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ID
1313521
Banca
CETRO
Órgão
Prefeitura de São Paulo - SP
Ano
2014
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

     A Câmara preparou um generosíssimo pacote de vantagens para empresas que têm pendências com a Receita. Os obséquios estão na MP 627, que agora tramita no Senado. Caso as benesses sejam aprovadas cabe ao governo vetá-las? 44

     Um fato da vida moderna que nem sempre recebe a devida apreciação é o poder do fisco para promover e reprimir comportamentos. Gostamos de imaginar que é a lei que cumpre esse papel, mas impostos tendem a ser muito mais eficazes.

     Enquanto normas penais atuam, exclusivamente, pelo lado negativo - elas estabelecem uma sanção para a conduta que queremos coibir, que só será imposta se o delinquente for pego -, taxas agem tanto no plano das barreiras quanto no dos incentivos e se aplicam automaticamente a quase todos os contribuintes.

     A correlação entre a carga fiscal que incide sobre um produto e seu nível de consumo pela sociedade é conhecida desde sempre. Em inglês existe até a sugestiva expressão “sin tax” (imposto sobre o pecado) para designar os tributos diferenciados que recaem sobre atividades tidas como “indesejadas”, a exemplo do consumo de tabaco e álcool e o jogo.

     Se há algo que parlamentares e autoridades econômicas não podem negligenciar, portanto, são os aspectos psicológicos da legislação fiscal. Nesse quesito, a MP 627 é desastrosa.

     Anistias fiscais até fazem sentido em condições específicas, como a retomada depois de megacrises ou quando o Estado fica totalmente sem caixa. Mas, mesmo aí, precisam ser utilizadas com extrema parcimônia. Uma vez por século soa como uma frequência razoável.

     Quando elas são concedidas duas vezes por década, como tem acontecido no Brasil, o poder público está basicamente dizendo aos empresários que vale a pena sonegar e esperar o próximo perdão. É uma mensagem que, dada a eficácia dos impostos para moldar comportamentos, eles captam com extrema facilidade.

             SCHWARTZMAN, H. Crime tributário. Folha de S.Paulo, 15 abr. 2014, p. A2. Texto com adaptações.

Considerando a organização sintática da frase em que se inserem e o valor semântico que apresentam os seguintes conectivos extraídos do texto, assinale a alternativa incorreta

Alternativas
Comentários
  • A letra B é a incorreta:

    Na medida em que exprime uma ideia de causa e equivale a "tendo em vista que" e só nesse sentido deve ser usada.

    Dependendo do contexto Enquanto pode exprimir proporção (texto da questão) ou tempo:

    Proporcional:
    Iniciam uma oração subordinada em que se menciona um fato realizado ou para realizar-se simultaneamente com o da oração principal (ex.: à medida que, ao passo que, à proporção que, enquanto, quanto mais … (mais), quanto mais (tanto mais), quanto mais … (menos), quanto mais … (tanto menos), quanto menos … (menos), quanto menos … (tanto menos), quanto menos … (mais), quanto menos … (tanto mais)).

    Temporal:
    Iniciam uma oração subordinada indicadora de circunstância de tempo (ex.: quando, antes que, depois que, até que, logo que, sempre que, assim que, desde que, enquanto, todas as vezes que, cada vez que, apenas, mal, que 


    Outra coisa...

    só existe "na medida em que" ou "à medida que", cada uma com seu uso específico, variações dessas expressões estão incorretas.


    fontes:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Conjunção

    http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint43.php

  • Acredito que a Letra a também está incorreta. Pois "uma vez que" é causal e "caso" é condicional.

  • Janayra, na "A Gramática para concursos públicos" , do autor Pestana, explica que as conjunção condicionais indicam HIPÓTESE e a conjunção "Uma vez que" também pode ser uma conjunção condicional se vier seguida de verbo no subjuntivo. É exatamente o que ocorre na letra "A", pois "CASO" é uma conjunção condicional e pode sem nenhum problema ser substituída.

  • Temporais: introduzem uma oração que acrescenta uma circunstância de tempo ao fato expresso na oração principal. São elas:quando, enquanto, antes que, depois que, logo que, todas as vezes que, desde que, sempre que, assim que, agora que, mal (= assim que), etc.

     

    Obs.: são incorretas as locuções proporcionais à medida em que, na medida que e na medida em que.

  • Li errado kkkk