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ID
3239416
Banca
IBADE
Órgão
Prefeitura de Presidente Kennedy - ES
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Palavras, palavras, palavras

    Criadas pelos humanos, as palavras são suscetíveis ao tempo, como os humanos. Algumas mudam de significado, outras vão desbotando aos poucos, e há as que morrem na inanição do silêncio. Ninguém mais chama o libertino de bilontra, a amante de traviata ou o inocente de cândido. Depois de soar na boca do povo e iluminar a escrita, bilontra, traviata e cândido foram sepultadas nos dicionários junto as que lá descansavam em paz. Em seus lugares brotam novas, frescas e saltitantes, com significado igual - ou quase. A língua é a mais genuína criação coletiva, feita da contribuição anônima. O agito das palavras traduz as mudanças do mundo - na ciência e tecnologia, na economia e política, nas leis e religiões, no comércio e publicidade, no esporte e comunicação, nos costumes e valores.
[...]
    Faz tempo não ouço a palavra cavalheirismo. Parece que a igualdade de direitos das mulheres botou fora o bebê, a água do banho e a bacia. Lá se foram também delicadeza e cordialidade: louvadas no passado, antes de sumir viraram sinônimo de perda de tempo. Pessoa cordial passou a ser chata, cheia de frescura, pé-no-saco, puxa-saco. Cortesia não morreu, mas mudou: agora quer dizer brinde, boca-livre, promoção! Crimes tem cúmplices, mas é rara a cumplicidade entre casais.
[...]
    Se as palavras morrem ou mudam de sentido, os gestos, intenções e atitudes que designam também morrem ou mudam de sentido. Cabe indagar: que sociedade é essa que sepulta o cavalheirismo, a delicadeza, a cordialidade e a compaixão? Que gente é essa que enterra a honra? Que país é esse que esvazia valores como educação e ética e faz da cortesia um gesto interesseiro? Que confere respeito e perdão aos poderosos e impõe aos destituídos o dever e o sacrifício?
    Criadas pelos homens, palavras são do humano. Intriga sejam justamente as que dizem o mais humano do humano a perderem o sentido ou morrerem. Ou será que estamos perdendo o prazer da convivência? Ah, palavras, palavras, palavras...

ARAÚJO, Alcione. Palavras, palavras, palavras. Estado de Minas, Belo Horizonte, 05 jul. 2010. Caderno Cultura, p. 8. Adaptado. 

No fragmento “Cabe indagar: que sociedade é essa QUE SEPULTA O CAVALHEIRISMO, A DELICADEZA, A CORDIALIDADE E A COMPAIXÃO [...]”, em relação à forma pronominal ESSA, a sequência em destaque apresenta valor de:

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA D

    ? ?Cabe indagar: que sociedade é essa QUE SEPULTA O CAVALHEIRISMO , A DELICADEZA, A CORDIALIDADE E A COMPAIXÃO [...]

    ? Em um primeiro momento, podemos achar que temos um teor explicativo, porém, temos o pronome relativo "que" dando início a uma oração subordinada adjetiva restritiva (=sem pontuação, essa oração não explica e sim caracteriza algo, no caso, está caracterizando "essa sociedade").

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  • Boa Arthur, apenas incrementando:

    Quando a partícula "QUE" estiver retomando um termo precedente e, no caso, for categorizado como sendo um Pronome Relativo, será uma Oração Subordinada Adjetiva e poderá receber duas acepções: EXPLICATIVA: Caso haja pontuação e RESTRITIVA, caso haja PONTUAÇÃO - caracterizando os termos.