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ID
1790656
Banca
FCC
Órgão
DPE-RR
Ano
2015
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

      Por volta de 1968, impressionado com a quantidade de bois que Guimarães Rosa conduzia do pasto ao sonho, julguei que o bom mineiro não ficaria chateado comigo se usasse um deles num poema cabuloso que estava precisando de um boi, só um boi.

      Mas por que diabos um poema panfletário de um cara de vinte anos de idade, que morava num bairro inteiramente urbanizado, iria precisar de um boi? Não podia então ter pensado naqueles bois que puxavam as grandes carroças de lixo que chegara a ver em sua infância? O fato é que na época eu estava lendo toda a obra publicada de Guimarães Rosa, e isso influiu direto na minha escolha. Tudo bem, mas onde o boi ia entrar no poema? Digo mal; um bom poeta é de fato capaz de colocar o que bem entenda dentro dos seus versos. Mas você disse que era um poema panfletário; o que é que um boi pode fazer num poema panfletário?

      Vamos, confesse. Confesso. Eu queria um boi perdido no asfalto; sei que era exatamente isso o que eu queria; queria que a minha namorada visse que eu seria capaz de pegar um boi de Guimarães Rosa e desfilar sua solidão bovina num mundo completamente estranho para ele, sangrando a língua sem encontrar senão o chão duro e escaldante, perplexo diante dos homens de cabeça baixa, desviando-se dos bêbados e dos carros, sem saber muito bem onde ele entrava nessa história toda de opressores e oprimidos; no fundo, dentro do meu egoísmo libertador, eu queria um boi poema concreto no asfalto, para que minha impotência diante dos donos do poder se configurasse no berro imenso desse boi de literatura, e o meu coração, ou minha índole, ficasse para sempre marcado por esse poderoso símbolo de resistência.

      Fez muito sucesso, entre os colegas, o meu boi no asfalto; sei até onde está o velho caderno com o velho poema. Mas não vou pegá-lo − o poema já foi reescrito várias vezes em outros poemas; e o meu boi no asfalto ainda me enche de luz, transformado em minha própria estrela.

(Adaptado de: GUERRA, Luiz, "Boi no Asfalto", Disponível em: www.recantodasletras.com.br. Acessado em: 29/10/2015) 

Mantendo-se a coesão e, em linhas gerais, o sentido original, o primeiro parágrafo do texto encontra-se corretamente reescrito em:

Alternativas
Comentários
  • Gabarito letra E

    Impertinente. Que não pode ou não consegue ser pertinente; que não tem pertinência; que não faz relação com o tópico em questão; inadequado ou descabido: sua colocação, neste caso, é impertinente. 

    Diz-se da pessoa que age sem pertinência; que se comporta de uma maneira descabida ou despropositada; que é inconveniente; insolente: seus comportamentos sempre são impertinentes. 
    Diz-se da pessoa que implica com tudo; que demonstra rabugice; rabugento ou implicante.
    s.m. e s.f. Pessoa rabugenta, mau humorada, ranzinza.

    Cabuloso é aquele indivíduo que é considerado importuno, aborrecido. É aquela pessoa que tem o hábito de reclamar, de incomodar, que causa constantes aborrecimentos.

    Fonte: http://www.significados.com.br


  • FCC "caprichou" nessa prova hein?!

  • Pra mim, essa parte " de modo que julguei não ficar chateado comigo o bom mineiro" da Alt. E não faz o menor sentido, fiquei em dúvida entre a D e a E, mas acabei colocando a D por conta dessa parte e errei...

     

    Alguém sabe o erro da letra D? 

  • Erro da letra D: Por volta de 1968 o autor do texto julgou que Guimarães não ficaria chateado.

    A alternativa D fala sobre a quantidade de bois que Guimarães conduzia por volta de 1968. O que não é a interpretação correta do parágrafo.

  • que prova fuderosa!!!!!!!!!

  • Eu acho que erro entre a letra d e letra e está na colocação do " , por volta de 1968, "

    que tem função de advérbio temporal.

    Já vi outras questões da FCC muitos parecidas onde o problema estava na colocação do adverbio.

  • Vi o erro da letra D, na interpretação.
    Veja este trecho da alternativa D: "... pensei comigo que o bom mineiro não se incomodaria de usar um de seus animais num poema renitente que estava precisando de um só deles."
    Ficou parecendo que Guimarães Rosa não iria se importar de, ele mesmo, usar um de seus bois em um poema.


    Agora veja o trecho original:  "...julguei que o bom mineiro não ficaria chateado comigo se usasse um deles num poema cabuloso que estava precisando de um boi, só um boi."
    Aqui fica claro que é o autor julgou que Guimarães Rosa não ficaria chateado caso ele, o autor, utilizasse um de seus bois em um poema.

    Eu enxerguei dessa maneira.

    Espero ter ajudado. Bons estudos a todos.

  • olha, essa D acredito que o erro dela é " a quantidade de bois conduzidos, sendo que o nucleo é " a quantidade", porém isso é um achismo meu, nao fundamentei, dai acredito que deveria ser a quantidade de bois conduzida. 

  • Gente, o erro na letra D não seria em " o bom mineiro não se incomodaria de usar"? O verbo não  exige a preposição "em"?

  • Tava em dúvida entre a D e a E. Mas vi que no texto original, ele fala da importância de um só boi e depois reafirma essa importância. A letra D não mostra essa reafirmação, coisa que a E faz. Aí pela bondade de Deus, acertei.

     

     

    Tô é lascado, mano!

  • a) Acerca de 1968, com a impressão da quantidade de bois por que Guimarães Rosa vinha conduzido do pasto ao sonho, cogitei comigo o bom mineiro não ficar chateado ao usar um deles num poema gazeteiro que estava precisando de um único boi.

    HÁ cerca de  indicando tempo. 

     

     

    b) Quando, em 1968, impressionei-me com a quantidade de bois com que era conduzido Guimarães Rosa, do pasto ao sonho; julguei o bom mineiro, que não ficasse chateado comigo ao usar um deles num poema encabulado que estava precisando de um boi solitário.

    Conduzir é VTD, assim , não há motivo dessa preposição.

     

     c) Às voltas de 1968, impressionado que estava à quantidade de bois de Guimarães Rosa, conduzidos do pasto ao sonho, julguei ao bom mineiro que não ficaria chateado comigo, por usar um deles num poema conveniente que precisasse de um único boi.

    Não achei justificativa para essa crase.

     

     d) Estando impressionado com a quantidade de bois conduzidos por Guimarães Rosa, por volta de 1968, do pasto ao sonho, pensei comigo que o bom mineiro não se incomodaria de usar um de seus animais num poema renitente que estava precisando de um só deles.

    NÃO fala que foi o autor do texto que iria usar o boi. A redação está ambigua, está parecendo que foi o Guimarães rosa que ia usar do boi.

     

    e) Estava eu impressionado, por volta de 1968, com a quantidade de bois que, do pasto ao sonho, eram conduzidos por Guimarães Rosa, de modo que julguei não ficar chateado comigo o bom mineiro, caso usasse um de seus animais num poema impertinente que precisava de um e apenas de um deles.

     

  • Pra mim um dos erros da D é que onde foi colocada a data deu a entender que Guimarães Rosa escreveu em 1968, e não que o autor do texto estava impressionado em 1968.

  • Por volta de 1968, impressionado com a quantidade de bois que Guimarães Rosa conduzia do pasto ao sonho, julguei que o bom mineiro não ficaria chateado comigo se usasse um deles num poema cabuloso que estava precisando de um boi, só um boi. 

  • Por volta de 1968, impressionado com a quantidade de bois que Guimarães Rosa conduzia do pasto ao sonho, julguei que o bom mineiro não ficaria chateado comigo se usasse um deles num poema cabuloso que estava precisando de um boi, só um boi. 

  • Por volta de 1968, impressionado com a quantidade de bois que Guimarães Rosa conduzia do pasto ao sonho, julguei que o bom mineiro não ficaria chateado comigo se usasse um deles num poema cabuloso que estava precisando de um boi, só um boi. 

    E

    Estava eu impressionado, por volta de 1968, com a quantidade de bois que, do pasto ao sonho, eram conduzidos por Guimarães Rosa, de modo que julguei não ficar chateado comigo o bom mineiro, caso usasse um de seus animais num poema impertinente que precisava de um e apenas de um deles.