SóProvas


ID
3486337
Banca
IBADE
Órgão
Prefeitura de São Felipe D`Oeste - RO
Ano
2020
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

O PAPEL DO PAPEL


      Comecei a escrever sobre o mundo da tecnologia da informação em 1987, quando ele ainda nem atendia por esse nome. Dizíamos apenas “informática”, e o termo englobava tudo, até visões opostas do que estava em jogo. Para a maioria, informática era a definição de um universo habitado por nerds e máquina, inenarravelmente chato; para a minoria que habitava o tal universo, era uma coleção de maravilhas e de possibilidades que mudariam o mundo. O tempo se encarregou de mostrar que estávamos certos. E embora a ideia do que é ou não chato seja altamente subjetiva, o fato é que mesmo quem não suportava (e ainda não suporta) computadores, hoje tem uma vida mais divertida graças ao que se cozinhava naquele caldeirão. O que ninguém poderia imaginar, porém, era quanto e como o mundo mudaria.

      Era impossível, na época, prever o impacto planetário da internet. Por outro lado, muitos estavam convencidos de que caminhávamos, a passos largos, para uma sociedade sem papel. Teríamos pequenos computadores de bolso, extensão dos desktops de casa, que usaríamos para carregar nossos dados, fazer anotações e mesmo pagar as contas via IFRD (infravermelho) com aparelhos universalmente espalhados pelo comércio. Adeus dinheiro de papel, recebidos, papelada! O palm foi, até certo ponto, a materialização dessa ideia, mas nunca tomou o lugar dos cartões de credito. Os celulares, que vieram correndo por fora, começam agora a apontar nessa direção.

      Todas as necessidades de comunicação, leitura e arquivamento se resolveriam eletronicamente. Na sociedade sem papel, as escrivaninhas seriam tão limpas que dariam aflição: nada de livros, bloquinhos, revistas, calhamaços diversos. Pessoalmente, eu não levava a menor Fé nessa visão. Comungava do credo oposto – até porque nunca antes, na história desse planeta, se vira tanto papel. Bastava ver o tamanho dos manuais publicados a cada nova versão de software. Além disso, como os manuais eram invariavelmente ruins, os updates davam filhotes nas livrarias, onde sólidos tomos de centenas de páginas tentavam explicar o que os engenheiros de software não conseguiam.

      Ao mesmo tempo, a popularização dos computadores trouxe, na sua esteira, a disseminação das impressoras. Criava-se, aí, um cenário de calamidade, que unia a facilidade de produzir toda a espécie de, vá lá, “conteúdo” – de trabalhos escolares a planilhas e memorandos – à inédita possibilidade de reproduzi-lo ao infinito. Cansei de ver executivos que começavam o dia de trabalho lendo os e-mails... caprichosamente impressos pelas secretárias. E cansei, eu mesma, de guardar longos estudos e processos, que imprimia para ler na condução entre a minha casa e o jornal. 

      Fomos salvos da lenta morte por asfixia em montanhas de impressos pelo custo impraticável dos cartuchos de tinta. Estou certa de que, um dia, a humanidade saberá reconhecer este inestimável serviço prestado pelos fabricantes de impressoras. 

      Parte do mérito cabe também às telas, que aumentaram de resolução, tamanho, visibilidade. Um LCD com 20 polegadas, como que eu uso e que já não é nada demais, oferece indiscutivelmente uma leitura mais confortável do que os velhos monitores de fósforo verde de 10 polegadas (alguém se lembra?). As próprias telinhas dos Blackberries e dos celulares já dão para o gasto. Taí uma tecnologia que evolui com velocidade muito superior à dos e-papers, diversos tipos de papel eletrônico que há tempos vêm sendo pesquisados. Neles, em tese, poderiam circular jornais e revistas, mas estou entre os que acham seu futuro mais certo na área dos cartazes e displays.  

      O Kindle e outros leitores – cujos primeiros antepassados vieram ao mundo, sem sucesso, no início dos anos 1990 – prometem remover parte das montanhas de papel que ainda nos circundam. São o suporte perfeito para livros de referência e manuais que precisam de atualização, e para livros de leitura rápida, como a maioria dos best-sellers; mas não conseguirão substituir edições caprichadas das obras que amamos, livros de arte ou, no outro extremo, livros de bolso baratinhos. Ou alguém se arrisca a levar um Kindle para a praia?

Cora Rónai – Jornal O Globo, 26/09/2009

“(...) universo habitado por nerds e máquina, inenarravelmente chato...” Caso o adjetivo chato se referir a dois substantivos, a única opção INCORRETA seria:

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA C

     a) nerds e máquina chata ? temos um adjetivo que vem posposto aos substantivos. A concordância poderia ser realizada com o termo mais próximo ou com os dois (no caso, temos um substantivo masculino e um feminino, a concordância deve ficar no masculino se for concordar com os dois).
     b) nerds e máquina chatos ? concordância com os dois termos (no masculino, correto).
     c) nerds e máquina chatas ? incorreto, o correto seria com o mais próximo (chata) ou com os dois (chatos).
     d) nerds e máquinas chatas ? concordância com o mais próximo (no plural e feminino, correto).
     e) máquina e nerds chatos ? concordância com os dois termos (no masculino, correto).

    Baixe a Planilha de Gestão Completa nos Estudos Grátis: http://3f1c129.contato.site/plangestaoestudost3

    ? FORÇA, GUERREIROS(AS)!!

  • obrigado

  • Que horror essa banca....é triste mesmo! Para começo de conversa " chato" se refere a universo e não a nerds e máquina.

  • Letra C

  • Substantivo de gêneros distintos ~> Ou concorda com o mais próximo ou usa o masculino para concordar com os dois.

    LETRA A - nerds e máquina chata.

    LETRA B - nerds e máquina chatos.

    LETRA C - nerds e máquina chatas.

    LETRA D - nerds e máquinas chatas.

    LETRA E - máquina e nerds chatos.

  • Maquina chatas não faz sentido. Enunciado mal elaborado.

  • Gabrito C

  • Gabarito letra C.

    Na hipótese de o adjetivo concordar com dois termos, a única opção incorreta é a letra C.

    As alternativas B e E também concordam com dois termos de forma correta.

    A e D concordam com apenas um dos termos.

    Bem elaborada a questão. Demorei pra compreender.

  • Achei bem complexa.

  • Que questão horrível, as letras C e D são as mesmas alternativas

  • dessa vez foi você, Ivan Lucas, que errou, nos exemplos que vc deu , sim, o adjetivo é atribuído a ambos os substantivos, vc não se aprofundou nessa teoria. A banca acertou , que dizer , cometeu erro apenas na formulação da pergunta "conjunção caso + verbo no infinitivo ", isso não existe, o correto é "caso + presente do subjuntivo ", mas no que diz respeito ao que a questão solicita, está tudo correto. Nerds e máquina chatas é impossível, pois o plural feminino só seria permitido de todos os elementos fossem femininos, havendo um único masculino no encadeamento, a concordância se dá com o plural masculino.
  • Meu deus o que eu fiz com minha vida? é só derrota dia a dia

  • Essa questão é machista kkkkk olha o cara geração nutella.

  • Boa para revisar!

  • Atenção! ele quer a INCORRETA.

  • Gab. C.

    pega o bizu:

    Substantivo + substantivo + Adjetivo: adjetivo concorda com substantivo anterior | ou vai p/ o plural concordando em gêneroFeminino + feminino = feminino / Masculino + masculino = masculino / feminino + masculino = masculino