SóProvas


ID
93538
Banca
FCC
Órgão
DNOCS
Ano
2010
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Cultura de massa e cultura popular

O poder econômico expansivo dos meios de
comunicação parece ter abolido, em vários momentos e
lugares, as manifestações da cultura popular, reduzindo-as à
função de folclore para turismo. Tal é a penetração de certos
programas de rádio e TV junto às classes pobres, tal é a
aparência de modernização que cobre a vida do povo em todo o
território brasileiro, que, à primeira vista, parece não ter sobrado
mais nenhum espaço próprio para os modos de ser, pensar e
falar, em suma, viver, tradicionais e populares.

A cultura de massa entra na casa do caboclo e do
trabalhador da periferia, ocupando-lhe as horas de lazer em que
poderia desenvolver alguma forma criativa de autoexpressão;
eis o seu primeiro tento. Em outro plano, a cultura de massa
aproveita-se dos aspectos diferenciados da vida popular e os
explora sob a categoria de reportagem popularesca e de
turismo. O vampirismo é assim duplo e crescente; destrói-se por
dentro o tempo próprio da cultura popular e exibe-se, para
consumo do telespectador, o que restou desse tempo, no
artesanato, nas festas, nos ritos. Poderíamos, aqui, configurar
com mais clareza uma relação de aparelhos econômicos
industriais e comerciais que exploram, e a cultura popular, que é
explorada. Não se pode, de resto, fugir à luta fundamental: é o
capital à procura de matéria-prima e de mão de obra para
manipular, elaborar e vender. A macumba na televisão, a escola
de samba no Carnaval estipendiado para o turista, são
exemplos de conhecimento geral.

No entanto, a dialética é uma verdade mais séria do que
supõe a nossa vã filosofia. A exploração, o uso abusivo que a
cultura de massa faz das manifestações populares não foi ainda
capaz de interromper para sempre o dinamismo lento, mas
seguro e poderoso da vida arcaico-popular, que se reproduz
quase organicamente em microescalas, no interior da rede
familiar e comunitária, apoiada pela socialização do parentesco,
do vicinato e dos grupos religiosos.

(Alfredo Bosi. Dialética da colonização. S. Paulo: Companhia
das Letras, 1992, pp. 328-29)

A pontuação desta frase está inteiramente correta:

Alternativas
Comentários
  • Regras do uso da vírgula:1 - Regra geral:* nunca separar os elementos estruturais da frase (sujeito - verbo - complemento)* se houver algum elemento entre eles deverá estar entre vírgulasCasos de emprego de vírgula:1 - aposto explicativoObina, melhor jogador desde Pelé, está jogando no Atlético-MG.2 - vocativoProst, você faz falta!3 - Orações ou expressões explicativasSeu comportamento, isto é, a atitude que tomou, não me agradou.4 - Advérbios de curta extensão fonética (se deslocados será facultativo)Aqui, reunem-se alunos aprovados. (como é deslocado é facultativo)5 - elementos pleonásticos (figura de linguagem)(caso facultativo)As pétalas, levou-as a água da chuva.6 - elementos elípticos (caso facultativo)Ela prefere cinema, e eu, teatro. (é facultativo a segunda vírgula, está eliptíco o verbo preferir)7 - antes do "e" quando sujeitos diferentesEla prefere cinema, e eu, teatro. (obrigatória a primeira vírgula)8 - entre orações coordenadas assindédicasObina corria, pedalava, driblava, batia e marcava.9 - entre orações coordenadas assindédicas e orações coordenadas sindédicasObina marcou um gol de bicicleta, entretanto não gostou da forma que a bola entrou.10 - na oração subordinada substantiva apositivaSó quero uma coisa, que você seja aprovado.11 - na oração subordinada adjetiva explicativaO homem, que é mortal, progride.12 - nas orações adverbias, quando na ordem invertidaQuando a vejo, fico feliz.
  • Errada a pontuação da alternativa (A), pois a oração subordinada reduzida inicia pelo gerúndio “sendo” e termina em “crer”; também não há vírgula entre “resistência” e “da cultura popular”, porque esse último segmento é complemento nominal de “resistência”. A frase, portanto, deve ser corrigida para “A dialética, sendo uma verdade mais séria do que se costuma crer, manifesta-se no processo de resistência da cultura popular”.

    Errada a pontuação da alternativa (B), pois “De fato” é adjunto adverbial deslocado, que se aconselha registrar isolado por vírgulas, da mesma forma que o segmento “com a enorme força de que dispõe”, que aparece somente com uma vírgula, e com relação à última vírgula da frase, que separa o adjunto adverbial “inapelavelmente”, deve ser suprimida, pois o adjunto está no seu lugar de origem na frase. Corrigida, a frase ficará “De fato, a cultura de massa, com a enorme força de que dispõe, costuma apropriar-se das formas da cultura popular inapelavelmente”.

    Errada a pontuação da frase constante na alternativa (C), que deve ser corrigida para “A socialização, proveniente das boas relações comunitárias, constitui, sem dúvida, uma bela forma de autopreservação na cultura popular”. O segmento “proveniente das boas relações comunitárias” aparece com uma só vírgula, devendo ser registrada a primeira. E o adjunto adverbial “na cultura popular”, no final da frase, não deve ficar isolado por vírgula, pois está no seu local de origem.

    Errada a pontuação da alternativa (E), que deve ser corrigida para “Costumam as diferentes manifestações de cultura popular descaracterizar-se, de vez que não resistem às pressões da cultura de massa”. A vírgula depois de “Costumam” separava o sujeito do seu verbo. E a vírgula antes de “às pressões da cultura de massa” separava o verbo (“resistem”) de seu objeto (“às pressões da cultura de massa”).



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