SóProvas


ID
3364012
Banca
IBADE
Órgão
IPM - JP
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                              O gato preto


      Não espero nem peço que acreditem na narrativa tão estranha e ainda assim tão doméstica que estou começando a escrever. Louco, de fato, eu seria se esperasse por isso, num caso em que até os meus sentidos rejeitam seu próprio testemunho. No entanto, louco eu não sou - e com toda certeza eu não estou sonhando. Mas se morro amanhã, hoje alivio minha alma. O meu objetivo imediato é apresentar ao mundo, sucintamente e sem comentários, uma série de eventos meramente domésticos. Em suas consequências, tais fatos aterrorizaram - torturaram - destruíram minha pessoa. No entanto, não vou tentar explicá-los. Para mim representam apenas horror - para muitos vão parecer menos terríveis do que barrocos. No futuro, talvez, algum intelecto será capaz de reduzir meu fantasma ao lugar-comum - algum intelecto mais calmo, mais lógico, e muito menos excitável que o meu, que vai perceber, nas circunstâncias que detalho com pasmo, nada mais que uma habitual de causas e efeitos muito naturais.

      Desde criança que eu era conhecido pela docilidade e humanidade do meu caráter. O meu coração era tão terno que fez de mim um objeto de escárnio dos meus camaradas. Gostava particularmente de animais e os meus pais autorizavam-me a ter uma grande variedade de bichos de estimação. Com eles passava a maior parte do tempo e nunca me sentia tão feliz como quando os alimentava e acarinhava. Esta peculiaridade do meu caráter cresceu comigo e em adulto derivava daí uma das minhas principais fontes de prazer. Para quem já alguma vez amou um cão fiel e sagaz, não preciso dar-me ao trabalho de explicar a natureza ou intensidade da satisfação daí emanada. Algo existe no amor desinteressado e generoso de uma besta que vai direito ao coração daquele que teve frequentemente a ocasião de avaliar a fraca amizade e a evanescente fidelidade do homem vulgar.

POE, Edgar Allan (1978) “O gato preto". In _____ . Histórias extraordinárias. Trad. Breno da Silveira e outros. São Paulo: Abril Cultural, p.39-51. 

Considere as seguintes afirmações sobre aspectos da construção do texto:


I. Na frase “eu seria SE esperasse por isso.”, a palavra destacada tem valor condicional.

II. Em “No entanto, não vou tentar explicá-LOS.”, o termo destacado exerce a função de objeto indireto.

III. Na frase “não PRECISO dar-me ao trabalho de explicar a natureza ou intensidade da satisfação daí emanada.”, o verbo destacado aponta para o sentido de exatidão.


Está correto apenas o que se afirma em:

Alternativas
Comentários
  • Gabarito D.

    I - CORRETA. Está correto dizer que o valor da conjunção ''se'', neste caso, é condicional. Troque por ''caso'' e confirme: ''eu seria CASO esperasse por isso''.

    II - ERRADA. O termo estacado trata-se de objeto direto. Quem explica, explica algo.

    III - ERRADA. O sentido do verbo precisar, a meu ver, é de necessidade e não exatidão.

  • GABARITO: LETRA D

    I. Na frase ?eu seria SE esperasse por isso.?, a palavra destacada tem valor condicional ? correto, temos uma conjunção subordinativa condicional.

    II. Em ?No entanto, não vou tentar explicá-LOS.?, o termo destacado exerce a função de objeto indireto ? correto, quem explica, explica alguma coisa, pronome oblíquo átono -los com função sintática de objeto direto.

    III. Na frase ?não PRECISO dar-me ao trabalho de explicar a natureza ou intensidade da satisfação daí emanada.?, o verbo destacado aponta para o sentido de exatidão ? incorreto, o verbo expresso está sendo usado com sentido de "necessidade".

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    ? FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

  • Algo importante e que pode servir para outras questões:

    I.

    Na maioria dos casos, quando o "se" é condicional trocamos por "caso".

    Eu seria "caso" esperasse por isso.

    II. Em “No entanto, não vou tentar explicá-LOS.”, o termo destacado exerce a função de objeto indireto.

    Empregamos no caso de Objetos diretos:

    LO(S), LA(S) ☛ Verbos terminados em R, S,Z

    Quis a moça = qui-la

    NO(S) NA(S) ☛ Verbos terminados em som nasal

    Compraram o carro... compraram-no

    O(S), A(S) ☛ Substituem od´s

    III. O verbo precisar geralmente aprece como VTI no sentido de necessitar é o caso da questão, mas não é suficiente saber disso, porque em alguns casos ele pode aparecer como VTD. No sentido de exatidão..

    O piloto precisou o pouso (SPADOTO)

    Sucesso, Bons estudos, Nãodesista!

  • Qm explica, explica alguma coisa a alguém, não? heauheauheahu

  • Assertiva D

    I. Na frase “eu seria SE esperasse por isso.”, a palavra destacada tem valor condicional.

  • Quem explica, explica algo a alguém? Então seria VTDI ?
  • verbo precisar, quando significa 'ter necessidade de alguma coisa', é transitivo indirecto e rege um complemento oblíquo introduzido pela preposição de.

  • "Preciso" tem sentido de exatidão quando é um adjetivo.

    Na assertiva III, "preciso" é verbo conjugado na primeira pessoa do singular no presente do modo indicativo.

    Gabarito letra D!