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ID
1382074
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-SP
Ano
2006
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                      Acerca do bem e do mal
      Fulano é “do bem”, Sicrano é “do mal”. Não, não são crianças comentando um filme de mocinho e bandido; são frases de adultos, reiteradas a propósito das mais diferentes pessoas, nas mais diversas situações. O julgamento definitivo e em preto e branco que elas implicam parece traduzir o esforço de adotar, em meio ao caldeirão de valores da sociedade moderna, um princípio básico de qualificação moral e ética.Essa oposição rudimentar revela a necessidade que temos de estabelecer algum juízo de valor para a orientação da nossa própria conduta. Tal busca de discernimento é antiga, e em princípio é legítima: está na base de todas as culturas, dá sustentação a religiões e inspira ideologias, provoca os filósofos, os juristas, os políticos. O perigo está em que o movimento de busca cesse e dê lugar à paralisia dos valores estratificados.
      O exemplo pode vir de cima: quando um chefe de poderosa nação passa a classificar países inteiros como integrantes do “eixo do mal”, está-se proclamando como
representante dos que constituiriam o “eixo do bem”. Essa divisão tosca é, de fato, muito conveniente, pois faculta ao mais forte a iniciativa de intervir na vida e no espaço do mais fraco, sob a alegação de que o faz para preservar os chamados “valores fundamentais da humanidade”. Interesses estratégicos
e econômicos são, assim, mascarados pela suposta preservação de princípios da civilização. A História já nos mostrou, sobejamente, a que levam tais ideologias absolutistas, que se atribuem o direito de julgar o outro segundo o critério da religião que este professa, do regime político que adota, da etnia a que pertence. A intolerância em relação às diferenças culturais, por exemplo, acaba levando o mais forte à subjugação das pessoas “diferentes” – e mais fracas. É quando a ética sai de cena, para dar lugar à barbárie.
      A busca de distinção entre o que é “do bem” e o que é “do mal” traz consigo um dilema: por um lado, não podemos dispensar alguma bússola de orientação ética e moral, que aponte para o que parece ser o justo, o correto, o desejável; por outro lado, se o norteamento dos nossos juízos for inflexível como o teimoso ponteiro, comprometemos de vez a dinâmica que é própria da história e dos valores humanos. Não há, na rota da civilização, leis eternas, constituições que não admitam revisões, costumes inalteráveis. A escolha do critério de julgamento é sempre crítica e sofrida, quando responsável; dispensando-se, porém, a responsabilidade dessa escolha, restará a terrível fatalidade dos dogmas. Lembrando o instigante paradoxo de um filósofo francês, “estamos condenados a ser livres”. Nessa compulsória liberdade, de que fala o filósofo, a escolha entre o que é “do bem” e o que é “do mal” é uma questão sempre viva, que merece ser analisada e enfrentada em suas particulares manifestações históricas. Se assim não for, estará garantido um espaço cada vez maior para a ação dos fundamentalistas de todo tipo.
(Cândido Otoniel de Almeida)

Nessa compulsória liberdade, de que fala o filósofo (...).

Numa nova redação da frase acima, mantém-se corretamente a expressão sublinhada caso se substitua fala o filósofo por

Alternativas
Comentários
  • DICA: para resolver questões que envolvem o emprego dos pronomes relativos (que=o qual / quem / cujo(a) / onde / quanto ) como relatores, há que se conhecer um pouco de regência verbal, para verificar se o pron. relativo deve vir acompanhado de preposição, ou não. Depende da regência do verbo da oração que emprega o pronome relativo (oração subordinada adjetiva).


    Por exemplo: O filme a que assisti e do qual não gostei, saiu de cartaz.


    Justificativa da preposição: assistir(=ver) A e gostar DE.


    Voltando à questão,vejamos:


    Numa nova redação da frase acima, mantêm-se corretamente a expressão sublinhada (de que) caso substitua fala o filósofo por:

    ...

    b)  cuida o filósofo


    Para resolver essa questão é necessário conhecer a regência de cada verbo e o seu sentido para verificar qual deles exige a preposição DE.

    *na altern c) investigar é VTD.


    *na altern d) afligir pode ser V Int. / VTD / Vpron.T Indireto – prep. Com (afigir-secom)


    *na altern. e) dissertar pode ser V Int. / VTI – prep acerca,sobre


    *na altern .a) referir-se –VTI – prep. A


    RESPOSTA:  altern. B. cuida o filósofo


    O verbo cuidar = tratar de , ter atenção / VTI – prep.DE

  • a questão, em análise, trabalha conceitos de regência.

     

    - Quem fala, fala DE algo (...), logo devemos encontrar uma alternativa de igual regência.

     

    A) quem se refere, se refere A

    B) quem cuida, cuida DE (GABARITO)

    C) quem investiga, investiga algo

    D) quem aflige, aflige algo

    E) quem disserta, disserta SOBRE