SóProvas


ID
2303629
Banca
IDECAN
Órgão
INCA
Ano
2017
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Drogas proibidas? Não as químicas.

Na academia, rapazes bombados se injetam produtos para cavalos. Todos sabem, mas fingem não saber.

    O debate sobre drogas é defasado. Não sou consumidor. Mas, aqui do meu cantinho, vejo que o uso é completamente liberado, mesmo que neguem. Basta pagar. De vez em quando pegam alguém para fazer barulho. Só. Mas tudo continua como sempre. Com uma agravante. A ingestão de drogas químicas com seus efeitos imprevisíveis na saúde é bem maior. Estão na moda. Algumas são fáceis de comprar, pois nem consideradas drogas são. Um amigo foi, há uns três anos, a uma festa no Rio de Janeiro. É casado, pai de filhos – caretíssimo, como se diz. Foi por curiosidade, sempre ouvira falar de festas loucas. Um bando de amigos se juntou.

    – Quero ver como ele fica doidão.

    – Bora nessa.

    Serviram um refrigerante batizado. Até hoje ele não sabe com o quê. De repente, tudo ficou escuro. Abriu os olhos e viu um fio de luz apenas. Os sons vibraram em sua cabeça. As imagens da festa se transformavam a sua frente. Via as pessoas como num filme e os risos mais altos. Arrastou-se até a porta. Entrou no carro, com a convicção de que precisava sair de lá. Até hoje não sabe como chegou em casa.

    Eu, quando vou a festas ou baladas, só tomo refrigerante aberto na minha frente. Amigos podem achar divertido me ver “louco”. Tenho pressão alta, o que piora o risco de usar substâncias químicas. O MDMA, por exemplo, chamado só de MD, é indetectável se misturado numa bebida. Tem o princípio ativo do ecstasy, sem as anfetaminas. Altera a percepção. Há também o ecstasy. Deixa quem usa se achando cheio de energia, dançando a noite toda. Na gíria, chamado de bala. Se você ouviu seu filho adolescente dizer que experimentou uma bala da hora, suspeito que não foi de hortelã. Nas grandes casas noturnas, e nas festas itinerantes que se tornaram moda no eixo Rio-São Paulo, a bala é vendida abertamente. Se até eu sei, a polícia não sabe? No Brasil tudo se faz, embora tudo seja proibido. Outra na moda é a Ketamina (Cetamina). Um anestésico poderoso. Leva a transes, alucinações. Misturado com bebida, não se sabe, tudo pode acontecer. Para comprar tem de ter receita, difícil de conseguir. Mas tem amplo uso veterinário. É ótimo anestésico de cavalos. Você tomaria? Tem quem tome e arrase na noite.

    Numa linha próxima, há o G (pronuncia-se em inglês: algo como “dji”). Novamente: se seu filho estiver falando “dji” ao celular, não pense que ele está melhorando o inglês. Na real, é cola industrial. Inalada. Faz quem usa se sentir uma máquina na pista de dança. O G passa despercebido, tem um leve sabor salgado. Vem se tornando cada vez mais usado. Simples: aumenta o desejo sexual. A pessoa passa horas no sexo.

    Imagino o que é botar cola industrial no corpo. Ou anestésico de cavalo. O fígado deve gritar. Mas, de fato, muita gente é fã de produtos veterinários. Esses rapazes bombados, de corpo perfeito, frequentemente se injetam produtos para cavalos. Todo mundo finge que não sabe. Mas, no mundo das academias, quem não sabe? Um amigo, depois de tornear o corpo, perdeu o desejo sexual. Depois de um longo período sem esses produtos, está se recuperando.

    – Nunca mais quero saber disso – afirmou.

    Vamos ver. A escolha é entre a barriguinha de tanque e o sexo. Aposto que prefere a barriguinha.

    Nos supermercados há outras alternativas, como benzina. Ou acetona nas farmácias.

    Por isso penso: o debate sobre a legalização das drogas está completamente ultrapassado. Elas estão aí, à mão. Quem vai proibir alguém de cuidar do cavalo? Ou procurar cola industrial? Se alguém não conseguir, outro na mesma turma consegue. Muita gente já morreu nas pistas de dança. As drogas químicas são a nova onda, e sempre surge uma nova. Pior: um golpista ou predador sexual habilidoso pode sedar a vítima sem que ela nem perceba. Portanto, se em uma festa você sentir que as luzes estão mais coloridas e o som mais vibrante, alô, alô! Alguém pode ter te dado um ácido. Ah, sim, o ácido lisérgico continua em moda. Desde a década de 1960, só conquista clientela. Muitas drogas chegam e ficam. A discussão sobre a maconha, para mim, é obsoleta. Quem quiser pirar, pira. Embora o corpo derreta.

(WALCYR CARRASCO. Disponível em: http://epoca.globo.com/sociedade/walcyr-carrasco/noticia/2016/12/drogas-proibidas-nao-quimicas.html.)

Pior: um golpista ou predador sexual habilidoso pode sedar a vítima sem que ela nem perceba. Portanto, se em uma festa você sentir que as luzes estão mais coloridas e o som mais vibrante, alô, alô!” (11º§) O elemento coesivo “portanto” inicia uma oração que exprime a ideia de

Alternativas
Comentários
  • (B)


    CONCLUSIVAS:Exprimem conclusão ou consequência referentes à  oração anterior. As conjunções típicas são: logo, portanto e pois (posposto ao verbo). Usa-se ainda: então, assim, por isso, por conseguinte, de modo que, em vista disso, etc. Introduzem as orações coordenadas sindéticas conclusivas.


    Exemplos:

    Não tenho dinheiro, portanto não posso pagar.
    O time venceu, por isso está classificado.
    Aquela substância é toxica, logo deve ser manuseada cautelosamente.

    Fonte:http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint27.php

  • Conclusivas: ligam a oração anterior a uma oração que expressa ideia de conclusão ou consequência.

     

    São elas: logo, pois (depois do verbo), portanto, por conseguinte, por isso, assim.

  •  Conclusivas

    Exprimem conclusão  referentes à  oração anterior. As conjunções típicas são: logo, portanto e pois (posposto ao verbo). Usa-se ainda: então, assim, por isso, por conseguinte, de modo que, em vista disso, etc. Introduzem as orações coordenadas sindéticas conclusivas.

     

    GABA   B

  •  a) Contraste.( ERRADA) São elas: embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, apesar de que...

     b) Conclusão. (CORRETA) São elas: logo, pois(depois do verbo), portanto,assim, por conseguinte, então...

     c) Explicação.(ERRADA) São elas: porque, porquanto, pois(antes do verbo), por como...

     d) Acrescentamento.(ERRADA) Acho que aqui ele se refere as aditivas, são elas: e, nem, não só...mas também, além de, bem como, mais ainda, não só...como também ...

  • essa banca quando não é 8 é 80!

    fácil demais ou difícil demais,aff!!

  • A questão é sobre conjunções e quer saber o valor semântico do elemento coesivo “portanto” em “Pior: um golpista ou predador sexual habilidoso pode sedar a vítima sem que ela nem perceba. Portanto, se em uma festa você sentir que as luzes estão mais coloridas e o som mais vibrante, alô, alô!”. Vejamos:

     .

    Conjunções coordenativas são as que ligam orações sem fazer que uma dependa da outra, sem que a segunda complete o sentido da primeira. As conjunções coordenativas podem ser: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e explicativas.

     .

    A) Contraste.

    Errado.

    Conjunções coordenativas adversativas: têm valor semântico de oposição, contraste, adversidade, ressalva...

    São elas: mas, porém, entretanto, todavia, contudo, no entanto, não obstante, inobstante, senão (= mas sim)...

    Ex.: Não estudou muito, mas passou nas provas.

     .

    B) Conclusão.

    Certo. "Portanto", nesse caso, é conjunção coordenativa conclusiva e tem valor semântico de conclusão.

    Conjunções coordenativas conclusivas: têm valor semântico de conclusão, fechamento, finalização...

    São elas: logo, portanto, por isso, por conseguinte, pois (depois do verbo), então, assim, destarte, dessarte...

    Ex.: Estudamos muito, portanto passaremos no concurso.

     .

    C) Explicação.

    Errado.

    Conjunções coordenativas explicativas: têm valor semântico de explicação, justificativa, motivo, razão...

    São elas: porque, pois (antes do verbo), porquanto, que...

    Ex.: Vamos indo, porque já é tarde.

     .

    D) Acrescentamento.

    Errado.

    Conjunções coordenativas aditivas: têm valor semântico de adição, soma, acréscimo...

    São elas: e, nem (e não), não só... mas também, mas ainda, como também, bem como, senão também, ademais, outrossim...

    Ex.: Estudaram muito e passaram no concurso.

     .

    Gabarito: Letra B