SóProvas


ID
99733
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-PB
Ano
2006
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Os números do relatório da CPI dedicada originalmente
aos Correios são expressivos, dos milhares de páginas de texto
e documentos aos mais de cem acusados. É o tempo do
espanto. Um oceano nos separa, contudo, do resultado
concreto, o das absolvições e o das punições. Os dois
momentos do mar imenso entre relatório e resultado estão no
julgamento final, cuja tendência é pessimista, a contar de
exemplos recentes. Não deveria ser.

Não deveria ser pela natureza mesma das comissões
parlamentares de inquérito, cujo nome é raramente objeto de
meditação até pelos operários do direito. "Comissão", além do
significado mercantil (depreciativo, no caso do Parlamento), do
dinheiro pago em remuneração de serviço, é também o do
grupamento encarregado de realizar tarefa de interesse comum.
Interesse comum? Não. De interesses conflituosos pela própria
natureza política de seu trabalho, pois o vocábulo
"parlamentares" as afirma integradas por componentes de uma
das casas do Congresso ou mistas, funcionando segundo seus
regimentos internos. (...)

"As comissões são úteis ou necessárias?", perguntará
o leitor. Sem a menor dúvida e vigorosamente, respondo sim.
Há abusos. São lamentáveis, mas inerentes à vida parlamentar,
no Brasil e em qualquer país onde haja comissões
parlamentares. Se os legisladores devem ser a expressão
média de seu povo, fica manifesto que os parlamentos sejam
compostos por homens e mulheres de bem, dedicados e
honestos, mas também por pilantras, patifes, cachaceiros,
delinqüentes e assim por diante. (...) Seria ideal que o povo
escolhesse melhor seus representantes, dizem as elites, mas
sem razão. O povo vota sob influência do poder econômico,
após seleção dos favoritos de chefes partidários, para exclusão
dos que assumam linha independente da adotada pelas
lideranças e assim por diante.

Voltando à CPI dos Correios, cabe esclarecer por que
há um oceano entre o relatório e o resultado. "Inquérito" é
trabalho de apuração. Se bem feito, propicia bom material aos
julgadores. Se malfeito, facilita a "pizza", essa maravilhosa
invenção atribuída aos italianos em geral, mas que vem do sul
da Itália. "Pizza" transformada em cambalacho e tapeação? Não
necessariamente. Muitas vezes o defeito da distância entre a
apuração e o julgamento está naquela, e não neste,
principalmente se for judicial. O mal do julgamento político está
em que não considera seu efeito paralelo do desprestígio para o
Parlamento como um todo. No caso atual, porém, não se pode
negar que já houve resultados apreciáveis. Para o relatório lido
nesta semana cabe esperar pela travessia do oceano e torcer
para que chegue a bom porto.

(W. Ceneviva. Folha de S. Paulo. 01/04/2006, C2)

Se bem feito, propicia bom material aos julgadores.

No texto, o conectivo se pode ser substituído, sem alteração de sentido, por

Alternativas
Comentários
  • Trata-se de uma conjunção subordinativa condicional, que são as conjunções que, iniciando uma oração subordinada a outra, exprimem uma condição sem a qual o fato da oração principal se realiza (ou exprimem hipótese com a qual o fato principal não se realiza). As conjunções subordinativas condicionais são: se, caso, contanto que, a não ser que, desde que, salvo se, etc.Exemplos: Se você não vier, o jogo não começará; Caso ocorra um imprevisto, a prova do concurso será cancelada; Chegaremos a tempo, contanto que o taxi não atrase. Assim, alternativa "C" como resposta correta.
  • Não se trata exatamente da função sintática do "se", mas do emprego da conjunção condicional "se". O leitor precisaria ter percebido a relação de sentido expressa pelo "se", que nesse caso é de CONDIÇÃO, HIPÓTESE. Logo, a opção que traz o termo que indica condição é a C, SE = CASO. O QUANDO não dá certo porque indica TEMPO; o MESMO, o MAS e o EMBORA, contraposição, oposição.
  • SE- CASO( CONJUNÇÕES CONDICONAIS)SÓ propicia bom material aos julgadores( SE- CASO)- BEM FEITO.
  • conjunção subordinada Condicional - Iniciam uma oração subordinada em que se indica uma hipótese ou uma condição necessária para que seja realizado ou não o fato principal. São elas: se, caso, quando, contanto que, salvo se, sem que, dado que, desde que, a menos que, a não ser que, etc. Ex:Seria mais poeta,a menos que fosse político.
  • Pelas estatisticas da questão podemos ver que ao menos 30% marcaram a letra A. 

    Alguém pode me explicar por que não pode ser QUANDO no lugar de SE? 

    Forte abraço. 
  • Respondendo a pergunta do colega, a conjunção QUANDO exprime ideia de tempo. Embora também utilizamos o QUANDO no dia-dia para exprimir essa ideia de condição, não estamos seguindo a norma culta da língua, que é o que a prova cobra.