SóProvas


ID
5047474
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Câmara de Arcos - MG
Ano
2020
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

O verão da inteligência artificial

     Panaceia ou armadilha diabólica são as posições extremas no espectro de quem discute Inteligência Artificial (IA) e as consequências de sua aplicação. Provavelmente a verdade (mas, o que é “verdade?”) deve localizar-se em algum ponto intermediário. E tanto os apologéticos como os apocalípticos obtém apoio de peso: o próprio Stephen Hawking teria declarado que “conseguir sucesso na criação real de IA poderá ser o maior evento da história da nossa civilização. Ou o pior. Não sabemos...”
      O que ajuda a carrear tanta atenção à IA é que, talvez levianamente, grudamos o rótulo de IA em muitas coisas que seriam, apenas, sofisticada tecnologia, tratamentos estatísticos e exame de correlação de dados.
       Reconhecimento facial, por exemplo, é um tema de pesquisa desde os anos 60, e até recentemente não relacionado a IA. O mesmo se pode dizer das eficientíssimas máquinas de busca de que dispomos da internet de hoje. Foi o rápido e contínuo desenvolvimento do poder computacional que, aplicado a algoritmos, permitiu que usássemos a impressão digital, ou imagem da íris, ou reconhecimento facial como identificadores pessoais de acesso. Processamento, associado a capacidade quase ilimitada de armazenamento e intercomunicação em rede, gerou ferramentas de busca e de localização.
       Parece vontade de “dourar a pílula” da IA – por si já muito poderosa – colocar tudo sob o mesmo guarda-chuva. Aliás, cunha-se a sigla IA (Inteligência Artificial) para designar essa simplificação matreira e oportunista.
     Os exemplos citados podem ser muito potencializados com a introdução da IA. Algoritmos fixos usados tornam-se dinâmicos: “aprendem” com seus próprios erros e resultados e buscam refinar sua ação. Não se trata mais, apenas, de identificar uma face, mas de detectar o estado de espírito do indivíduo e, se possível, inferir suas intenções. Não estamos simplesmente encontrando coisas na rede, mas recebendo resultados personalizados que, além de ter maior sintonia com o que procuramos, procuram causar mais impacto no que faremos depois. O céu (ou o inferno...) é o limite do que se pode conseguir quando sistemas evoluem a partir da sua própria experiência, afastam-se do seu funcionamento original e chegam a obter autonomia de difícil predição ou controle.
        Há, assim, um efeito “moda” sobreposto a um real e afetivo progresso rumo a uma IA exuberante. Se previsões alarmantes, como 1984, de George Orwell ou Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, parecem estar se concretizando rapidamente, outras mais otimistas e animadoras, como robôs domésticos, viagens interplanetárias e carros totalmente autônomos ainda situam-se no campo das possibilidades. A história da IA começa nos anos 60 e apresenta uma “ciclotimia”: passa-se de momentos de euforia para momentos de retração, que ficaram conhecidos como os “invernos da IA”.
      Estamos claramente num pleno verão, um pouco forçado, mas indiscutível. Há também alguns indícios de reconhecimento: levantam-se dúvidas sobre “carros automáticos”, se chegaremos mesmo à singularidade de Ray Kurzweil etc.. Há quem prenuncie um novo inverno pela frente. Se esse inverno vier, que seja na forma de oportunidades para avaliar riscos e benefícios, o uso ética e controle de tecnologias críticas que representam a ameaças à civilização.
        Ou seja, que esse inverno traga um renascimento auspicioso como Shakespeare coloca na boca de Ricardo III: “... o inverno do nosso descontentamento converte-se agora em glorioso verão... e todas as nuvens que ameaçavam nossa casa estão enterradas no mais profundo dos oceanos”.

(Disponível em: https://link.estadao.com.br/noticias/geral,o-verao-dainteligencia-artificial,70003166362. Demi Getschko.)

Analise as afirmativas a seguir.

I. Em “[...] até recentemente não relacionado a IA” e “[...] associado a capacidade quase ilimitada de armazenamento”, há incorreção gramatical.

II. As palavras destacadas em “o mesmo se pode dizer” ese previsões alarmantes” desempenham a mesma função sintática, por isso recebem a mesma classificação.

III. Em “A história da IA começa nos anos 60 e apresenta uma ‘ciclotimia’: passa-se de momentos de euforia para momentos de retração, [...]”, os dois-pontos poderiam ser substituídos por “ou seja” sem prejudicar o sentido do trecho.

Está correto o que se afirma apenas em

Alternativas
Comentários
  • Ao contrário do comentário do colega, acho q o erro da primeira está na concordância, especificamente nas palavras “relacionado” e “associado” pois ambas deveriam estar no feminino concordando com o artigo a, ou seja, “não relacionada a” e “ associada a”..... I - Em “[...] até recentemente não relacionado a IA” e “[...] associado a capacidade quase ilimitada de armazenamento”, há incorreção gramatical.
  • Na alternativa I, eu ACHO que o erro é na falta da crase.

    .. até recentemente não relacionado à IA” e “[...] associado à capacidade quase ilimitada de armazenamento..

    O que acham?

  • Colega Natália está correta, o erro é a falta dos acentos indicativos de crase, uma vez que não há necessidade de Relacionado e Associado estarem no feminino (Ex: O assunto relacionadO à fome na África.). Depende do termo anterior, ao qual não temos acesso, e não do subsequente.

    Agora um ponto MUITO IMPORTANTE sobre a III.: A questão está no filtro de Pontuação, e considerou correto uma substituição de dois pontos por 'ou seja', mas sem especificar que essa locução precisa vir entre vírgulas. Para mim gabarito deveria ser Apenas I (mesmo falando apenas em alteração de sentido).

    Lembrando que NÃO há como alterar a Gramática sem comprometer o Sentido, mas SIM alteração de Sentido sem comprometer a Gramática.

    Pra cima!

  • substituir por "ou seja” , ta bom... tem que especificar que tem que ter vírgulas, se não fica totalmente equivocado.

  • I. Em “[...] até recentemente não relacionado a IA” e “[...] associado a capacidade quase ilimitada de armazenamento”, há incorreção gramatical. (ambas as preposições deveriam estar craseadas!)

    II. As palavras destacadas em “o mesmo se pode dizer” e “se previsões alarmantes” desempenham a mesma função sintática, por isso recebem a mesma classificação. (uma palavra pode ter a mesma classificação morfológica e apresentar função sintática do texto diferente. Essas duas classificações não tem causa e efeito, se uma palavra tem determinada função sintática não terá sua classificação morfológica em função disso!

    Ademais, temos: o mesmo SE pode dizer (o mesmo pode ser dito! Pronome reflexivo);

    Já em, "se previsões (Se isso! conjunção integrante)

    III. Em “A história da IA começa nos anos 60 e apresenta uma ‘ciclotimia’: passa-se de momentos de euforia para momentos de retração, [...]”, os dois-pontos poderiam ser substituídos por “ou seja” sem prejudicar o sentido do trecho. (uma ciclotimia, ou seja, passa-se de momentos de euforia(..).