SóProvas


ID
1166053
Banca
FCC
Órgão
TRT - 16ª REGIÃO (MA)
Ano
2014
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                        Da utilidade dos prefácios

           Li outro dia em algum lugar que os prefácios são textos inúteis, já que em 100% dos casos o prefaciador é convocado com o compromisso exclusivo de falar bem do autor e da obra em questão. Garantido o tom elogioso, o prefácio ainda aponta características evidentes do texto que virá, que o leitor poderia ter muito prazer em descobrir sozinho. Nos casos mais graves, o prefácio adianta elementos da história a ser narrada (quando se trata de ficção), ou antecipa estrofes inteiras (quando poesia), ou elenca os argumentos de base a serem desenvolvidos (quando estudos ou ensaios). Quer dizer: mais do que inútil, o prefácio seria um estraga-prazeres.

          Pois vou na contramão dessa crítica mal-humorada aos prefácios e prefaciadores, embora concorde que muitas vezes ela proceda - o que não justifica a generalização devastadora. Meu argumento é simples e pessoal: em muitos livros que li, a melhor coisa era o prefácio - fosse pelo estilo do prefaciador, muito melhor do que o do autor da obra, fosse pela consistência das ideias defendidas, muito mais sólidas do que as expostas no texto principal. Há casos célebres de bibliografias que indicam apenas o prefácio de uma obra, ficando claro que o restante é desnecessário. E ninguém controla a possibilidade, por exemplo, de o prefaciador ser muito mais espirituoso e inteligente do que o amigo cujo texto ele apresenta. Mas como argumento final vou glosar uma observação de Machado de Assis: quando o prefácio e o texto principal são ruins, o primeiro sempre terá sobre o segundo a vantagem de ser bem mais curto.
          Há muito tempo me deparei com o prefácio que um grande poeta, dos maiores do Brasil, escreveu para um livrinho de poemas bem fraquinhos de uma jovem, linda e famosa modelo. Pois o velho poeta tratava a moça como se fosse uma Cecília Meireles (que, aliás, além de grande escritora era também linda). Não havia dúvida: o poeta, embevecido, estava mesmo era prefaciando o poder de sedução da jovem, linda e nada talentosa poetisa. Mas ele conseguiu inventar tantas qualidades para os poemas da moça que o prefácio acabou sendo, sozinho, mais uma prova da imaginação de um grande gênio poético.

                                                                                                    (Aderbal Siqueira Justo, inédito)


Considere as afirmações abaixo.

I. No primeiro parágrafo, a assertiva o prefácio seria um estraga-prazeres traduz o efeito imediato da causa indicada na assertiva os prefácios são textos inúteis.

II. No segundo parágrafo, o autor afirma que vai de encontro à tese defendida no primeiro porque pode ocorrer que um prefácio represente a parte melhor de um livro.

III. No terceiro parágrafo, o autor se vale de uma ocorrência real para demonstrar que o gênio inventivo de escritores iniciantes propicia prefácios igualmente criativos.


Em relação ao texto, está correto o que se afirma APENAS em

Alternativas
Comentários
  • estranho a resposta ser letra B....

    No primeiro paragrafo e colocado que o prefacio é desnecessario, e o autor no segundo relata que o prefacio pode ser necessario..

    como que o autor defende a mesma ideia do primeiro paragrafo??? 

  • Amigos há uma diferença a ser considerada no significado de: ao encontro de e de encontro a, vejamos:

    ao encontro de:

    Na direção de, à procura de ou em consonância com.

    de encontro a:

    Em sentido oposto = CONTRA

    Fonte: http://www.priberam.pt/dlpo/encontro



  • não entendi porque a primeira opção está errada. Um comentário do profesor cairia bem.

  • Algo ser inutil nao tem como ser causa de nada, ja que ele n tem utilidade. Assim, ser inutil nao é causa de ser estraga prazeres

  • Na primeira opção, não existe relação de causa e efeito. Ser estraga-prazeres não é efeito de ser útil ou inútil.

  • Eu não entendi porque a B é correta, pra mim a A também não é mas é "menos" errada que a B, se o segundo contraria o primeiro, como que pode ir de encontro à tese defendida no primeiro? Eu tentei ler várias vezes pra achar onde está meu erro de interpretação da resposta, mas não achei, alguém pra esclarecer?


    "Vai de encontro" teria, por acaso, o sentido de combater, para fazer analogia à contramão?
  • CUIDADO


    DE ENCONTRO A: contra, em oposição a.

    AO ENCONTRO DE: favorável a.


    Por isso o item II está correto!

  • A assertiva "A" está errada, pois o fato do prefácio ser um texto inútil não é condição para o mesmo ser um estraga-prazeres. Assim devemos entender que o prefácio além de ser um texto inútil é também um estraga-prazeres. São situações independentes.

  • Resposta letra B. Antes de explicar o meu entendimento sobre a questão acho importante frisar que as assertivas têm que ser avaliadas com o que o texto quer dizer, ou seja, não se a assertiva em si é compreensível. Tem que se avaliar o contexto. 
    Assertiva I, INCORRETA. "I. No primeiro parágrafo, a assertiva o prefácio seria um estraga-prazeres traduz o efeito imediato da causa indicada na assertiva os prefácios são textos inúteis."
                               A assertiva afirma que o prefácio seria um estraga-prazeres em razão de serem textos inúteis. O que o primeiro parágrafo diz na verdade é que o prefácio é um estraga-prazeres pois " aponta características evidentes do texto que virá". Ou seja, o que torna o prefácio estraga-prazeres é na verdade o fato dele apontar características do texto que virá e não o fato de ser inútil, como afirma a assertiva I. 

    ASSERTIVA II, CORRETA. "II. No segundo parágrafo, o autor afirma que vai de encontro à tese defendida no primeiro porque pode ocorrer que um prefácio represente a parte melhor de um livro." 

                                   O segundo parágrafo vai de encontro a tese defendida no primeiro parágrafo. O que significa essa afirmação? Ir de encontro, como apontado por alguns colegas, é ir em contramão a algo, dá ideia de oposição (diferente de ao encontro, que da ideia de ir na mesma direção, no mesmo sentido). No primeiro parágrafo o autor diz as razões dos prefácios serem mal vistos. Já no segundo parágrafo, em oposição ao primeiro, ou seja, na contramão do que afirma o primeiro, ele defende o porquê dos prefácios deverem ser bem vistos, defende que muitas vezes os prefácios são a melhor parte dos livros.              
    ASSERTIVA III, ERRADA. "III. No terceiro parágrafo, o autor se vale de uma ocorrência real para demonstrar que o gênio inventivo de escritores iniciantes propicia prefácios igualmente criativos."                               A terceira assertiva foi a que mais tive dificuldades de interpretar. Entendi o seguinte:  No terceiro parágrafo o autor, através de um exemplo real, demonstra o que foi dito no segundo parágrafo, ou seja, que apesar do livro da nova poetisa ser fraco, o prefácio conseguiu, de alguma forma, chamar mais atenção que o próprio texto. Diferente do que foi afirmado na assertiva III, o autor não se vale do terceiro parágrafo para demonstrar "que o gênio inventivo de escritores iniciantes propicia prefácios igualmente criativos." O terceiro parágrafo apenas demonstra o que foi dito no segundo parágrafo, através de um exemplo específico, de que as vezes o prefácio é melhor que o livro, e não para falar de escritores iniciantes aleatórios e seus prefácios. 


    Assim foi a minha interpretação quanto a questão. Fiquem a vontade para apontar eventuais erros e discordâncias. 
    Força, nossa hora vai chegar!!!
  • Errei a III, porque no parágrafo 3 afirma que: "Há muito tempo me deparei com o prefácio que um grande poeta, dos maiores do Brasil,"
       

    III. No terceiro parágrafo, o autor se vale de uma ocorrência real para demonstrar que o gênio inventivo de escritores iniciantes propicia prefácios igualmente criativos. 

  • Que belo comentário o da colega Caroline. Por favor, continue colaborando!

  • A primeira está errada, pois "prefácio seria um estraga- prazer" não é efeito imediato de "prefácio são textos inúteis", para mim há uma ideia de conclusão e não de causa e efeito. O fato dos prefácios serem textos inúteis não faz com que sejam estraga- prazeres. Por exemplo, uma pessoa ser inútil, não significa, necessariamente, que ela será estraga-prazeres. 

    II - no primeiro parágrafo, o autor fala  QUE LEU EM ALGUM LUGAR que os prefácios são inúteis e estraga- prazeres (logo, essa não é a opinião do autor e sim de outro autor). A opinião do autor está no segundo parágrafo. Realmente, no segundo parágrafo o autor vai de encontro à tese do primeiro. 

    Tese do primeiro = prefácio é inútil e estraga - prazeres

    Tese do segundo (tese do autor do texto) =  o autor diz: '"pois vou na contramão dessa crítica mal -humorada aos prefácios.., embora concorde que muitas vezes ela proceda - o que não justifica a generalização devastadora"