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ID
5479867
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-SC
Ano
2021
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

    Estabelecer fronteiras é o fenômeno originário da violência instauradora do direito em geral, segundo Walter Benjamin, autor do ensaio Para uma crítica da violência, de 1921. O ato jurídico-político originário é o estabelecimento de fronteiras que delimitam dentro e fora, incluídos e excluídos, amigos e inimigos da pátria. Em seus primórdios, “todo direito foi um direito de prerrogativa (ou privilégio) dos reis ou dos grandes; em suma: dos poderosos”. O privilégio primordial de apropriar a terra, nomeá-la e ordená-la indica o nexo território-Estado-nascimento que caracteriza o antigo e ainda atual nómos da terra, do qual o fechamento de fronteiras em tempos de pandemia é mero sintoma. Se a figura do refugiado nos é tão inquietante, é porque coloca em questão uma vida humana em terra de ninguém. 
    Em O nómos da terra, o controverso jurista alemão Carl Schmitt, com quem Benjamin trocou correspondências, descreve a origem do termo nómos, palavra grega para “lei”. Nómos indica a ordenação espacial original necessária para o estabelecimento de toda e qualquer ordem jurídica. Nómos indica que o direito está objetivamente enraizado na apropriação da terra. A constituição jurídica de um nómos, ou seja, a apropriação jurídica do espaço, tem por pressuposto a capacidade de nomear. No termo alemão Landnahme, apropriação ou tomada da terra, encontramos o termo nahme, antiga grafia de name, que significa “nome”. Nomear e constituir uma ordem jurídica são atos similares, na medida em que implicam apropriação. Exemplos históricos — incrivelmente ainda frequentes — são a imposição do nome do marido à mulher, que é “tomada em casamento”, ou o patronímico imposto à criança no momento do nascimento. 

Internet: <https://revistacult.uol.com.br> (com adaptações).

Julgue o item que se segue, relativos aos aspectos linguísticos do texto anterior. 


No segundo período do segundo parágrafo, dada a regência do termo “necessária”, a substituição de “para o estabelecimento” por ao estabelecimento preservaria a correção gramatical do período.

Alternativas
Comentários
  • NECESSÁRIO

    ''PARA'' OU

    NECESSÁRIO ''A''

    entao correto.

    DEUS te abençoe e nos guarde

    Aprovado em ACS 2021

  • GAB.: C

    A questão trata de regência nominal e no caso é preciso saber as preposições que cada palavra necessita.

    Nesse caso o adjetivo necessário admite o uso de duas preposições sem incorrer em erro gramatical:

    Preposição a: '"Fundos necessários ao armamento nacional." (Fialho de Almeida, Os Gatos, 106.) '

    Preposição para: '"Tendes abundantemente tudo o que é necessário para a vida."

    (Vieira, Sermões, V, 221.) '

    Não se pode confundir os casos em que o adjetivo aceita mais de uma preposição com verbos de dupla regência.

    Verbos de dupla regência são aqueles que podem ser Verbos Transitivos Diretos e também Verbos Transitivos Indiretos, temos como exemplo clássico, o verbo aspirar:

    Quando o verbo “aspirar” indicar a ideia de inalar, sorver, cheirar, ele sempre exigirá o complemento sem a preposição. Trata-se de um verbo transitivo direto.

    Ex.: Aspirou o ar cálido.

    Já no sentido de desejar, almejar, pretender, o verbo exige o complemento com a preposição. Trata-se de um verbo transitivo indireto.

    Ex.: Eu aspirava a uma posição mais brilhante.

  • Trata-se de regência NOMINAL.

    Necessária a

    Logo estaria correto NECESSÁRIA AO ESTABELECIMENTO.

  • vixeee, cespe ta cobrando regência com mais frequência

  • ''PARA'' OU

    NECESSÁRIO ''A''

  • É válido destacar que a mudança pode gerar dúvida por alterar o sentido original. Contudo o comando da questão fala somente sobre correção gramatical.
  • Minha contribuição.

    -Quando a CESPE afirma “… a reescrita mantém os sentidos do texto”, ela se refere aos sentidos originais do texto, ou seja, quer saber se esse sentido foi ou não alterado com a reescrita proposta.

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    -Quando a CESPE afirma “… a reescrita mantém a coerência no texto“, ela se refere à lógica das ideias, ou seja, quer saber se faz sentido ou não aquela reescrita proposta.

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    -Quando a CESPE afirma “… a reescrita mantém a correção gramatical“, ela está unicamente interessada em saber se as regras gramaticais – de ortografia, pontuação, concordância, etc. – são obedecidas.

    Fonte: Direção Concursos / robconcurseiro

    Abraço!!!

  • Eu pensei no sentido da preposição e errei...

  • "Para"

    -Conjunção adverbial de finalidade: "Para que", "Para + infinitivo".

    Ou

    -Preposição: Exigido ou não pela regência.

  • É possível dupla regência do adjetivo "necessário"

    • Isso é necessário para algo, ou
    • Isso é necessário algo.

  • "Necessário para o garoto"

    "Necessário ao garoto"

    Gabarito CORRETO

  • A jogada da cespe é fazer esse trocadilho de manter correção gramatical e/ou manter o sentido.

  • simples crie uma frase ex; Maria foi ao restaurante. Maria foi para o restaurante. ......
  • eu perco um tempão procurando no texto, detestável esse novo jeito de cobrar do cespe, saudade das indicações das linhas

  • GABARITO - C

    Dupla regência =

    É necessário "Para".

    É necessário "Ao".

  • tem que saber o que é período. já entrou na cachola.

  • NECESSÁRIA A + O ESTRABELECIMENTO = NECESSÁRIA AO ESTABELECIMENTO

  • Nesta questão estão envolvidos tópicos associados à regência e à concordância nominal, é a área que estuda as relações de dependência que as palavras mantêm na frase. É o modo pelo qual um termo rege o outro, que o complementa.

     

    Ao termo que necessita de um complemento, damos o nome de termo regente. O complemento se chama termo regido

     

    A regência pode ser verbal, relacionada aos verbos, ou nominal, relacionada a substantivos e adjetivos.

     

    Exemplos:

     

    >> Tenho certeza da sua escolha. 

     

    “Certeza"  é um substantivo, é o termo regente,  e “sua escolha"  é o termo regido, ou seja, o complemento. Trata-se, portanto, de um caso de regência nominal. Neste caso ambos são ligados por meio da preposição “de". 

     

     

    >> O  carro pertence ao meu pai.

     

    Aqui, “pertence" é um verbo, e é  o termo  regente,  e “meu  pai"  é o termo regido, ou seja, o complemento. Trata-se, portanto, de um caso de regência verbal. Neste caso ambos são ligados por meio da preposição “a".

     

    Para continuar o comentário, analisemos o enunciado da questão:

     

    Julgue o item que se segue, relativos aos aspectos linguísticos do texto anterior. 

    No segundo período do segundo parágrafo, dada a regência do termo “necessária", a substituição de “para o estabelecimento" por ao estabelecimento preservaria a correção gramatical do período.

    Temos, então, de apontar se a afirmação acima está correta e ela está. Vejamos o trecho do texto ao qual o enunciado faz alusão:

     

    “Nómos indica a ordenação espacial original necessária para o estabelecimento (...)".

     

    De acordo com as regras da regência nominal, a palavra “necessárias" (um adjetivo) é regida por preposição, preposição essa que, no texto associado é “para".

     

    Entretanto, a substituição do complemento “para o estabelecimento" por “ao estabelecimento" é perfeitamente possível e não fere as regras de regência nominal, visto que o adjetivo “necessárias" continuaria sendo regido por preposição, no caso, pela preposição “a". A única diferença é que como o complemento (“o estabelecimento") é um substantivo masculino, é preciso que haja a contração da preposição “a" + artigo definido “o" – “ao", para que a concordância nominal também fique correta.

     

    Gabarito do Professor: CERTO.

  • para o = ao = à

  • NECESSÁRIO

    ''PARA'' OU

    NECESSÁRIO ''A''

    entao correto.

    DEUS te abençoe e nos guarde

  • Uma dúvida: a mudança de "para" por "a" altera o sentido da oração?

  • o adjetivo necessárias continuaria sendo regido por preposição = a

    para o estabelecimento

    ao estabelecimento

  • Essa eles ajudaram d+. Disseram até o q o candidato deveria perceber (a regência de necessária).

  • E se estivesse perguntando da coerência e do sentido? Acho que o sentido mudaria.

  • Errei essa pq achei que estava concordando com o verbo indicar.

    O verbo indicar pode ser VTD, mas também pode ser VTI, ou seja , ele é BITRANSITIVO. Indicar no sentido dar recomendação (VTI) e no sentido de mostrar (VTD)

    Mas olhando agora, parece ter o sentido de mostrar msm,, sendo assim, é VTD.

    BENDITO PORTUGUÊS.... affff