SóProvas


ID
2712709
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
TRT - 1ª REGIÃO (RJ)
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                            Texto II


      [...] Saiu da casa da cartomante aos tropeços e parou no beco escurecido pelo crepúsculo — crepúsculo que é hora de ninguém. Mas ela de olhos ofuscados como se o último final da tarde fosse mancha de sangue e ouro quase negro. Tanta riqueza de atmosfera a recebeu e o primeiro esgar da noite que, sim, sim, era funda e faustosa. Macabéa ficou um pouco aturdida sem saber se atravessaria a rua pois sua vida já estava mudada. E mudada por palavras — desde Moisés se sabe que a palavra é divina. Até para atravessar a rua ela já era outra pessoa. Uma pessoa grávida de futuro. Sentia em si uma esperança tão violenta como jamais sentira tamanho desespero. Se ela não era mais ela mesma, isso significava uma perda que valia por um ganho. Assim como havia sentença de morte, a cartomante lhe decretara sentença de vida. Tudo de repente era muito e muito e tão amplo que ela sentiu vontade de chorar. Mas não chorou: seus olhos faiscavam como o sol que morria. Então ao dar o passo de descida da calçada para atravessar a rua, o Destino (explosão) sussurrou veloz e guloso: é agora é já, chegou a minha vez! E enorme como um transatlântico o Mercedes amarelo pegou-a — e neste mesmo instante em algum único lugar do mundo um cavalo como resposta empinou-se em gargalhada de relincho.

      Macabéa ao cair ainda teve tempo de ver, antes que o carro fugisse, que já começavam a ser cumpridas as predições de madama Carlota, pois o carro era de alto luxo. Sua queda não era nada, pensou ela, apenas um empurrão. Batera com a cabeça na quina da calçada e ficara caída, a cara mansamente voltada para a sarjeta. E da cabeça um fio de sangue inesperadamente vermelho e rico. O que queria dizer que apesar de tudo ela pertencia a uma resistente raça não teimosa que um dia vai talvez reivindicar o direito ao grito. [...]

(Excerto adaptado e extraído da obra “A Hora da Estrela”. LISPECTOR, Clarice. 23ª edição. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995.)

Assinale a alternativa cuja substituição do elemento sublinhado pelo elemento entre parênteses NÃO gera incorreção gramatical ou alteração de sentido no texto.

Alternativas
Comentários
  • Gabarito E.

    - Sujeito explícito com núcleo pronominal. O mercedes = ELE - Caso facultativo de próclise e ênclise.

     

    Fonte: A gramática para concursos públicos - Livro por Fernando Pestana.

  •  

    Perca ou perda

     

    As palavras “perca” e “perda” são parônimas, ou seja, a grafia e pronúncia são semelhantes. Por este motivo, há muita confusão quando empregadas.
    Para não confundir as duas palavras em questão, devemos nos atentar ao significado de ambas.
    Vejamos, então, o sentido de cada uma:



    Perca - é uma forma verbal, ou seja, flexão do verbo “perder”. Aparece na primeira e terceira pessoas do singular do presente do subjuntivo e na 3ª pessoa do singular do imperativo.

    a) Não perca essa oportunidade de jeito nenhum! (3ª pessoa do singular do imperativo)
    b) Você não quer que eu perca essa oportunidade, não é mesmo? (1ª pessoa do singular do presente do subjuntivo)
    c) Não quero que ele perca essa chance! (3ª pessoa do singular do presente do subjuntivo)

    Perda – é um substantivo que significa se privar (desapossar, excluir) de alguém ou de algo que se tinha.

    a) Esse ano houve perda de qualidade em relação ao ano passado.
    b) Joana está triste, pois a perda da tia a abalou muito.

     

    Fonte: https://m.mundoeducacao.bol.uol.com.br/gramatica/perca-ou-perda-qual-usar.htm

  • A "D"  é um caso, crase proibida, que antes do artigo indefinido uma e dos pronomes que não admitem o artigo a (pronomes pessoais, indefinidos, demonstrativos, relativos)

  • "Perca" é verbo.

  • erro da A: o correto seria "lhe reivindicar", tendo em vista o advérbio "talvez" ter força atrativa.

  • O erro da letra C é o uso da crase?

  • G: LETRA E.


    PERDA é um substantivo e significa ficar SEM ALGUMA COISA.

       EX.: Aquela conversa foi uma perda de tempo.


    PERCA é uma forma do verbo perder.

       Ex.: Perca essa mania de me interromper!

  • Erro da A: reivindicar O DIREITO e NÃO AO DIREITO, logo, o correto seria reivindicá-LO.

  • Sim, Newton, na C o erro está no uso da crase. Estaria correto se fosse sem crase, a qual, que se refere a uma resistente classe a qual reivindicará o direito. Logo, não há crase diante do "uma".

  • Crase não ocorre antes de artigo indefinido (um, uma, uns, umas)

  • Gab. E

     

    Verbos terminados em r, l e s usa-se lo, la , los , las. O lhe é para OI, o que não ocorre na letra a, tendo em vista que o verbo reivindicar é VTD e pede como complemento OD( reivindicar o que? o direito) veja que não preposição. 

    “[...] que um dia vai talvez reivindica-lo 

     

  • PERCEBA QUE TROCANDO A POSIÇÃO DO PRONOME NÃO ALTERA EM NADA O SENTIDO E A COESÃO.

    QUESTÃO MUITO BOA.

  • a) “[...] que um dia vai talvez reivindicar o direito [...]” (reivindicar-lhe). reivindicá-lo

    Reivindicar VTD sem preposição, logo não se utiliza lhe, verbo terminado em R corta a consoante do final e utiliza lo, la, los, las

    b) “[...] isso significava uma perda que valia por um ganho.” (perca).

    perca → conjugação do verbo perder

    perda→ sempre um substantivo

    c) “[...] ela pertencia a uma resistente raça não teimosa que um dia vai talvez reivindicar o direito ao grito.” (à qual). a qual

    o verbo "reivindicar" é VTD logo não cabe crase antes do pronome relativo, no trecho ocorre apenas uma regência nominal em "direito ao grito"

    d) “O que queria dizer que apesar de tudo ela pertencia a uma resistente raça [...]” (à). a

    Não cabe crase antes de artigo indefinido

    e) “[...] E enorme como um transatlântico o Mercedes amarelo pegou-a [...]” (a atingiu) CORRETA

    caso facultativo de próclise ou ênclise

  • De qualquer maneira, no caso da alternativa A, "talvez" é um advérbio de dúvida, logo puxa o pronome para antes do verbo.

    "Que um dia vai talvez o reivindicar."

  • No caso da alternativa A,

    "Que um dia vai talvez reivindicá-lo."

  • Perca - é uma forma verbal de perder.

    Perda – substantivo

  • a) “[...] que um dia vai talvez reivindicar o direito [...]” (reivindicar-lhe). reivindicá-lo

    Reivindicar VTD sem preposição, logo não se utiliza lhe, verbo terminado em R corta a consoante do final e utiliza lo, la, los, las

    b) “[...] isso significava uma perda que valia por um ganho.” (perca).

    perca → conjugação do verbo perder

    perda→ sempre um substantivo

    c) “[...] ela pertencia a uma resistente raça não teimosa que um dia vai talvez reivindicar o direito ao grito.” (à qual). a qual

    o verbo "reivindicar" é VTD logo não cabe crase antes do pronome relativo, no trecho ocorre apenas uma regência nominal em "direito ao grito"

    d) “O que queria dizer que apesar de tudo ela pertencia a uma resistente raça [...]” (à). a

    Não cabe crase antes de artigo indefinido

    e) “[...] E enorme como um transatlântico o Mercedes amarelo pegou-a [...]” (a atingiu) CORRETA

    caso facultativo de próclise ou ênclise

  • Só uma duvida o verbo "reivindicar", nao seria transitivo direto e indireto, reivindica alguma coisa a alguém ??