SóProvas


ID
3128791
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Serrana - SP
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Os mortos

   Esse dia que ainda se reserva aos Finados é quase desnecessário em seu simbolismo, porque os moços não reparam nele, e os maduros e os velhos têm já formado o seu sentimento da morte e dos mortos. Esta é uma conquista do tempo, e prescinde de comemorações para se consolidar. Basta o exercício de viver, para nos desprender capciosamente da vida, ou, pelo menos, para entrelaçá-la de tal jeito com a morte que passamos a sentir essa última como forma daquela, e forma talvez mais apurada, à maneira de uma gravura que só se completa depois de provas sucessivas. Falo em gravura, e vejo à minha frente um desses originais de Goeldi*, em que o esplendor noturno é raiado de vermelho ou verde, numa condensação de treva tão intensa e compacta que não se sabe como a penetra esse facho de luz deslumbrante, coexistindo daí por diante numa espécie de casamento sinistro, à primeira impressão. Não, não é sinistro. Posso informar pessoalmente que a imbricação da ideia de morte na ideia de vida não é arrasadora para o homem, senão que constitui uma das sínteses morais a que o tempo nos conduz, como parte da experiência individual.
    Os que eram do mesmo sangue, os amigos e companheiros que ainda há pouco sorriam a nosso lado ou mesmo nos impacientavam lá de vez em quando (mas era tão bom que nos impacientassem, agora que nem isso recebemos deles), onde estão, onde estão? Voltamo-nos para fora de nós e não os recuperamos; mas se nos aprofundarmos um pouco, vamos encontrá-los fundidos em nosso conhecimento das coisas, incorporados à nossa maneira de andar, comer e dormir; intatos, mesmo sob a camada de esquecimento em que outra vez os sepultamos, porque, contraditoriamente, eles não se deixaram ficar esquecidos, e brincam de se fazer lembrados nas horas mais imprevistas.
(Carlos Drummond de Andrade, Fala, amendoeira)
* Oswaldo Goeldi, ilustrador, gravurista, desenhista brasileiro.

Para responder a questão, considere a seguinte passagem do texto.

Esta é uma conquista do tempo, e prescinde de comemorações para se consolidar. Basta o exercício de viver, para nos desprender capciosamente da vida, ou, pelo menos, para entrelaçá-la de tal jeito com a morte que passamos a sentir essa última como forma daquela, e forma talvez mais apurada, à maneira de uma gravura que só se completa depois de provas sucessivas.


Assinale a alternativa em que a reescrita do trecho resulta em concordância e emprego de verbos em modo e tempo de acordo com a norma-padrão.

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA E

    A) Já basta exercícios de viver para que a gente se desprenda capciosamente da vida, ou, pelo menos, para que a entrelacemos de tal jeito com a morte ? o correto é "bastam" (=exercícios bastam).

    B) Exercícios de viver já basta para que nos desprendamos capciosamente da vida, ou, pelo menos, para que a entrelaçamos de tal jeito com a morte...

    C) Exercícios de viver já são bastante para que nos desprendemos capciosamente da vida, ou, pelo menos, para que a entrelaçamos de tal jeito com a morte ? o correto é "bastantes" (=pronome indefinido e não advérbio).

    D) Já bastam exercícios de viver para que nos desprendêssemos capciosamente da vida, ou, pelo menos, que a entrelacemos de tal jeito com a morte ? o correto é "depredamos" ? 1ª pessoa do plural do presente do subjuntivo para formar a oração subordinada adverbial final corretamente.

    E) Exercícios de viver já são bastantes para que nos desprendamos capciosamente da vida, ou, pelo menos, para que a entrelacemos de tal jeito com a morte...

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  • Dica: Palavra Bastante ou Bastantes

    Colocar a palavra muito" antes da palavra, ou seja, no lugar de bastante.

    Se "muito" for para o plural, assim também será com bastante.

    Ex: Não há bastantes cadeiras nessa sala,

    Não há muitas cadeiras nessa sala.

    Muitas foi para o plural? Sim! Então Bastante também vai.

    E) Exercícios de viver já são bastantes para que nos desprendamos capciosamente da vida, ou, pelo menos, para que a entrelacemos de tal jeito com a morte...

    E) Exercícios de viver já são muitos para que nos desprendamos capciosamente da vida, ou, pelo menos, para que a entrelacemos de tal jeito com a morte...

    Agora que começamos não podemos parar!