SóProvas


ID
2762095
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de Niterói - RJ
Ano
2018
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

Texto 1 – Dados Primários


Há cerca de 15 anos, um grupo de pesquisadores do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) preparava um estudo sobre indicadores de sustentabilidade da cidade de Belém e precisava saber quantos metros quadrados de praças e áreas verdes havia em cada bairro da região metropolitana. Durante três meses, os pesquisadores buscaram o dado junto a órgãos públicos. Protocolo para cá, ofício para lá, o máximo que conseguiram foi uma estimativa de que existiam “umas cem praças”. Beto Veríssimo, líder de estudo, reuniu a equipe e propôs; vamos medir nós mesmos. Armados de GPS, trena e suor, em dois meses mapearam quase duas mil praças e áreas verdes na capital paraense.

Lembrei-me desse episódio ao participar do debate recente sobre os dados de cobertura e uso da terra no Brasil.

Em artigo recente no “Valor Econômico”, o autor conclui, após, segundo ele, cruzar várias fontes de dados, que entre 1990 e 2016 a área ocupada pela atividade agropecuária no Brasil teria sido reduzida em 4,2 milhões de hectares, a despeito de 38 milhões de hectares terem sido desmatados no mesmo período. Afirma que a regeneração da mata nativa teria alcançado 50 milhões de hectares no período e que, portanto, para cada hectare desmatado, 1,3 hectare era recuperado. A expansão da produção agropecuária teria se dado, então, exclusivamente pelos extraordinários ganhos de produtividade.

O incauto, ao ler tal informação, poderia concluir que a área das matas brasileiras teria aumentado nas últimas décadas, e a agropecuária reduzido a área ocupada. Portanto, a expansão da agropecuária não teria causado desmatamento e degradação. Ou seja, tudo ótimo, nada a mudar, basta seguirmos no rumo em que estamos.

Nestas horas, é importante voltar às fontes de dados primários sólidas e abrangentes no tempo e no espaço.

Existem atualmente três iniciativas de mapeamento de cobertura e uso da terra no Brasil. [...] Ainda que todos possam ser melhorados e, embora tenham diferenças de abordagem metodológica, legenda e resolução, os dados gerados por esses três projetos indicam de forma inequívoca:

• o Brasil perdeu cobertura florestal e vegetação nativa durante todos os períodos analisados;

• a área ocupada pela atividade agropecuária cresceu em todos os períodos;

• houve regeneração em larga escala no Brasil, mas ela ainda representa menos de um terço das áreas desmatadas;

• mais de 90% das áreas desmatadas se convertem em agropecuária.

Esta é a realidade nua e crua dos dados primários. Eles, decerto, estão sujeitos a muitas análises e interpretações. Estas só não podem ir de encontro aos fatos.

Tasso Azevedo, O GLOBO, 28/02/2018.

“...precisava saber quantos metros quadrados de praças e áreas verdes havia em cada bairro.”
A forma verbal havia pode ser adequadamente substituída por

Alternativas
Comentários
  • LETRA D

     

    VERBO HAVER ( sentido de existir, acontecer, tempo transcorrido) - é impessoal ( sem sujeito), mas tem complemento verbal ( objeto direto)

    VERBO EXISTIR : é intransitivo, mas tem sujeito.

     

    SUBSTITUINDO POR EXISTIR

     

    quantos metros quadrados de praças e áreas verdes havia em cada bairro.

    quantos metros quadrados de praças e áreas verdes EXISTIAM em cada bairro.

     

    A) podiam haver -> PODIA HAVER

    B) DEVIAM existir

    c) existiam

     

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  • Caí feito uma pata choca

  •  a) podiam haver               [podia haver]

     b) devia existir                 [deviam existir]

     c) existia                         [existiam]

     d) devia haver                 GABARITO!

     e) eram possível haver     [era possível haver]

  • Verbo 'haver' como verbo principal numa locução transmite sua impessoalidade para o verbo auxiliar. 

  • Alguém pode EXPLICAR?

  • Faltou o 'por favor', Bruna Lucia Marques.

  • VERBO HAVER ( sentido de existir, acontecer, tempo transcorrido) - é impessoal ( sem sujeito), mas tem complemento verbal ( objeto direto)

    + Verbo 'haver' como verbo principal numa locução transmite sua impessoalidade para o verbo auxiliar. 

    a) podiam haver        [podia haver] 

     d) devia haver         GABARITO!

     e) eram possível haver   [era possível haver]

    VERBO EXISTIR : é intransitivo, mas tem sujeito. CONCORDA

    b) devia existir         [deviam existir]

     c) existia              [existiam]

  • ->  HAVER:

    No sentido de EXISTIR, OCORRER é impessoal, não admite sujeito ou plural, é VTD. Nem o verbo auxiliar é flexionado.

    Ex: Estarem havendo (ERRADO) --> Estar havendo (CERTO)

    Haver no sentido de existir passa a sua impessoalidade ao auxiliar.

  • BIZU!!!

    Sempre que o verbo HAVER vier com sentido de existir , ele vai contaminar o seu auxiliar, ou seja, os dois não irão variar.

  • Os verbos auxiliares de haver no sentido de existir também são intransitivos! Eu não tinha certeza sobre isso, mas a questão me ajudou a memorizar.

  • Acho que "devia haver" muda o sentido, mas...

  • Sempre que o verbo HAVER vier com sentido de existir , ele vai contaminar o seu auxiliar, ou seja, os dois não irão variar.