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ID
1370728
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de João Pessoa - PB
Ano
2014
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Remédios e Venenos

No início do século XX, a indústria farmacêutica propagandeava as virtudes do ópio e da cocaína, puros e em vários remédios, para diversas finalidades, que eram consumidos livremente pela população, de crianças a idosos. Mas assim como não há registros da eficácia curativa dos remédios, também não há notícias de intoxicações e overdoses, e a ideia de "dependente de drogas" não existia.

Aracy de Almeida contava que, nos anos 30, se reunia com Noel Rosa, Mário Reis e outros artistas na Taberna da Glória e, quando a noite avançava e o cansaço chegava, mandavam um moleque à farmácia buscar "um bujãozinho de cocaína da Merck suíça", que era vendido legalmente no Brasil até 1937.

(....) Drogas sempre existiram, mas quando e como o consumo abusivo virou uma epidemia comportamental? Talvez nos anos 60, quando os hippies promoveram a cultura do LSD e da maconha, que eram associados ao ócio e à improdutividade, ao comportamento antissocial e à sensualidade pagã. A reação conservadora veio, nos Estados Unidos, com Nixon e a "guerra às drogas", que Reagan transformou em política de Estado, com os resultados desastrosos que se conhece e que fizeram tantos países repensar essa estratégia. Hoje a venda de maconha "medicinal" é livre em vinte estados americanos. Como no início do século XX.

No Uruguai, ela será comercializada pelo Estado, a preços populares (um terço da cotação atual na rua), mas sujeita a inúmeras, e inúteis, restrições. Estrangeiros não podem comprar, só fumar, e os usuários locais têm cota mensal de 40 gramas, mas podem vender a um amigo. Só 30% da população apoiam, mas o tabu foi quebrado e a experiência deles será uma pesquisa valiosa para nós.

(MOTTA, Nelson. O GLOBO, 13/12/2013)

"A reação conservadora veio, nos Estados Unidos, com Nixon e a 'guerra às drogas', que Reagan transformou em política de Estado, com os resultados desastrosos que se conhece e que fizeram tantos países repensar essa estratégia".

Considerando os termos sublinhados, assinale a alternativa que apresenta forma(s) inadequadamente usada(s), segundo as normas da escrita culta.

Alternativas
Comentários
  • Letra A gabarito.


    Acredito que o erro do termo usado erroneamente "se conhece" está na conjugação do verbo conhecer. O verbo "conhecer" é um verbo transitivo direto e o termo "se" é uma partícula apassivadora, não um índice de indeterminação do sujeito. Posto isso, o uso correto da expressão seria:


    [...] com os resultados desastrosos que se conhecem [...]


    Nesse caso o "se conhecem" concorda com o sujeito "que", a qual faz referência ao termo "resultados desastrosos".

  • Para complementar:

    O verbo "repensar", nesse caso, poderia ser colocado tanto no plural como no singular. A banca pediu a forma INADEQUADA. Portanto apenas o "se conhece" está errado. O correto seria "se conhecem", dando a ideia de que os resultados desastrosos SÃO CONHECIDOS, na voz passiva. No caso da análise do verbo "fizeram" e "repensar", poderíamos pensar de duas formas: LOCUÇÃO VERBAL (considerada pela Banca) : RESULTADOS QUE "Fizeram-nos" "repensar". Ou seja, o "nos" se refere a "tantos países", que exerce função de objeto direto. Nesse caso, está certo. RESULTADOS QUE "Fizeram tantos países" "repensarem". Ou seja, o "tantos países" exerce função de sujeito. Nesse caso, estaria certo também.

    . Portanto é facultativo o verbo "repensar" estar no plural ou singular.
    valewwww