SóProvas


ID
5617951
Banca
AOCP
Órgão
Prefeitura de Novo Hamburgo - RS
Ano
2022
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

ENTRE O DESESPERO E A ESPERANÇA: COMO REENCANTAR O TRABALHO?

Christophe Dejours

   Nos dias de hoje, quando se fala do trabalho, é de bom-tom considerá-lo a priori como uma fatalidade. Uma fatalidade socialmente gerada. E, de fato, é preciso reconhecer que a evolução do mundo do trabalho é bastante preocupante para os médicos, para os trabalhadores, para as pessoas comuns apreensivas com as condições que serão deixadas a seus filhos em um mundo de trabalho desencantado.
   E, no entanto, no mesmo momento em que devemos denunciar os desgastes psíquicos causados pelo trabalho contemporâneo, devemos dizer que ele também pode ser usado como instrumento terapêutico essencial para pessoas que sofrem de problemas psicopatológicos crônicos. No que concerne à visão negativa, é preciso distinguir o sofrimento que o trabalho impõe àqueles que têm um emprego do sofrimento daqueles homens e mulheres que foram demitidos ou que se encontram privados de qualquer possibilidade de um dia ter um emprego.
   Há, portanto, situações de contraste. Surge inevitavelmente a questão de saber se é possível compreender as diversas contradições que se observam na psicodinâmica e na psicopatologia do trabalho. Isso só é possível se defendermos a tese da “centralidade do trabalho”. Essa tese se desdobra em quatro domínios:
• no domínio individual, o trabalho é central para a formação da identidade e para a saúde mental,
• no domínio das relações entre homens e mulheres, o trabalho permite superar a desigualdade nas relações de “gênero”. Esclareço que aqui não se deve entender trabalho apenas como trabalho assalariado, mas também como trabalho doméstico, o que repercute na economia do amor, inclusive na economia erótica,
• no domínio político, é possível mostrar que o trabalho desempenha um papel central no que concerne à totalidade da evolução política de uma sociedade,
• no domínio da teoria do conhecimento, o trabalho, afinal, possibilita a produção de novos conhecimentos. Isso não é óbvio. O estatuto do conhecimento, supostamente elevado acima das contingências do mundo dos mortais, deve ser revisto profundamente quando se considera o processo de produção do conhecimento e não apenas o conhecimento. É o que se chama de “centralidade epistemológica” do trabalho. [...] 

Disponível em:
https://revistacult.uol.com.br/home/christophe-dejours-reencantar-o-trabalho/.
Acesso em: 14.dez.2021

Assinale a alternativa que apresenta uma reescrita semântica e gramaticalmente correta para o excerto “Nos dias de hoje, quando se fala do trabalho, é de bom-tom considerá-lo a priori como uma fatalidade.”. 

Alternativas
Comentários
  • Este gabarito esta correto?

  • Acredito que esse gabarito esteja equivocado. Na letra E), é claro que há prejuízo semântico em "fatalidade" e "inevitável", são significados diferentes. A meu ver, o gabarito seria letra D).

  • Bom, pessoal! Acabo de perceber como é complicado "mudar de banca" sem se sentir perdido. kkk

    Mas vamos lá, vou tentar ajudar..

    a)Agora, no momento em que falo do trabalho, considero-o, em primeiro lugar, uma fatalidade.

    • Aqui identifiquei pelo menos dois erros com relação ao trecho original. Primeiro, o texto não têm o caráter de denotar o que o autor considera sobre o trabalho, e sim, o de trazer um entendimento sobre o que as pessoas, de forma geral, pensam sobre o trabalho nos dias atuais. Repare que tanto o trecho original, quanto a reescritura trazem elementos dêiticos, mas com cargas diferentes. (considero= o autor considera - dêitico subjetivo; nos dias de hoje = no momento que o autor escreveu o texto - dêitico temporal). Além disso, o "agora" da reescritura não tem o mesmo significado de "nos dias de hoje" do trecho original.

    b) Atualmente, quando discutem sobre o trabalho, devem considerá-lo, em alto e bom tom, como um desastre.

    • O verbo no plural indica um sujeito oculto (eles), e no trecho original há o "se" funcionando como índice de indeterminação do sujeito; além disso, a palavra "fatalidade", contida no trecho original, não tem o significado de "desastre", mas sim de algo fortuito, que acaba acontecendo à revelia. Bem como, "em alto e bom tom" não pode ser usado pra substituir "é de bom-tom".

    c) Quando é falado do trabalho, nos dias que correm, é visto com bons olhos o ato de tê-lo sempre como se fosse algo ruim.

    • "nos dias que correm" não tem o mesmo significado de "dias de hoje"; "sempre" não pode ser usado pra substituir " a priori", pois essa expressão dá ideia de " a princípio"; e mais uma vez, "fatalidade "não está carregando necessariamente a conotação de "algo ruim". Ps: Alguém saberia explicar o erro da primeira oração?

    d)Hoje em dia, quando as pessoas falam sobre o trabalho, é socialmente adequado considerá-lo, sem sombra de dúvidas, como algo fatal.

    • Mais uma vez, o erro está na carga semântica dos termos utilizados para substituir " a priori" (sem sombra de dúvidas) e " fatalmente (algo fatal)

    e)Hodiernamente, quando falam do trabalho, é educado que o julguem, a princípio, como inevitável.

    Hodiernamente -> nos dias de hoje, atualmente, algo contemporâneo; é educado -> é de bom- tom; a princípio -> a priori; Inevitável - > fatalidade.

    Espero ter ajudado, gente! Mas como eu disse, to começando na banca agora, então, qualquer menção a erro ou consideração sobre o comentário, fiquem à vontade!

  • Hodiernamente foi duro

  • fatalidade

    1. substantivo feminino
    2. qualidade de fatal.
    3. destino que não se pode evitar; fado, fatalismo.
    4. "aquele suicídio foi uma f."

  • banca lixo

  • Creio que "fatalidade" e "inevitável" estejam no mesmo sentido.

    Ex.: As chuvas em Minas Gerais foi uma fatalidade, ou seja, inevitável.

  • Meu Deus me ajuda kkk

  • Fatalidade

    substantivo feminino

    1. 1.
    2. qualidade de fatal.
    3. 2.
    4. destino que não se pode evitar; fado, fatalismo.

    Inevitável

    adjetivo de dois gêneros e substantivo masculino

    1. que ou o que não se pode evitar, impedir.

    Há uma relação MUITO DISTANTE de significação, mas, creio eu, que no contexto usado, não há a mínima possibilidade de fazer a substituição de palavras.

    A banca foi muito sac4n4! Quem vem do CESPE, sofre um bocado com banca "me1a boca".

  • Há uma distância muito grande de sentido, por mais que eu tentasse aproximar ou fazer uma relação não consigo colocá-lo como sinônimos achei forçado.

  • Hodiernamente tem relação com o tempo . EX: hoje em dia

    Fatalidade eu considerei como algo inevitável, e chega um momento da vida que o trabalho é consequência. Espero ter ajudado.

  • Após ler umas 4 vezes, eu tinha quase certeza que seria a alternativa D, no entanto, acabei caindo feito um pato. Mas em fim, essa banca é de matar papai, saudades da CESPE rsrss.

  • Daí eu proclamo! Volta Cespe :/
  • Lucas Araújo, “fatalidade” e “inevitável” tem SIM o mesmo significado. Vejamos: Fatal - que é inevitável; que ocorre como se fora determinado pelo destino…
  • eu gabaritaria letra D, pois fatalidades podem ser evitadas, então pra mim não teria sentido a letra E
  • A priori - a princípio
  • Não marquei a D por causa do " sem sombra de dúvidas ".

  • EU ODEIO AOCP

  • Fiquei entre A e E.. A letra E está correta, ok.. Mas qual o erro da letra A?

  • Lendo o texto, dá-se a entender que, apesar de fatal ser o mesmo que inevitável, esse fatal, no contexto, tem outro significado: o de trágico (prejudicial, danoso, nocivo, infeliz...) enfim...

  • Minha opinião: não tem nenhuma alternativa correta.

    Sobre a "d"

    d- Hoje em dia, quando as pessoas falam sobre o trabalho, é socialmente adequado considerá-lo, sem sombra de dúvidas, como algo fatal.

    Parece-me que o erro está nesta parte que destaquei, porque a priori significar algo do tipo que está em começo: "em princípio", como se estivesse falando de uma regra geral, mas sem negar que podem existir exceções

    Mas fatalidade não tem nada a ver com inevitável, e sim como algo fatal (letra d), até porque existem pessoas que evitam trabalhar e vivem apenas do auxílio de outras pessoas e/ou do governo.

    Deveria ser anulada.

  • O termo "a priori" deixou relativamente fácil. O significado de "a priori" é : a princípio. Assim todas as alternativas que excluem a dúvida com os termos "sem sombra de dúvidas", "sempre", "devem" os quais demonstram certeza já podem ser excluídos. Dessa forma sobra apenas a alternativa "A" e "E". O termo "no momento em que falo do trabalho" é totalmente diferente o significado de "quando se fala do trabalho". Logo sobrando apenas a alternativa "E".

  • Não sabia o significado de hodiernamente , acabei acertando por exclusão já que as outras alternativas davam uma certeza ao final da frase e na frase original era um a priori, ou seja, o mais próximo de a priori seria a princípio. AOCP é barra!

  • a intuição te fala que é a letra E, mas ai você pensa.. não, a banca não vai fazer isso.. ai ela vai lá e faz! Letra D se fosse a banca CESPE.