORREÇÃO DO PROFESSOR E BEM ESCLARECEDOR ENTÃO DECIDI POSTAR.

    Esta questão avalia a capacidade interpretativa do candidato, bem como sua habilidade de elaborar hipóteses a partir do conteúdo lido. Questões dessa natureza sempre aparecem em provas de concursos públicos e, como, geralmente, oferecem textos associados um pouco extensos, requerem o máximo de atenção.

    Após a leitura do texto, o concurseiro deve apontar qual das afirmativas abaixo corresponde à resposta correta:

     

    A) O autor utiliza verbos no presente para relatar a parte narrativa do texto.

    Esta afirmação está incorreta, pois o autor usa, na parte narrativa do texto - que começa no 3º parágrafo, a partir do trecho “História pessoal, que já contei mais de uma vez: (...)" – verbos predominantemente no passado, como “contei", “comecei", “fazia".

    B) O uso de primeira pessoa do plural aproxima o autor de seus leitores, criando um tom casual para o texto.

    Esta é a resposta correta. Uma narrativa em 1a pessoa se configura quando a história é narrada por um personagem de cada vez, falando sobre e si mesmo. A narrativa pode ser no plural, no singular ou múltipla, bem como ser uma autoridade, de confiança ou uma enganosa "voz" e representa o ponto de vista da escrita. No caso, a opção do autor do texto associado pelo uso da 1ª pessoa do plural – marcada já na abertura (“E vamos nós") cria um efeito de aproximação entre autor e leitor, além de dar um tom casual, impessoal.

    C) Os verbos utilizados no segundo parágrafo apresentam-se no modo imperativo, reforçando a argumentação. 

    Esta afirmação está incorretaVerbos no imperativo são aqueles que exprimem ordens ou pedidos, como “Faça este relatório" ou “Pegue aquele trem". Os verbos do 2º parágrafo do texto não exprimem ordens ou pedidos e estão, além disso, no modo indicativo.

    D) O autor utiliza discurso de autoridade como forma argumentativa.

     Esta afirmação está incorretaO autor do texto associado não usa argumento de autoridade. O argumento de autoridade é um recurso argumentativo caracterizado pela mobilização da obra de um autor consagrado ou de estudos legitimados pelas áreas do conhecimento, como na frase “Segundo Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Portanto, devemos valorizar a educação no Brasil". Vejam que, aqui, mobilizei um conceito de um autor consagrado, o filósofo Immanuel Kant, para embasar e justificar meu ponto de vista. Além disso, o texto associado não é argumentativo, mas sim, narrativo.

     

    Gabarito do Professor: Letra B.