SóProvas


ID
1247119
Banca
VUNESP
Órgão
DESENVOLVESP
Ano
2014
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                                Googlall

      Vira e mexe, vejo-me olhando o sujeito na mesa ao lado e espremendo o cérebro feito um limão: de onde eu conheço esse cara? Terá sido meu companheiro no chalé IV do acampamento Rancho Ranieri, em 1987? O namorado da prima de uma ex-namorada, na faculdade? Um passageiro com quem troquei três frases na ponte aérea, semana passada?
      Muito em breve, essa e outras questões serão resolvidas num piscar de olhos. Literalmente: bastará encarar a pessoa através das nossas lentes de contato digitais e uma legenda aparecerá, como na viseira do Robocop: “Pedro Arruda, 35, advogado tributarista, vulgo ‘Goiabão’, roubou seus bonecos do Comandos em Ação na quarta série”.
      Tudo estará na rede e a rede estará em nós. Imagine um novo casal tendo aquela típica conversa: “Que coisa doida a gente nunca ter se esbarrado por aí antes... Será que a gente já passou pertinho um do outro em algum lugar?”. Como seremos chipados ao nascer, os namorados poderão ver as situações em que estiveram mais próximos acessando o histórico de seus GPSs pessoais. E já que as lentes filmarão o tempo inteiro, do exame do pezinho à pá de cal, dará até para assistirem às cenas de seus quase encontros: na infância, a três assentos de distância, no barco viking do Playcenter; na adolescência, se cruzando numa passeata dos “caras-pintadas”; numa tarde modorrenta de 2003, olhando pro painel de senhas do cartório Vampré, em Pinheiros. (Essas imagens, claro, estarão no vídeo de casamento dos dois, mandado diretamente para as lentes dos convidados.)
      Confesso que, quando penso neste futuro próximo, o que mais me atiça a curiosidade não são as maravilhas possíveis (como encontrar doadores compatíveis), mas as pequenas inutilidades. Como, por exemplo, pegar uma caneta Bic e, através das impressões digitais, descobrir as mãos pelas quais já passou, ver as fotos e perfis desses desconhecidos cujo único vínculo é uma esferográfica - e, quem sabe, uma medula óssea. Talvez, quando esse dia chegar, já não se precise mais de cronistas: cada pedrinha no chão, cada tijolo na parede, ao serem escaneados, contarão histórias muito mais ricas do que as que poderemos inventar. Enquanto esse dia não chega, contudo, continuamos aqui, todo domingo.

                    Antonio Prata, Folha de S.Paulo, 09.03.2014. Adaptado)

Assinale a alternativa em que o trecho – ... vejo-me olhando o sujeito na mesa ao lado e espremendo o cérebro feito um limão: de onde eu conheço esse cara? – está corretamente reescrito, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, tendo-se as expressões destacadas substituídas por pronomes.

Alternativas
Comentários
  • No primeiro caso, "o sujeito na mesa ao lado" trata-se de objeto direto. Logo, o trecho pode ser substituído pelo pronome pessoal do caso oblíquo "o".

    No segundo caso, deve haver ênclise, uma vez que o pronome pessoal do caso reto "eu" é partícula atrativa facultativa.

    Portanto, a alternativa correta é a letra A.

  • A

    Podem ser O.D -> a, as, o, os.

  • MACETE

    *O complemento indireto é o que se inicia pelo A (A ele/ A eles) ou

    * Assume o valor aproximado de um pronome possessivo.

    PARA IDENTIFICAR OS TRANSITIVOS DIRETOS (O A OS AS) BASTA PASSAR PARA A VOZ PASSIVA.

    Beneficiou-o (algo/alguem foi beneficiado)

    Agradeceu-lhe o convite (Agradecer algo A alguem)

  • Letra A

    No primeiro caso: ... vejo-me olhando-o  e esperando ... - Forma normal do verbo usa: o, a, os, as. No segundo caso: ... de onde eu o conheço? - Interrogativa usa: próclise.
  • Socorro...

  • Para responder essa questão, busquei excluir as questões com lhe que estavam depois do verbo na presença do ponto de interrogação e também pela falta de preposição não se coloca lhe...

  • ... vejo-me olhando o sujeito na mesa ao lado e espremendo o cérebro feito um limão: de onde eu conheço esse cara?

     

    ...olhando = VTD. Quem olha, olha algo. Olha o quê?

    ...o sujeito na mesa ao lado = OD. 

    ...eu conheço = VTD. Quem conhece, conhece alguém. Quem?

    ...esse cara = OD. 

     

    COLOCAÇÃO PRONOMINAL - PRONOMES OBLIQUOS

     

    me e te - substitui OD ou OI

    nos e vos - substitui OD ou OI

    o,a, os, as - substitui OD 

    lhe e lhes - substitui OI

     

    Logo, usar o "lhe" estaria incorreto, pois o "lhe" é usado para substituir OI e ambos os casos são OD.

     

    Alternativa correta letra a)... vejo-me olhando-o e espremendo o cérebro feito um limão: de onde eu conheço?

     

    Quanto a posição do pronome:

    1) olhando-o - trata-se de uma ênclise (pronome após o verbo). É regra geral. Foi usada por causa do verbo no gerundio.

    2) o conheço  - trata-se de próclise (pronome antes do verbo). Foi usada a próclise, pois havia fator de atração, no caso, frase interrogativa.

  • Olhar é VTD.
    Conhecer é VTD. -> NÃO SE USA "LHE(S)"

    GABARITO -> [A]

  • " ... vejo-me olhando o sujeito na mesa ao lado."  (vejo-me olhando-o, como não há palavra atrativa que justifique a próclise, temos ênclise.)

    " ... de onde eu conheço esse cara?" (de onde eu o conheço, pronomes são palavras atrativas e é pergunta Logo, temos próclise.)

     

    Por que não o "lhe"? Observem que os verbos em questão são transitivos diretos. Sendo assim, admitem como complemento os objetos diretos e o "lhe" exerce função apenas de objeto indireto. Logo, essa colocação incorreria em erro. Além disso, não há alternativa em que haja o "lhe" em ênclise e próclise respectivamente. Portanto, apenas a colocação pronominal mataria essa questão.

     

    Quem escolheu a busca não pode recusar a travessia - Guimarães Rosa

    ------------------- 

    Gabarito: A

  • só uma observação no comentário abaixo, o pronome reto EU não é fator de atração de próclise, no caso em questão é próclise porque é uma pergunta, mas não tem atrativo

  • Assertiva A

     vejo-me olhando-o e espremendo o cérebro feito um limão: de onde eu conheço?