SóProvas


ID
5433943
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Prefeitura de Colômbia - SP
Ano
2021
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

    Eu gosto de observar as pessoas em seus trabalhos e ocupações. Uma das coisas que mais me deixa feliz é ver o brilho no olhar e a forma entusiasmada das que trabalham com afinco. Quem no dia a dia do trabalho tem essa característica comumente consegue se destacar, crescer, subir na carreira e o mais importante, é lembrado por muito tempo pelas pessoas com quem teve contato. 
    Sou professor há 12 anos e, ainda hoje, quando começa uma turma nova, me dá um certo frio na barriga e um pouco de nervosismo. E não se trata de insegurança, trata-se de valorização do trabalho. Na minha mente vem aquele desejo de passar uma boa impressão e ser cativante para os alunos. E isso dá um pouco de nervosismo. Também já escrevo na internet há pouco mais de 7 anos, e sempre antes de clicar no botão “publicar” eu leio atentamente o texto, reviso algumas palavras e ideias. Além disso, sempre me pergunto: “esse texto vai ajudar de alguma forma a quem for lê-lo? Esse texto vai despertar ideias e insights bacanas?”. Só depois de responder a elas de forma afirmativa é que o publico.
    Inúmeras vezes cheguei a escrever textos que estavam prestes a serem publicados e na última hora me veio a negativa para as perguntas formuladas há pouco. E sabe de uma coisa interessante? Esse exercício tem sido para mim como uma espécie de terapia, no qual expresso por escrito parte do que estou sentindo e que está me incomodando. Muitas vezes somos tentados a escrever sobre algo que esteja nos deixando tristes, chateados, irritados ou desesperançosos, etc. Porém, é preciso compreender que, em quase 100% dos casos, o que nos incomoda e chateia, para outras pessoas, pode ser exatamente o oposto, pode ser motivo de alegria e orgulho.
    Em 2019, uma obra magnífica da qual li alguns trechos se chama Crítica da razão pura, do filósofo alemão Immanuel Kant, e nesta obra ele aborda amplamente um conceito famoso seu que é o “imperativo categórico”. Sendo bem direto e objetivo, esse conceito diz: “age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal”. Em outras palavras, se o que eu fizer puder ser feito por 100% das pessoas, maravilha, então trata-se de algo moralmente correto; se não puder ser feito por 100% das pessoas, é preciso pensar com mais cuidado, com mais cautela, com mais critério, buscando como objetivo que se torne algo universal.
    Eu passei a olhar para o meu dia a dia e para as minhas atitudes com um olhar bem mais ligado após estudar um pouco esse pensador tão revolucionário. Se você observar e ler com bastante atenção esse conceito, é possível fazer o link com a seguinte frase de Antonio Meneses: “quem não fica nervoso (antes de um desempenho) é porque não dá importância ao que faz”. O nervosismo é esse momento de autorreflexão, no qual você pensa na melhor maneira de atuar. Dessa forma, podemos atingir o que chamamos de excelência.
    Não a confunda com perfeccionismo, tudo bem? Pois excelência não tem nada a ver com perfeccionismo. Esta postura provém do medo de errar, do medo de falhar, de uma autoexigência que causa neuroses e adoecimentos. A excelência é quase um sinônimo do capricho, de um trabalho bem realizado. Mario Sergio Cortella costuma dizer isto aqui nas suas palestras, o que concordo em gênero, número e grau: “capricho é fazer o melhor com aquilo que se tem, enquanto não tem condições melhores para fazer melhor ainda”. Ou seja, é se utilizar dos recursos de que se dispõe, porém sempre nutrindo essa humildade de que pode ser melhor a cada dia.
    Eu quero ser a cada ano que passa um professor melhor, um escritor melhor, um psicanalista melhor. Mas, acima de tudo, uma pessoa melhor, que valoriza às amizades, o bom convívio com a família ou com os colegas de trabalho e por aí vai. Que este breve texto leve à reflexão sobre a importância de fazermos o melhor nas condições que temos no momento e sempre buscando um aperfeiçoamento. É normal ficar um pouco nervoso, e esse nervosismo é justamente o tempero que deixa especial e único o seu trabalho e atribuições.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/quem-nao-fica-nervoso-antes-de-umdesempenho-e-porque-nao-da-importancia-ao-que-faz/. Acesso em: 30/01/2020.)

Sobre o excerto “Além disso, sempre me pergunto: ‘esse texto vai ajudar de alguma forma a quem for lê-lo?’ (2º§), considere as seguintes propostas de pontuação que preservam o sentido original da mensagem, sem deturpá-lo:

I. “Além disso, sempre me pergunto se esse texto vai ajudar de alguma forma a quem for lê-lo.”
II. “Além disso, sempre me pergunto; esse texto vai ajudar de alguma forma a quem for lê-lo?”
III. “Além disso, sempre me pergunto: esse texto vai ajudar de alguma forma a quem for lê-lo.”

É correto o que se propõe em

Alternativas
Comentários
  • Por que a pontuação no item III está incorreta?

  • Gabarito na alterativa A

    Solicita-se indicação da correta proposta de redação da passagem:

    “Além disso, sempre me pergunto: ‘esse texto vai ajudar de alguma forma a quem for lê-lo?’"(2º§)

    I. “Além disso, sempre me pergunto se esse texto vai ajudar de alguma forma a quem for lê-lo.” 

    Correta. A construção interrogativa direta encontrada na passagem original é aglutinada à construção de forma indireta, demarcada pela conjunção integrante "se" e, por não constituir uma pergunta direta, desprovida de sinal interrogativo.

    II. “Além disso, sempre me pergunto; esse texto vai ajudar de alguma forma a quem for lê-lo?” 

    Incorreta. É absolutamente imprópria a introdução do trecho interrogativo por ponto e virgula.

    III. “Além disso, sempre me pergunto: esse texto vai ajudar de alguma forma a quem for lê-lo.”

    Incorreta. Há ausência de sinal interrogativo ao final da construção interrogativa direta.

  • A questão requer conhecimento acerca do emprego dos sinais de pontuação.

    I. “Além disso, sempre me pergunto se esse texto vai ajudar de alguma forma a quem for lê-lo." Correta. Como se trata de uma pergunta indireta, é finalizada com ponto final; ademais, não há necessidade das aspas. 

    II. “Além disso, sempre me pergunto; esse texto vai ajudar de alguma forma a quem for lê-lo?" Incorreta. O ponto e vírgula foi empregado inadequadamente, no lugar dele deveriam ser empregados os dois-pontos por se tratar de uma pergunta direta feita pelo próprio enunciador. Além disso, faltaram as aspas neste discurso direto. 

    Emprega-se o ponto e vírgula, geralmente, para:

    a) separar certas orações coordenadas quando pelo menos uma delas já tem vírgula no seu interior;

    b) separar diversos itens de enunciados enumerativos (leis, decretos, regulamentos, etc.). 

    Empregam-se os dois-pontos:

    a) antes de uma enumeração;

    b) antes de uma citação;

    c) antes de uma exposição ou explicação;

    d) no discurso direto é usado antes de uma pergunta ou resposta.


    Empregam-se as aspas:

    a) no início e no fim de uma citação direta;

    b) para realçar termos ou expressões (gíria, estrangeirismo, arcaísmo, neologismo e ironia);

    c) no diálogo, usam-se nas falas dos personagens, substituindo o travessão.
     

    III. “Além disso, sempre me pergunto: esse texto vai ajudar de alguma forma a quem for lê-lo." Incorreta. Faltaram as aspas na pergunta direta e o ponto de interrogação.


    Assim sendo, a única assertiva em que a pontuação foi mantida adequadamente é a I.

    Gabarito da professora: Letra A.

  • I. “Além disso, sempre me pergunto se esse texto vai ajudar de alguma forma a quem for lê-lo." Correta. Como se trata de uma pergunta indireta, é finalizada com ponto final; ademais, não há necessidade das aspas. 

    II. “Além disso, sempre me pergunto; esse texto vai ajudar de alguma forma a quem for lê-lo?" Incorreta. O ponto e vírgula foi empregado inadequadamente, no lugar dele deveriam ser empregados os dois-pontos por se tratar de uma pergunta direta feita pelo próprio enunciador. Além disso, faltaram as aspas neste discurso direto. 

    Emprega-se o ponto e vírgula, geralmente, para:

    a) separar certas orações coordenadas quando pelo menos uma delas já tem vírgula no seu interior;

    b) separar diversos itens de enunciados enumerativos (leis, decretos, regulamentos, etc.). 

    Empregam-se os dois-pontos:

    a) antes de uma enumeração;

    b) antes de uma citação;

    c) antes de uma exposição ou explicação;

    d) no discurso direto é usado antes de uma pergunta ou resposta.

    Empregam-se as aspas:

    a) no início e no fim de uma citação direta;

    b) para realçar termos ou expressões (gíria, estrangeirismo, arcaísmo, neologismo e ironia);

    c) no diálogo, usam-se nas falas dos personagens, substituindo o travessão.

     

    III. “Além disso, sempre me pergunto: esse texto vai ajudar de alguma forma a quem for lê-lo." Incorreta. Faltaram as aspas na pergunta direta e o ponto de interrogação.

    Assim sendo, a única assertiva em que a pontuação foi mantida adequadamente é a I.

    Gabarito da professora: Letra A.