SóProvas


ID
1378507
Banca
FCC
Órgão
INFRAERO
Ano
2009
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

O primeiro voo

Mais do que um marinheiro de primeira viagem, o passageiro de primeiro voo leva consigo os instintos e os medos primitivos de uma espécie criada para andar sobre a terra. As águas podem ser vistas como extensão horizontal de caminhos, que se exploram pouco a pouco: aprende-se a nadar e a navegar a partir da segurança de uma borda, arrostando-se gradualmente os perigos. Mas um voo é coisa mais séria: há o desafio radical da subida, do completo desligamento da superfície do planeta, e há o momento crucial do retorno, da reconciliação com o solo. Se a rotina das viagens aéreas banalizou essas operações, nem por isso o passageiro de primeira viagem deixa de experimentar as emoções de um heróico pioneiro.

Tudo começa pelo aprendizado dos procedimentos iniciais. O novato pode confundir bilhete com cartão de embar- que, ignora as siglas das placas e monitores do aeroporto, atordoa-se com os avisos e as chamadas da locutora invisível. Já de frente para a escada do avião, estima, incrédulo, quantas toneladas de aço deverão flutuar a quilômetros de altura - com ele dentro. Localizada a poltrona, afivelado o cinto com mãos trêmulas, acompanha com extrema atenção as estudadas instruções da bela comissária, até perceber que ele é a única testemunha da apresentação: os demais passageiros (mal- educados!) leem jornal ou conversam. Quando enfim os motores, já na cabeceira da pista, aceleram para subir e arrancam a plena potência, ele se segura nos braços da poltrona e seu corpo se retesa na posição seja-o-que-Deus- quiser.

Atravessadas as nuvens, encanta-se com o firmamento azul e não tira os olhos da janela - até perceber que é um embevecido solitário. Alguns buscam cochilo, outros conversam animadamente, todos ignoram o milagre. Pouco a pouco, nosso pioneiro vai assimilando a rotina do voo, degusta o lanche com o prazer de um menino diante da merenda, depois prepara-se para o pouso na mesma posição que assumira na decolagem. Tudo consumado, resta-lhe descer a escada, bater os pés no chão da pista e convencer-se de que o homem é um bicho estranho, destinado a imaginar o irrealizável só pelo gosto de vir a realizá-lo. Nos voos seguintes, lerá jornal, cochilará e pouco olhará pela janela, que dá para o firmamento azul.

(Firmino Alves, inédito)

Ao utilizar pela primeira vez um aeroporto, o novato percorre o aeroporto como se estivesse num labirinto, buscando tornar o aeroporto familiar aos seus olhos, aplicando seus olhos na identificação das rampas, escadas e corredores em que se sente perdido.

Evitam-se as viciosas repetições do texto acima substituindo-se os elementos sublinhados, na ordem dada, por:

Alternativas
Comentários
  • percorre-o o se refere a OD,torna-lo palavras terminadas em RSZ troca-se por lo las los las, e aplicando-os OD nao tem preposicao nao admite lhe

  •  C DE CABRITO.

  •  Percorre o aeroporto - Objeto direto, além do que tem uma regra assim:  Emprego de o, a, os, as
    1) Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral, os pronomes: o, a, os, as não se alteram. Assim fica percorre-o;

     tornar o aeroporto -  A regra do R,S,Z, troca-se por lo, la, los,las;

    aplicando seus olhos - Neste caso será ênclise, que se usa quando o verbo estiver no gerúndio. Fica assim: aplicando-os. Além de o verbo aplicar pede objeto direto, que em tela utiliza artigo os, então não cabe o pronome pessoal oblíquo átono lhes. 

    A alternativa correta é C)

  • Lais, não existe nenhuma regra dizendo que ênclise é usada após gerúndio.
    Os únicos casos que ênclise deve ser usada obrigatoriamente são quando o verbo inicia oração ou quando é precedido de pausa (no caso vírgula)

  • Lucas,

    A ênclise é obrigatória com o verbo no gerúndio. Porém, se ele vier precedido de preposição ou de palavra atrativa, ocorrerá próclise.

    Ex.: Em se  tratando de cinema, prefiro as comédias.

            Saiu da sala, não nos revelando os motivos.

    Fonte: Apostila do professor Manuel Soares, Espaço Jurídico.


  • Carolina, minhas fontes:
    - Resoluções de provas de Portugês, Professor Terror, pg 54.
    - Aprender e praticar gramática, Mauro Ferreira, pg 672.

    Confesso que pesquisei em vários sites e alguns falam sobre gerúndio, outros não. Uma apostila do Solução que tenho também fala.
    Porém, nesses dois livros que tenho os autores dizem que os únicos casos obrigatórios são início de frase e após pausa. Já não sei em quem mais acreditar...




  • A justificativa para a ênclise do verbo aplicar não seria a vírgula?! 

    Quanto ao gerúndio, em sua Gramática, o Professor Pestana somente aponta como hipótese de próclise quando o pronome estiver entre uma preposição ou advérbio e um verbo no gerúndio.

  • Percorre-o (Verbo terminado em som vocálico  ulilizamos a, o, as, os)

    Torná-lo (Verbo terminado em R, S, Z utilizamos - la, las, lo, los) Verbo tornar

    Aplicando-os (Verbo terminado em som vocálico ulilizamos a, o, as, os)

    GAB. C

  • GABARITO C


    Regrinha bem básica para resolvermos essas questões rapidinho: 


    1) Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral, os pronomes: o, a, os, as não se alteram.

    exs.: Chame-o agora.

        Deixei-a mais tranquila.

    2) Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoantes finais alteram-se para lo, la, los, las.

    exs.: (Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho.

        (Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.

    3) Em verbos terminados em ditongos nasais (am, em, ão, õe, õe,), os pronomes o, a, os, as alteram-se para no, na, nos, nas.

    exs.: Chamem-no agora. 

         Põe-na sobre a mesa.



    DICA: * o, a, os, as, lo, la, los, las, no, na, nos, nas = OBJETO DIRETO

    *lhe = OBJETO INDIRETO


    bons estudos